Quão velho Manning realmente está?

Broncrônica – Quão velho Manning realmente está?

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos. Vai sair na Revista da ESPN americana do mês que vem um artigo sobre como é a rotina de Manning depois de um jogo. Nosso QB tem 39 anos, e desafia todos os limites do corpo, que nunca foi lá essas coisas, usando sua mente como condutor para levá-lo acima desses limites. Coloco abaixo uma parte do artigo, e continuo com minha opinião.

PEYTON leva 15 minutos para tirar sua armadura depois de um jogo.

Ele começa com as chuteiras, que  mal consegue desamarrar sem ajuda. Um funcionário do time o ajuda a tirá-las de seus pés, enquanto ele dá uma entrevista de rádio, porque depois de quase 25 anos de futebol americano, desde os tempos do Ensino Médio, é um alívio não ter de se curvar tanto. Em seguida, vêm os shoulder pads, que, quando puxados sobre sua cabeça, geram um gemido que é uma mistura de sofrimento e alívio. Os pálidos braços e tronco estão cobertos de arranhões novos e hematomas antigos, alguns da cor de morangos, outros num tom de berinjela.

As meias dele saem depois de vários puxões violentos, revelando os dedos que estão torcidos e dobrados em ângulos obtusos. Quando  remove uma grossa joelheira azul da perna esquerda dura, ele para duas vezes para fazer uma careta e reunir forças antes de tirá-la completamente e entregá-la para um funcionário do time guardar. Conforme  remove as espessas camadas de fita atlética que apoiam seus tornozelos, parece um cirurgião operando a própria perna sem anestesia.

Quando ele termina, ele se levanta, juntas rangendo, tiras soltas de fita e pedaços de grama ainda estão presos à sua pele. Ele tinha acabado de vencer de virada o Chiefs no Arrowhead Stadium no jogo válido pela semana 2, e uma enxurrada de mensagens de texto chegavam ao seu telefone, que tem uma foto de seus gêmeos de 4 anos, Marshall e Mosley, de plano de fundo. Ele não resistiu e leu algumas, sorrindo de satisfação. Ele joga uma toalha sobre os ombros, mas a cicatriz rosa na parte de trás do pescoço ainda é visível, lembrança das quatro cirurgias no pescoço que fez para reparar um nervo pinçado e discos herniados, e sua fusão de vértebras. Por causa da vitória, a 181ª da carreira, Manning sorri enquanto anda na direção dos chuveiros, mancando cautelosamente. Se é assim numa noite boa, depois de apenas dois jogos em sua 18ª temporada, tente imaginar nas noites ruins.

É difícil não se perguntar: Por quanto tempo mais ele é capaz de continuar com isso?

Ninguém sabe a resposta, claro.

(…)

Era difícil não sentir a dor de Manning enquanto ele esperava no campo após o jogo contra o Chiefs para falar com um repórter da televisão. Conforme seus felizes companheiros de time corriam atrás dele, vários deles batiam, felizes, no shoulder. Ele sorria como um garoto do Ensino Médio, mas cada vez que isso acontecia, ele fazia uma careta de dor, parecendo mais do que nunca ser um homem de 39 anos de idade com um pescoço dolorido, que desejava poder ver as batidas chegando, para que pudesse se preparar para para uma celebração tão calorosa.

Se vocês quiserem conferir o artigo todo (em inglês), podem lê-lo aqui.

Sempre me perguntam quem é o melhor, entre Brady, Manning, Montana, Favre, Rodgers, entre todos os outros QBs que já jogaram o esporte mais legal de todos. De fato, de acordo com os nossos leitores, Rodgers e Brady são melhores do que Manning, e não discordo das opiniões, já que eu também opinei dessa forma. Pelo menos, em 2015. Mas e historicamente? Como definir a importância de Manning?

Ele tem praticamente todos os recordes importantes para QBs, e até o fim do ano, vai ter o último que falta, o de jardas totais. Sua longevidade é impressionante, mas todos os que falam que seus passes não têm mais a mesma força se esquecem de que eles nunca tiveram. Em toda a sua carreira, Manning lançou patos mortos, mesmo quando era o garoto de ouro do College.

O que sempre fez a diferença em sua vida, e vai continuar a fazer, é seu cérebro. Até quando, Manning vai ser capaz de vencer suas limitações físicas, vencer o Tempo, e continuar a ser eficiente?

Ele ainda mostra flashes de brilhantismo, mas é preciso que o time o ajude, como já disse antes. Sim, nosso ataque parece mais eficiente quando Manning está no comando. Mas quanto tempo aguenta antes de uma lesão no tornozelo, ou no quadríceps, ou em qualquer outro lugar do seu velho e cansado corpo?

Dói ler esse relato de Manning. Mas também é emocionante ver a luta desse homem contra o tempo, contra as limitações, e a favor daquilo que a gente mais ama: ver o futebol americano ser jogado de forma inteligente, clássica, e eficiente.

Aproveitem enquanto há tempo, amigos, esta pode ser a última dança de Manning.