Análise dos setores – Semana 3 – vs Jets

Saudações, torcedor@s dos Broncos! Vencemos mais uma partida de forma dominante! Desta vez, 26 a 0 contra o NY Jets. Vamos analisar cada um dos setores para saber o que deu certo e o que deu errado nesta vitória.

Os dados aqui utilizados foram extraídos do site da ESPN norte-americana (link) e do site Next Gen Stats (link).

Ataque

Pode ter parecido meio moroso, mas a verdade é que o ataque jogou boa parte do jogo em ritmo de treino, apenas controlando a partida. Vencendo por 3 ou 4 posses durante boa parte do tempo, Pat Shurmur apenas procurou gastar relógio e manter a defesa descansada, principalmente à medida em que as lesões começavam a aparecer (Hamler, Glasgow e Risner se machucaram).

O dado que mais corrobora isso é a proporção entre snaps de passe e corrida: foram 33 chamadas de corrida contra apenas 29 de passe (estou contabilizando os scrambles de Teddy B como chamada de passe). São incríveis 53% de corridas, algo inimaginável vindo de Pat Shurmur. Aliás, mais uma estatística do nosso OC para calar a boca deste que vos escreve. O resultado da estratégia foram 35:47 minutos de posse de bola e, mais uma vez, mostra a imposição desse ataque sobre o adversário.

Em termos de eficiência desse jogo corrido, os números não são dos melhores. Novamente descontando as jardas que Teddy Bridgewater conseguiu com as pernas, foram 97 jardas conquistadas por terra, média de 2,94 jardas por carregada. Ok, foram 2 TDs correndo, mas mesmo assim não são números bons. Os motivos são basicamente dois. O primeiro é o desempenho abaixo do adequado da OL (mais sobre isso adiante). O segundo, novamente o uso de personnel do nosso OC, que mandou a campo formações pesadas (com pelo menos 2 TEs e/ou 1 FB) em 52% do snaps (link para os dados). Isso forçou os Jets a responder com mais formações base (3 LBs) e a jogar com o box cheio, dificultando a corrida.

A boa notícia é que essa baixa eficiência terrestre pouco atrapalhou o ataque e, de novo, por dois motivos. Vamos ao primeiro. O mais óbvio deles é que se a defesa se compromete demais com a corrida, ela é pega de calças curtas no play action. Isso aconteceu algumas vezes com os Jets. Veja no exemplo abaixo. Os Broncos estão em 12-personnel (2 TEs) e os Jets trazem formação base como resposta. Os TEs fazem bloqueios como se fosse uma jogada de corrida e os WRs correm um conceito conhecido como Samurai F Shallow Special, com uma rota deep over e outra shallow cross que na verdade é um fake e vira uma rota profunda (veja uma análise dessa mesma jogada nesse link). Note que os defensores atacam a linha de scrimmage como em um jogada de corrida, um LB cobre Melvin Gordon e o outro fica perdido no meio de campo dando amplo espaço para Tim Patrick fazer a bela jogada com sua rota fake shallow cross que mencionei acima.

Tradução: “O DIA TODO. Teddy para Timmy (Tim Patrick)”.

O outro motivo é porque Teddy Bridgewater tem sido extremamente eficiente passando a bola, distribuindo bem a bola e fazendo o adversário pagar caro por jogar com box cheio. Mais uma vez ele completou mais de 75% dos passes, mais precisamente 76% ou 19 passes dos 25 tentados. Além disso, note no diagrama abaixo o quanto Teddy e Shurmur exploraram os lados do campo. Isso porque os Jets tem seus LBs como ponto forte na defesa, mas CBs fracos. Esses CBs foram abusados por Patrick e Sutton. Ponto positivo para o plano de jogo.

Finalmente colocaram O Teddy com a jersey dos Broncos! Fonte: Next Gen Stats.

Por fim, o ponto negativo: a linha ofensiva. É o terceiro jogo seguido com desempenho ruim da unidade, mais especificamente o miolo dela. Risner está tendo um ano fraco e Cushenberry e Glasgow também tem seus problemas (veja o compilado de erros do Glasgow no vídeo abaixo). Muita pressão tem sido cedida pelo meio, além de darem poucos espaços para os RBs. Os Jets anotaram 2 sacks, 4 tackles para perda de jardas e 4 QB hits. Não acho que seja algo desesperador, mas tão pouco algo a ser ignorado. Se os adversários enfrentados até aqui tem boas DLs (não acho que seja o caso dos Jaguars), a má notícia é que a coisa não vai melhorar. Enfrentaremos DLs mais talentosas ou defesas mais agressivas, caso dos próximos dois jogos. Portanto, o desempenho da unidade tem que melhorar.

Tradução: “Algum tempo de jogo para Netani Muti/Quinn Meinerz no lugar de Graham Glasgow poderia ser bom a longo prazo para os Broncos. Não tenho certeza se o Glasgow jogou machucado nesse jogo, mas essas três jogadas são inaceitáveis para um OG que ganha $11M/ano”

Defesa

Zach Wilson recebeu uma bela aula sobre o que é a NFL. Mudanças pós-snap, pressão com blitz, pressão sem blitz, stunts, etc. Parece até que a nossa defesa nem precisou se esforçar, mas isso na verdade é resultado de uma unidade que está em patamar elevado contra um Jets ainda em construção e com muitos problemas na OL e com seu QB calouro.

Tal combinação resultou em ZERO pontos para os Jets. Shutout! Vamos ao domínio em números, começando pela secundária. Zach Wilson completou apenas 19 dos 35 passes tentados (54%) para ridículas 160 jardas, O TD e 2 INTs. O calouro caiu constantemente em armadilhas e hesitou em muitos momentos. Vamos a um exemplo disso na INT de Justin Simmons no vídeo abaixo. Os Broncos estão em nickel e os Jets movimentam um de seus WRs, aparentemente colocando Corey Davis em um matchup favorável contra um LB (Strnad). O problema é que Simmons identifica isso antes do snap e desce rapidamente para cortar a rota do WR de verde. Note que Wilson vacila no seu dropback e dá um passinho a mais para acertar sua base no arremesso. Passinho a mais significa 0,5 segundos mais lento, pecado mortal NFL e devidamente punido por Simmons.

Tradução: “Justin Simmons disse me dá isso aqui!”

O front seven também trouxe o inferno para Wilson. Contra uma OL fraca, nosso fronte foi competente parando o jogo corrido, cedendo apenas 43 jardas em 13 carregadas, média de 3,3 jardas por corrida. O suficiente para colocar os Jets em 13 situações de terceira descida, das quais converteram somente 4. Fangio e Donatell foram muito criativos com o fronte pressionando o adversário, não dando respiro para o QB. Foram 5 sacks, 6 tackles para perda de jardas e 9 QB hits, números estelares! Vamos ao um exemplo dessa pressão e, novamente, vou mostrar um não-sack para deixar claro que não é só abraço gostoso no QB que conta. Note no vídeo abaixo que os Broncos estão em dime (o ângulo não é claro, mas acho que tem só AJ de LB e 6 DBs). Alexander Johnson vai para o blitz e tanto Malik Reed como Jonathon Cooper fazem stunts, confundindo a OL e forçando Zach Wilson a se livrar desesperadamente da bola.

Tradução: “Isso não é um sack, então a maioria das pessoas vai se esquecer como Malik Reed apressou Zach Wilson a lançar a bola para lugar nenhum.”

Uma dica para os adversários: não abandonem o jogo corrido. Giants, Jaguars e Jets fizeram isso foram engolidos por essa defesa que está definitivamente na primeira prateleira da liga. Talvez os Ravens na próxima semana sejam os primeiros a testar essa dica.

“Time de especialistas”

Temos um novo quadro semanal em campo patrocinado por Tom McMahon e seus comandados: a jogada semanal do “ST” (“ST” play of the week lá nos EUA). Toda semana, nosso “ST” traz para vocês uma lambança exclusiva e digna do lance da tinta que tinha na TV. Enfim, mais uma trapalhada que não prejudicou a partida que estava controlada, mas que pode ser decisiva contra adversários mais fortes.

Confira a “jogada da semana” do nosso “ST”

Para ser justo com a “unidade”, tirando a trapalhada tudo estava indo relativamente bem. Sam Martin teve bons punts, McManus acertou os 4 FGs que tentou e Dionte Spencer conseguiu uma média de 8 jardas nos retornos de punt que tentou. As coberturas também estavam muito boas e os Jets não conseguiram retornar nenhum punt. Enfim, não adianta jogar bem e fazer uma trapalhada que coloca o jogo em risco. Essa “unidade” precisa cortar esses erros agora que os adversários serão melhores.

Conclusão

Mais uma vitória dominante dos Broncos que se impuseram no ataque e na defesa. Pouco importa se o adversário é fraco. Você o domina e não dá chances. Os Broncos fizeram isso contra os Jets e construíram um momento bom para a sequência da temporada. Vamos ver como Denver se comporta contra adversários mais qualificados, mas o futebol mostrado até aqui é muito bom.

Essas foram minha considerações sobre os setores. Deixem as suas na seção de comentários.

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