Análise dos setores – Semana 2 – @ Jaguars

Saudações, torcedor@s do Denver Broncos! Conquistamos a segunda vitória na temporada, novamente fora de casa. Um belo 23 a 13 sobre os Jaguars, que nos leva a um recorde de 2-0. Vamos analisar os stores da equipe para saber o que deu certo e o que deu errado.

Os dados aqui utilizados foram extraídos do site da ESPN norte-americana (link) e do site Next Gen Stats (link).

Ataque

Amigos, Pat Shurmur está voando! “Ah, mas 23 pontos não serão suficientes para bater os Chiefs”! De fato, não, mas não se esqueçam que ajoelhamos na linha de 4 jardas do campo adversário com quase um minuto no relógio. O meu ponto aqui é o quão Denver tem sido dominante no lado ofensivo da bola.

Vamos aos dados: 398 jardas totais, 67 snaps (apenas 50 dos Jaguars), 5,9 jardas por jogada, 50% de eficiência na redzone (2 TDs em 4 oportunidades), 38:52 minutos de posse de bola (!!!) e ZERO turnovers (!!!). A verdade é que os Jaguars tiveram quase nenhuma chance de vencer a partida, a não ser aquela dada pela unidade de Tom McMahon.

Novamente, vou destacar aqui o uso de personnel do nosso OC, que tem sido o fator chave até aqui nesse domínio (veja minha análise da semana passada aqui). Shurmur empregou 12-personnel (2 TEs) em 24% dos snaps e 13-personnel (3 TEs) em 21% (mais dados aqui). Uma consequência disso é que os Jaguars tiveram que responder com mais base formation (3 LBs).

Naturalmente, correr contra essa formação e contra boxes lotados torna o trabalho do jogo corrido difícil. Williams e Gordon correram contra boxes de 8 defensores ou mais em cerca de 29% dos snaps e conquistaram cerca 3,2 jardas por carregada. Nada mal, nada fantástico, mas o mais importante aqui é que isso não importa! Simplesmente porque Shurmur usava isso como uma espécie de armadilha para o adversário e passava a bola saindo dessas formações pesadas.

Vamos ao exemplo mais perfeito disso no jogo contra os Jaguars: o TD de Noah Fant. Note no vídeo abaixo que os Broncos estão em 13-personnel, com Fant, Saubert, Okwuegbunam, Gordon e Sutton como recebedores. E aí veio a graçola! Os Jaguars trazem base para o campo, mas Pat Shurmur chama um empty set (sem RB no backfield) e vai para o passe. Boa sorte defendendo esse grupo de TEs assim. Os Jaguars não conseguiram. Bela chamada, belo TD!

Tradução: “É assim que se começa o segundo tempo”!

E com um QB competente rodando o ataque tudo se destrava. Note no diagrama de passes de Teddy Bridgewater como ele usa passes curtos com maestria, aproveitando dos mismatches dos nossos TEs e possession WRs (Sutton e Patrick). É quase uma extensão do jogo corrido. E tudo isso sem deixar de atacar em profundidade para manter a defesa honesta.

Repare na quantidade de passes de mais de 20 jardas, 7 no total. Pouco importa se apenas 2 foram completos, são 2 big plays que mantém a defesa adivinhando ao invés de ser agressiva. Isso também ajuda a esconder um pouco algumas falhas da linha ofensiva (nada comprometedor, mas precisa melhorar).

Bem que o Next Gen Stats poderia colocar o Teddy com a jersey dos Broncos… Fonte: Next Gen Stats.

Em resumo, o jogo foi conceitualmente fantástico por parte do ataque. Shurmur montou um plano de jogo e chamou ele de maneira fantástica contra os Jaguars. Deixo um único senão que foi a baixa conversão de terceiras descidas: apenas 2 convertidas de 11, um pouco compensado pelas 2 quartas descidas convertidas em duas tentativas. Nada que apague o brilhantismo da unidade.

Defesa

Um começo lento, seguido por domínio. Essa foi a tônica da defesa. Trevor Lawrence levou os Jaguars com certa facilidade para a redzone e acabou queimando Kyle Fuller para o TD.

Mas a graça acabou aí. Lawrence completou ridículos 14 de 33 passes tentados (42,4%) para apenas 114 jardas, 2 INTs e aquele 1 TD. Os Jaguars também só conquistaram 75 jardas por terra, sendo 21 delas em scrambles do QB. Se isso quer dizer que a defesa não dominou o ataque dos Jaguars, eu fico com essa defesa não-dominante em qualquer situação.

Claro que não foi aquela apresentação de encher os olhos. Sim, queremos mais sacks, 1 único foi pouco. Mas vamos analisar um exemplo de como um não-sack às vezes é muito importante. Note na jogada abaixo que os Broncos mandam 4 para o rush, então não é uma jogada de blitz.

Entretanto, Fangio coloca 3 deles na esquerda do vídeo, sobrecarregando o lado direito da linha ofensiva dos Jaguars (isso é chamado overload). A OL deles fica confusa, Von faz um stunt (ameaça ir por fora e ataca o A-gap) e vai ao encontro de Lawrence, forçando o QB a se desfazer da bola rápido e de maneira errada. A jogada acabou sendo uma flag em Kyle Fuller que, sinceramente, achei uma chamada fantasma das zebras.

Tradução: “Este rush do Von Miller ficará perdido na história por causa de uma flag estranha de Kyle Fuller a menos que nos lembremos dele, gangue”.

Outro exemplo de um não-sack mostra também como Fangio e Donatell variam bastante seus fronts e chamadas durante a partida, para deixar o QB adversário confuso o tempo todo. Me parece que na jogada abaixo os Broncos estão em dime (6 DBs) – Caden Sterns está em campo no lugar de Justin Strnad. Fangio manda um blitz com Alexander Johnson indo para o rush. A OL não se entende e AJ entra fácil pelo B-gap forçando Lawrence a se livrar da bola rapidamente. Passe incompleto!

Tradução: “Von Miller e Alexander Johnson fazendo o blitz apressam Trevor Lawrence em uma terceira longa. Os Broncos conseguem parar a jogada”.

Entendo a preocupação de todos com o começo lento e os números baixos da DL e dos OLB na pressão (1 sack e 3 QB hits). Mas existem diversas maneiras de se dominar o adversário e Fangio e Donatell o fizeram, com frontes criativos e muita mudança pós-snap na secundária. O calouro não deu conta do recado e lançou 2 INTs.

“Time de especialistas”

Demitam Tom McMahon! Já disse isso alguma vez nesse post? Não há mais nada a ser dito, permitir 4 retornos para TD em 3 anos (2 de punt e 2 de kickoff) é uma marca que ninguém mais conseguiu na liga. O TD de retorno permitido contra os Jaguars serviu para dar chances a um adversário completamente dominado nas outras duas fases do jogo. Enfim, tenho poucas coisas a acrescentar.

Para não dizer que sou exclusivamente corneteiro, a “unidade” vinha bem até o TD. Sam Martin colocou todos seus 4 punts dentro das 20 jardas adversárias. Mike Ford (apesar de mais uma falta de 15 jardas) é um baita gunner e melhorou muito nossas coberturas. McManus acertou tudo o que chutou: 3 FGs e 2 PATs. Dionte Spencer também conseguiu bons retornos. Mas não dá mais!

Os comandados de McMahon insistem em cometer erros, colocando esse time em perigo. Pode nos custar a vitória em jogos mais apertados. Termino essa análise do “ST” com esse tweet que resume tudo.

Tradução: ” Broncos ranqueia depois da semana 2, de acordo com o Pro Football Focus: Geral: 3º, Ataque: 4º, Defesa: 8º, Time de especialistas: 32º”.

Por fim, uma crítica geral a todos os setores. Foram 10 faltas dando 101 jardas para os Jaguars. Inaceitável! Novamente, reitero que esses erros podem nos custar o jogo contra adversários mais qualificados, então isso precisa ser corrigido.

Conclusão

Mais um jogo dominante dos Broncos. Muitas vezes, é um jogo que não nos enche os olhos, mas não se enganem. Os Broncos jamais permitiram qualquer respiro para os Jaguars e se sobressaíram no ataque e na defesa. Se esse tipo de domínio irá se traduzir contra adversários mais fortes só o tempo irá dizer, mas eu simplesmente amo o que foi feito até aqui. Com exceção do “ST”, claro.

Essas foram minha considerações sobre os setores. Deixem as suas na seção de comentários.

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