Análise dos setores – Semana 14 vs Lions

Saudações, torcedores dos Broncos! Denver conquistou uma vitória protocolar, mas dominante contra o Detroit Lions: 38 a 10. Vamos analisar os setores da equipe para saber o que deu certo e o que deu errado.

Os dados aqui utilizados foram retirados do site da ESPN Brasil (link).

Ataque

Semana passada eu disse nessa coluna que o jogo corrido deveria ser a pedra fundamental desse ataque (link). Aparentemente nosso OC leu nosso post (contém ironia) e fez do jogo terrestre a base do ataque contra os Lions. Claro, o fato de ser contra um time fraco e devastado por lesões e COVID foi fundamental, mas o que interessa é o conceito aqui.

Vamos aos dados. Foram 39 chamadas de corrida (61%) contra 25 de passe; conquistamos 184 jardas terrestres, média de 4,7 jardas por carregada e 3 TDs. Um domínio por terra que refletiu em 32 minutos de posse de bola e forçou os Lions a abandonarem o jogo corrido, num momento em que eles também tinham sucesso por terra.

Essa eficiência do nosso jogo corrido passa por dois elementos principais. Primeiro, obviamente, nossos RBs. Javonte Williams e Melvin Gordon formam o melhor 1-2 punch da liga, sem medo de clubismo aqui. Segundo, nossa OL que tem feito um trabalho excepcional dominando as trincheiras. Vejamos isso no vídeo abaixo do TD de Williams.

Os Broncos trazem 12-personnel a campo (2TEs) em uma situação de primeira descida para gol. Antes do snap, Fant faz o motion, deixando um TE de cada lado da linha. Note como a OL simplesmente domina a DL dos Lions, empurrando ela para o lado de baixo do vídeo e deixando a parte de cima livre para Williams. Albert O apenas garante que o EDGE tem que contornar ele, impedindo-o de chegar no backfield.

Tradução: “Broncos anotam pontos no seu drive de abertura quando Javonte Williams passa pela linha de gol.”

Como já dito muitas vezes, sem o peso do jogo na mão Teddy Bridgewater é capaz de levar esse ataque mesmo com as suas limitações. Ele completou 18 de seus 25 passes (72%), para 174 jardas e 2 TDs. Nosso QB distribuiu bem a bola, completando passes para 6 diferentes alvos e o ataque teve um ótimo desempenho em terceiras (8 de 12, 75%) e converteu a única quarta descida tentada. Sem novidades, é o que se espera de um ataque com um QB mediano.

Uma coisa interessante nessa partida foi o excelente uso dos TEs. Juntos, Albert O e Fant receberam 9 passes para 92 jardas e um TD. Mais interessante ainda foi o uso dado a eles por Pat Shurmur. Além dos passes curtos em speed outs de sempre, nosso OC usou eles em jogadas com bootleg, play actions e usando o atleticismo deles em rotas verticais.

Veja um exemplo no vídeo abaixo. Os Broncos trazem 11-personnel a campo para uma segunda descida para 9 jardas e os Lions respondem com Cover 2 Man. Antes do snap, Jeudy faz o motion para a parte de cima do vídeo. Note como ele atrai a marcação de dois jogadores, deixando Fant mano a mano com o LB. E aí não tem conversa, nosso TE é um mismatch para qualquer LB. Ele vence o adversário e recebe o passe para 32 jardas. Belo desenho de jogada, belo passe e bela recepção.

Tradução: “Bridgewater acha Noah Fant em profundidade na sideline“.

Um ponto negativo continua sendo o baixo uso de Courtland Sutton, que recebeu apenas 2 alvos na partida. De fato, creio que ele deveria ser melhor usado nesse ataque. Ele é muito utilizado verticalmente, o que limita a capacidade de Teddy B conseguir passar para ele frequentemente. Mas dado as limitações do nosso QB e a teimosia de nosso OC é difícil acreditar numa mudança. Já são 14 semanas e não há qualquer evidência de que Shurmur vá mudar ou Teddy, melhorar. Espero que nosso WR apareça nos momentos e situações decisivos.

Defesa

O enverga mas não quebra segue sendo o lema dessa defesa. O adversário ganha jardas, mas não ganha pontos e não foi diferente contra os Lions. Detroit ganhou 333 jardas, chegou 3 vezes à redzone, mas só anotou TD em uma dessas viagens às últimas 20 jardas do campo. Mesmo com esse ótimo desempenho nos números, existem dois lados na atuação da unidade.

O lado positivo (e na minha opinião o mais importante) é como a secundária segue sendo o ponto forte da defesa. Ela é muito eficiente em limitar big plays, controlar a linha de primeira descida e impedir conversões de terceiras descidas. Permitiu apenas 5 conversões de 14 tentativas (36%) e 3 conversões de 5 quartas descidas (60%).

A jogada abaixo é uma quarta descida na redzone que simboliza bem o trabalho da secundária. Os Lions trazem 11-personnel a campo e os Broncos respondem com pacote Nickel e um Cover 1 hole, com Simmons sendo o único S na “sobra” e Baron Browning flutuando no meio da defesa. Note o trabalho perfeito da secundária não deixando ninguém aberto e forçando Goff a lançar um passe numa janela apertada. Kareem Jackson defende o passe e os Lions saem de campo sem pontos.

Tradução: “perdendo por 31-10, os Lions vão para a quarta descida. Sentido o calor de Chubb, Goff arremessa sem plantar o pé de apoio. Jackson chega na jogada e tira a bola da mão de Zylastra. Futebol dos Broncos.”

Veja o esquema da jogada da defesa feito pelo nosso grande Fabio.

A parte ruim continua sendo a defesa contra o jogo corrido. Nem o retorno de Mike Purcell ajudou nesse quesito e os Lions conseguiram uma incrível marca de 5,6 jardas por carregada. Já dissemos aqui que o conceito de defesa de Fangio privilegia o jogo aéreo ao custo de uma defesa terrestre menos eficiente.

Mas se no fim das contas a defesa não entrega pontos, por que nos preocuparmos com isso? Simples, por causa do ataque. O jogo corrido gasta o relógio e dá ao nosso ataque menos chances de marcar. E nós sabemos que em situações de correr atrás do placar, nosso ataque não é dos mais confiáveis e precisa ter mais chances. Não foi o caso de ontem, mas foi o que aconteceu contra os Browns, por exemplo.

E esse problema da defesa não é algo específico da DL, mas envolve os EDGEs e os ILB também. Veja o lance abaixo. Os Lions trazem 22-personnel a campo, ou seja, vem corrida por aí. Mesmo com uma OL depenada, eles conseguem dominar completamente Baron Browning e Jonathon Cooper na jogada (parte debaixo do vídeo). Young coloca a cereja do bolo hesitando e perdendo o tackle. Big play dos Lions.

Não me entenda mal, ainda sou fã do trabalho que Fangio faz na parte defensiva. Mas esse é um problema crônico que precisa ser corrigido nessa situação em específico, em que nosso ataque precisa de mais tempo com a bola para fazer algo que preste.

“Time de especialistas”

Não sei se é medo de ver essa “unidade” fazer besteira, mas ontem nem liguei e nem notei para nossos “especialistas”. E isso é bom! O “ST” não comprometeu e teve uma partida sem sustos, que é o que precisamos de Tom McMahon e seus comandados. Destaque especial para nossa cobertura de punts que foi muito bem ontem. Sam Martin é um P muito constante.

De qualquer maneira: Demitam Tom McMahon!

Conclusões

Vitória dominante e incontestável dos Broncos. Nem era de se esperar algo diferente, dado que os Lions são um time fraco e estavam dizimados por lesões e COVID no domingo.

Shurmur começa a entender que o jogo terrestre é a base desse ataque e que isso é a única maneira de contornar as limitações de Teddy Bridgewater. A defesa segue sendo casca grossa na redzone, mas é necessário corrigir a run defense, sob pena do ataque não conseguir tirar o time do buraco em jogos mais difíceis.


Essas foram as minhas considerações sobre a vitória contra os Lions. Deixem as suas na seção de comentários.

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