Entendendo as mudanças nos técnicos

Entendendo as mudanças nos técnicos

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos. A segunda-feira negra chegou e, apesar de nosso HC, Vance Joseph, ter sido mantido em sua posição, seis técnicos assistentes (até o momento) foram demitidos, incluindo alguns velhos conhecidos da torcida, como Tyke Tolbert, técnico de WRs e Eric Studesville, técnico de RBs e HC assistente. Analisamos aqui alguns dos motivos para as decisões.

Por que Vance Joseph não foi demitido?

Simplesmente, porque Elway acredita que não deu a ele condições de ser bem-sucedido. Na entrevista que ele concedeu nesta terça-feira, ele deixou claro que acredita que não deu a VJ a chance de ser bem sucedido, especialmente por não ter um QB de qualidade. Além disso, acredita também que os erros que VJ cometeu foram erros de calouro, esperados, até certo ponto, e que acredita que eles não se repetirão no segundo ano.

Os jogadores, por outro lado, acreditam que a culpa foi deles. Harris, Peko, Gotsis, Parks, CJ, Von, Talib, todos disseram que consideravam a culpa pelo desempenho ruim da temporada deles. Que todos de fora da franquia culpam VJ porque ele se recusou durante o ano todo a colocar a culpa nos jogadores, botando tudo sobre seus ombros.

O vestiário também pesou na decisão de manter Vance Joseph. O que, infelizmente para outros treinadores, não foi o caso.

Técnicos Assistentes Demitidos e As Razões

Os seguintes treinadores assistentes foram demitidos:

  • Técnico de RBs Eric Studesville
  • Técnico de WRs Tyke Tolbert
  • Técnico de OLBs Fred Pagac
  • Técnico de OL Jeff Davidson
  • Assistente de DBs Johnnie Lynn
  • Coordenador de ST Brock Olivo

Enquanto todos esperavam pela demissão de Brock Olivo e, talvez, Jeff Davidson, além de nem lembrarem que Johnnie Lynn existia, os três primeiros, especialmente Studesville e Tolbert, são bem conhecidos, e fizeram muitos, inclusive CJ Anderson, questionarem as decisões.

De fato, Eric Studesville é, talvez, o melhor técnico de RBs da liga, e com certeza será OC de algum lugar logo. Tyke Tolbert foi o treinador de WRs da melhor campanha de um ataque na história. Fred Pagac era o treinador de Von Miller na lendária e histórica campanha do Super Bowl 50.

Vendo isso, é difícil de entender as decisões, mas para isso, temos de ir além da forma como as unidades atuaram, e ver o que está por trás de tudo. Eis aqui alguns fatores que podem ter sido determinantes:

1- Números

Desde que Studesville assumiu o controle dos RBs em Denver, à exceção de 2011, o Broncos nunca terminou no top 10 de jardas corridas da liga. 2011 é a exceção, na qual fomos o melhor time em jardas corridas, mas 660 das 2632 delas vieram nos pés de Tim Tebow. Tirando os números dele, caímos exatamente para a nona posição. De lá para cá, terminamos em 16º, 15º, 15º, 17º, 27º e 12º. E mesmo este ano, que foi nossa melhor posição de jardas corridas desde 2011, ficamos em 25º no número de TDs, com apenas 8. É claro que não tem a ver apenas com o coach de RBs, a OL também é bem envolvida nisso (por isso o Coach de OL foi demitido também), mas é notório que não tivemos muita evolução de resultados.

Ele pode ser um ótimo treinador, mas os resultados não estavam aparecendo, na opinião de quem comanda.

2- Desenvolvimento de Jogadores

  • 2011 – Lance Ball, Jeremiah Johnson, Willis McGahee
  • 2012 – Lance Ball, Ronnie Hillman, Knowshon Moreno
  • 2013 – CJ Anderson, Montee Ball, Ronnie Hillman, Knowshon Moreno
  • 2014 – CJ Anderson, Ronnie Hillman, Jeremy Stewart, Juwan Thompson
  • 2015 – CJ Anderson, Ronnie Hillman, Juwan Thompson
  • 2016 – Devontae Booker, Justin Forsett, Juwan Thompson
  • 2017 – CJ Anderson, Devontae Booker, Jamaal Charles, De’Angelo Henderson

Esses foram os RBs que terminaram o ano jogando sob a tutela de Studesville. Destes, tivemos Montee Ball, Ronnie Hillman, Juwan Thompson que não se desenvolveram da forma como esperávamos (dois deles, draftados).

No caso dos Wide Receivers, é claro que tivemos 5 temporadas seguidas de 1000 jardas de Demaryius Thomas, e teríamos a sexta, se ele tivesse alguém para lançar a bola para ele. Mas além do fato de que o problema de drops dele nunca foi resolvido, temos a situação do WR #3. Desde Wes Welker em 2014, não temos um terceiro Wide Receiver. Andre Caldwell, Bennie Fowler, Cody Latimer, Jordan Norwood, Jordan Taylor, Isaiah McKenzie, todos foram testados, e nenhum foi efetivamente aprovado. Latimer mostrou alguns lampejos nesse último ano, Jordan Taylor também, mas não temos um jogador que, se os adversários tirarem DT e ES do jogo, possa efetivamente resolver alguma coisa na posição de slot. Tyke Tolbert desenvolveu bem DT (apesar de não conseguir resolver o problema dos drops), mas só ele.

No caso de Fred Pagac, ele liderou Von Miller à melhor pós-temporada possível, é claro. Ajudou Shaq Barrett a se tornar uma força importante. Mas é inegável que o time, com o talento que tem na defesa, ter ficado em apenas 22º na lista de sacks, é algo que pesa contra ele.

Uma coisa é certa, a corda estoura para o lado mais fraco. Johh Elway e o departamento de scouting acreditam nos jogadores que eles selecionaram. Se eles não apresentaram evolução, eles vão culpar os treinadores posicionais antes de mais nada.

3- Análise dos Adversários

Os técnicos de posição têm, além das funções de preparar seus grupos posicionais, a função de fazer o scouting dos times adversários. Voltando ao Pagac, por exemplo, ele tem a função de analisar as tendências dos OLBs adversários em terceiras descidas longas, e reportar isso ao coordenador, para ajudar no game plan. Studesville deveria, por exemplo, observar como cada RB diferente do time adversário era uma arma, e ajudar o DC a se preparar para ele. Se VJ acreditava que esses técnicos não faziam isso da forma adequada, isso pode ter sido um fator.

4- Química do Staff

Se o Broncos venceu o Super Bowl 50, com todas as limitações do elenco, em grande parte se deu à ótima química do staff de Gary Kubiak. Studesville foi trazido por Josh McDaniels. Tolbert, por John Fox. Davidson, por Gary Kubiak. Há treinadores assistentes na equipe de diversas comissões diferentes, que trabalharam sob diversas filosofias diferentes e, talvez, a visão deles de algumas coisas não casasse com o que Vance Joseph tem em mente. Lembrem-se de que toda a comissão técnica, incluindo os coordenadores, foram escolhidos por John Elway. Mike McCoy e Bill Musgrave, por exemplo, já estavam nas instalações do Broncos antes mesmo de VJ chegar.

Esse é um argumento que Joseph pode ter usado ao conversar com Elway. “Você escolheu seus técnicos, e não deu certo. Deixe-me escolher quem eu quero trabalhando comigo.” Pode parecer bobo, mas às vezes, desempenho tem mais a ver com a química entre os que trabalham juntos do que com qualidade per se. Quantos jogadores de linha ofensiva não saíram de seus times para jogar em outros e decaíram em sua qualidade? Por outro lado, quantos outros eram ruins em seus times de origem, e melhoraram subitamente? Química e unidade de pensamento são coisas fundamentais para um trabalho ser bem sucedido.

5- Experiência

O único técnico demitido que era calouro foi Olivo. E ao contrário do ataque com o QB, grande parte do foco no draft foi no Special Teams. Draftamos dois retornadores, mantivemos Janovich, Fowler e Latimer, que são ótimos no ST, e demos um contrato para o McManus. Os retornos pioraram no ano, McManus e Dixon regrediram, e não tivemos nada de positivo no ST, mesmo sendo talvez a unidade que mais recebeu foco na offseason. Por isso, ele foi demitido.

Ao contrário de VJ, ele recebeu a melhor chance possível, e não correspondeu. E bons jogadores dos anos anteriores regrediram sob a batuta dele. Os outros treinadores eram todos experientes, então não recebem o benefício da dúvida que um treinador calouro recebe.

Basicamente, essa é minha visão dos motivos pelos quais alguns técnicos foram demitidos, e não VJ.

Não dá para olhar o histórico de 5-11 e dizer que é razão para Vance Joseph ser demitido, depois de apenas um ano. Bill Belichick foi demitido do Browns depois de 5 anos e um retrospecto de 0.450. No Patriots, em seu primeiro ano, ele terminou com os mesmos 5-11 de VJ este ano. E foi campeão do Super Bowl no ano seguinte. A diferença foi a saída de Bledsoe e a entrada de Brady. Um quarterback decente faz toda a diferença no desempenho de um time, e o Broncos foi o time que menos gastou com QBs desde que Peyton Manning se aposentou.

Por outro lado, é bom que Joseph tenha deixado grande parte dos seus erros para trás. Ele não terá o benefício da dúvida de um QB ruim e/ou de ser calouro em 2018. Estará ainda mais sob o escrutínio de todos, e, se o time não mudar da água para o vinho, ele não terá uma terceira chance.

Qual a opinião de vocês sobre as mudanças?

#GoBroncos!