Análise dos setores – semana 7 @ Browns

Saudações, torcedor@s dos Broncos! Perdemos a quarta seguida, 17 a 14 para os Browns em Cleveland. Vamos analisar o que deu certo e o que deu errado em cada um dos setores da equipe.

Sempre lembrando, os dados utilizados neste post foram extraídos do site da ESPN americana (link) e do site Next Gen Stats (link).

Ataque

Com todos os problemas que a defesa possa ter tido (e teve), se o seu adversário marca apenas 17 pontos e você perde o jogo, significa que o ataque é o maior culpado. Pelo menos essa é a minha humilde opinião. Anotar apenas 14 pontos é algo inaceitável para uma unidade ofensiva no nível da NFL. E quando o desempenho é tão pífio assim, fica difícil de acreditar que haja apenas um único culpado, mas sim que um conjunto de ações de diversos personagens levaram ao fracasso.

Vamos começar com alguns números e com nosso famoso diagrama de passes do QB para dar base à nossa discussão. Em termos de chamadas, Pat Shurmur chamou 12 corridas contra 35 passes (scrambles contam como chamada de corridas). Incríveis 74,5% de chamadas de passe, o que de cara já mostra falta de equilíbrio nesse ataque, até porque os Broncos nunca estiveram a mais de 10 pontos no placar para justificar abandonar a corrida desse jeito. Na minha visão isto é um erro do nosso OC, colocando o peso do jogo em cima de um QB que não faz parte da elite da NFL.

Vamos então analisar como foram esses passes. Observem o diagrama de passes de Teddy Bridgewater abaixo. Das 35 chamadas de passe, duas resultaram em scrambles e 23 de 33 arremessos foram completados (69,7%) para 187 jardas (média de 5,7 jardas por arremesso), 2 TDs e 1 INT. Notem que a porcentagem de passes completos é muito boa, mas as jardas ganhas não, o que reflete a forma como esses passes foram feitos. Muitos deles foram para trás da linha de scrimmage ou para menos de 5 jardas, na maioria das vezes em direção a lateral. Desta forma, era necessário os recebedores dobrarem a esquina e quebrar tackles, principalmente para tentar converter terceiras descidas. Adivinhem só, eles não quebraram os tackles e sofremos novamente nas terceiras descidas, convertendo apenas 5 de 11.

Teddy B completou muitos passes curtos próximos a sideline e para trás da linha de scrimmage.

Talvez Noah Fant seja o exemplo mais simbólico disso. Nosso TE recebeu diversos passes em terceira descida que não conseguiu transformar em primeira descida por não quebrar tackles. Por mais que se espere que um cara com o porte do Fant consiga fazer isso, também se espera que o OC mude alguma coisa para ajudar seu atleta.

Olhem no mapa acima como não atacamos nenhuma seam dos Browns (rota vertical mais ao centro do campo). Se seu atleta não está conseguindo quebrar tackles, porque diachos não mandar ele parar de correr conceitos horizontais curtos e atacar mais o centro do campo verticalmente? Creio que essa combinação geral de desempenho ruim dos atletas e teimosia do OC explicam o fiasco do ataque nessas últimas quatro partidas.

Usei Noah Fant como exemplo, mas Teddy B lançou uma INT tosca, a OL não abriu muitos espaços por terra (tivemos 2,9 jardas por corrida) e por aí vai. Pat Shurmur vem com a cobertura e cereja para decorar o bolo abandonando o jogo corrido e insistindo em conceitos que seus atletas executam mal. O resultado disso são apenas 14 pontos.

Para não dizer que sou só corneta, vou encerrar a análise do ataque em um tom positivo. O diagrama de passes esconde algumas nuances do jogo e uma delas foram os screen passes. Vejam no vídeo abaixo o TD de Javonte Williams.

Tradução: “Ambos os TDs dos Broncos nets noite vieram porque o RB fez o Shurmur parecer esperto. Esforço excepcional de Javonte Williams”.

Os Broncos estão em 11-personnel em uma formação 3×1, 3 recebedores na parte de baixo do vídeo e um acima. O time inteiro (com destaque para a OL) vendem muito bem a ideia de passe em conceito mais tradicional, mas Williams escapa pelo meio da OL e recebe o screen pass.

Cushenberry, Risner e Graham fazem bloqueios maravilhoso para a Williams conseguir o TD. A formação 3×1 manteve a maioria dos DBs dos Browns na metade oposta do campo, não dando tempo para ele alcançarem nosso RB.

Acredito que esse ataque ainda pode melhorar nas mãos do nosso OC, mas ele precisa abrir mão um pouco mais de alguns conceitos de seu ataque para colocar nossos atletas em situações em que eles consigam executar jogadas. Não podemos novamente esperar 11 semanas, como em 2020 (relembre aqui), para que Shurmur resolva rever alguns conceitos que prejudicam nossos atletas.

Defesa

Vic Fangio parece reviver novamente os pesadelos do ano passado, quando as lesões dizimaram sua secundária e ele não encontrou alternativas para tapar os buracos deixados pelos DBs pés-de-breque. Contra os Browns, as lesões varreram nosso corpo de LBs e Fangio e Donatell não conseguiram contornar o problema.

Com a lesão de Von Miller, os Broncos não tiveram nenhum OLB ou ILB titular em campo. Pior, Micah Kiser (ILB 5 do time) se lesionou e deu lugar ao ILB 6 do time, Curtis Robinson.

Kevin Stefanski, HC dos Browns, não quis nem saber e aproveitou a ausência de qualquer coisa que lembrasse um LB decente para passar o trator por terra. Os Browns correram 29 vezes (4 scrambles descontados) para 175 jardas, média de 6 jardas por carregada, e 1 TD.

Um rolo compressor sem resposta por parte dos Broncos. Fangio tentou, é verdade, mas sem sucesso. Levou formação dime a campo, trouxe DLs extra para o front, mandou blitz e nada adiantou. Nossos ILBs e OLBs jogaram tão mal, que não houve remédio para a situação.

O vídeo abaixo exemplifica bem isso. Segunda descida para 10 jardas e os Browns trazem 11-personnel para o campo. Fangio responde com sua formação nickel, tendo Curtis Robinson (mais abaixo) e Justin Strnad (mais acima no vídeo como ILBs. Note também o OLB número 57 na parte de baixo da trincheira, Pita Taumoepenu (OLB número 5 do time).

Tradução: “Os Browns correaram para cima do quinto EDGE e do sexto ILB dos Broncos nessa.”

A jogada é uma corrida pela direita da linha dos Browns e de imediato
Taumoepenu é empurrado para fora da jogada como se fosse um pivete magrelo de 14 anos. Curtis Robinson demora para fechar o gap aberto na linha e é facilmente bloqueado pelo LG fazendo o pull.

Já Justin Strnad teve uma reação tão lenta que eu nem imagino o que ele pode ter pensado da jogada. Não sei se achou que era um play action, se o RB tava correndo para o outro lado, se a água do chuveiro estaria quente… Enfim, também foi facilmente bloqueado pelo TE. Uma aula completa de como não se jogar todas as posições de LB em uma defesa 3-4, que resultou em ganho de 8 jardas e em uma terceira descida curta.

E não foi só por terra que os ILBs comprometeram. Das 199 jardas aéreas conseguidas pelos Browns, 75 vieram de TEs com contribuição decisiva dos nossos ILBs. Um desastre total que Fangio e Donatell não conseguiram corrigir.

Outro problema crucial foi a falta de pressão do nosso fronte defensivo sobre Case Keenum. O QB dos Browns teve pocket limpo quase a noite toda para pensar e achar seus recebedores. Não existe secundária que aguente isso. Foram apenas 1 sack e 5 QB hits na noite de quinta-feira.

Finalmente, o terceiro grande problema da noite foi a parte de fundamentos: péssimo tackling a noite toda! O vídeo abaixo mostra como dois LB não conseguiram taclear Case Keenum! Incrível! Para um treinador que prega que o time não pode “morrer por polegadas” isso é algo muito triste de se ver. Estamos morrendo por quilômetros.

Tradução: “Não sei se é justo esmagar um calouro não-draftado por esta jogada, mas foi uma conversão devastadora”.

De qualquer maneira, é bom frisar que a defesa cedeu apenas 17 pontos para os Browns. Mesmo com todos os problemas, esse é um número baixo de pontos e se seu ataque não consegue superar isso, fica difícil competir na NFL.

“Time de especialistas”

Alguém liga para o Dionte Spencer e fala para ele não retornar mais kickoff! Segundo jogo seguido que ele nos coloca em posições de campo ruim com seus retornos: média de 18,9 jardas por retorno, sendo para 21 jardas o mais longo. Em outras palavras, sempre pior que um touchback.

Mas vamos ser justos em dizer que a “unidade” não comprometeu fora isso. McManus acertou seus 2 PATs e Sam Martin distribuiu botinadas, conseguindo uma média de 50,5 jardas por punt. As coberturas também foram bem feitas. Talvez, no fim da temporada eu retire as aspas do nome do “ST”. Se demitirem o McMahon, claro.

Conclusão

O time apresenta erros de execução em todas as fases de uma equipe de futebol americano. A defesa foi massacrada por terra devido a incompetência de seus LBs e George Paton já se moveu pra tentar suprir essa demanda, com trocas pelo OLB Stephen Weatherly e o ILB Kenny Young.

O ataque executa mal os conceitos de seu OC e o OC responde mandando eles fazerem as mesmas coisas em busca de resultados diferentes. Não vai dar certo! Shurmur parece colocar um ou outro toque diferenciado nesse ataque, mas continua teimoso em alguns conceitos que não exploram o ponto forte de seus atletas. Se nada mudar nesse time, estamos rumo ao top 10 do Draft de 2022.

Essas foram as minhas considerações sobre a derrota no Thursday Night Football. Deixem as suas na seção de comentários.

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