Análise dos setores – Semana 12 vs Chargers

Saudações, torcedores dos Broncos! Conquistamos uma linda vitória sobre o Los Angeles Chargers: 28 a 13. Vamos analisar os setores dos Broncos para saber o que deu certo e o que deu errado nesta vitória.

Os dados aqui utilizados foram extraídos do site da ESPN norte-americana (link) e do site Next Gen Stats (link).

Ataque

Run the damn ball! Ou corra com a “droga” da bola, amenizando o termo correto em português. Após 11 partidas está mais do que claro que nossa OL e nossos RB dominam os adversários por terra, tirando o peso do jogo das mãos de Bridgewater e permitindo a ele gerenciar a partida de forma inteligente e segura. Não há mais motivos para abandonarmos o jogo corrido, mesmo uma ou duas posses atrás do placar (a depender do tempo restante, claro).

Contra os Chargers, Shurmur chamou 31 corridas (53,3%; scrambles contabilizados como chamada de passe) contra 27 passes. Descontando scrambles novamente, conquistamos 137 jardas por terra (média de 4,4 jardas por carregada) e 1 TD, que aliás veio em uma terceira descida longa.

Vamos ilustrar um pouco nosso sucesso por terra com os mapas de corrida de Melvin Gordon e Javonte Williams. Em ambos os casos é notório que o jogo corrido entra tanto pelo miolo da OL, quanto por fora da mesma.

Javonte Williams é um monstro correndo por qualquer ponto da OL.

Com um leque de opções para esse jogo corrido, a defesa adversária fica em desvantagem mesmo em situações de corrida óbvia. Os Chargers, por exemplo, só conseguiram parar os Broncos 2 vezes atrás da linha de scrimmage (visível no diagrama acima de Williams).

Melvin Gordon também é um excelente corredor por qualquer ponto da OL.

E não é só o ponto da OL por onde passa a corrida que é diverso. Os conceitos de corrida usados também são variados. Observem o vídeo abaixo com três corridas de Javonte Williams. Na primeira, o conceito utilizado é gap, com a OL basicamente rebocando a DL dos Chargers de forma tão dominante que eu ganharia 5 jardas ali.

Tradução: “o corredor mais durão da liga logo ali”.

Na corrida do TD, os Chargers utilizam um box leve com 5 jogadores, claramente assumindo que viria um passe. Shurmur contra-ataca com um Man scheme (créditos para Brian Guzmán), onde cada OL precisa bloquear apenas um homem adversário (quase um esquema de bloqueios mano a mano). Por fim, a terceira corrida utiliza um conceito zone, onde a OL se desloca horizontalmente e o RB corre para o lado dos bloqueios, precisando reconhecer a atacar a brecha na DL.

É muito nítido não só que o jogo corrido coloca a bola na mão de dois dos nossos melhores jogadores, mas favorece o trabalho da OL, na medida em que o adversário deve respeitar a corrida. Não a toa, Bridgewater teve um dia tranquilo, sofrendo apenas 1 sack e 3 hits.

Como consequência, o jogo aéreo funcionou de forma eficiente e sem entregar a paçoca, com 60% dos passes completos, 1 TD e 1 INT (INT patrocinada por Drew Lock). Também ficamos em terceiras descidas mais favoráveis, convertendo 8 das 11 que tivemos (72,7%). Em resumo, o jogo terrestre destravou o ataque como um todo.

Obviamente que os próximos adversários irão tentar parar esse atropelo terrestre e Shurmur terá que ser mais criativo e flexível nas suas chamadas. Mas esse jogo corrido deve continuar a ser a base desse ataque se quisermos ter alguma chance de playoffs.

Defesa

É fato que em alguns momentos essa defesa esteve abaixo da expectativa de todos. Entretanto, precisamos dar os créditos quando ela desempenha em alto nível e o que vimos contra os Chargers foi uma partida digna de uma unidade Top 3. O ataque de Los Angeles foi massacrado em todas as frentes e teve que suar por cada um de seus 13 pontinhos, como no TD miraculoso de Jared Cook.

Começando por terra, Austin Ekeler foi simplesmente anulado com apenas 31 jardas e média de 2,6 jardas por carregada. Para se ter uma ideia, Justin Herbert foi o melhor corredor dos Chargers na partida com 36 jardas.

Nosso fronte defensivo não só conseguiu parar o adversário por terra, como também foi extremamente eficiente pressionando o QB com 4 rushers. Herbert sofreu 3 sacks, 10 hits e precisou sair do pocket algumas vezes para salvar a pele, tomando algumas decisões equivocadas.

Vamos a um exemplo no vídeo abaixo. Os Chargers mandam 11-personnel a campo e os Broncos respondem com formação nickel. Dre’Mont Jones faz um trabalho excelente e força Herbert a sair do pocket para tentar conseguir alguma coisa. O QB não tem muito tempo para pensar, pois tem outro defensor em sua cola. Ele acaba se afobando e lançando em cobertura dupla, mesmo com um recebedor livre na lateral. Simmons dropa a interceptação.

Tradução: “Justin Simmons vê uma interceptação no Herbert passar pelas suas mãos.”

Com um pass rush eficiente, o trabalho da secundária foi controlar a linha de primeira descida, colocar os Chargers em situações de terceiras e quartas descidas e capitalizar os erros do adversário. Foram 2 INTs na partida, sendo uma retornada para TD

Notem como isso é visível na pick six de Patrick Surtain. Os Chargers trazem 11-personnel a campo e usam empty set, sem um RB no backfield. Os Broncos respondem com formação Dime e jogam Cover 4 (zona). Observem que os dois defensores mais ao centro se posicionam sobre a linha de primeira descida, claramente para evitar o first down. Em zona, os outside CBs ficam de olho na bola e com o erro de Ekeler, Surtain faz a INT e vai até a endzone.

Aliás, os Broncos jogaram quase o tempo inteiro em marcação por zona contra os Chargers, estratégia completamente diferente daquela usada contra os Cowboys, quando predominou marcação mano a mano (relembre aqui). Isto mostra que o cardápio de Vic Fangio está cheio de opções e essa defesa pode chegar a um patamar ainda maior.

“Time de especialistas”

Uma partida silenciosa em que quase não notamos o “ST”: é isso o que queremos! Na verdade, teve lá o senhor Dionte Spencer retornando um kickoff para 7 jardas, mas considerando o nível tradicional desta “unidade” dá para dizer que foi um desempenho “excelente”!

McManus acertou todos os 4 PATs que tentou e Sam Martin teve 41,7 jardas por punt, colocando 2 de seus 3 punts dentro das 20 jardas do campo adversário. Se as coisas continuarem calmas assim, prometo pedir a demissão de Tom McMahon só no final da temporada!

Conclusão

Uma partida segura e eficiente dos Broncos em todas as fases da bola. O ataque passou o rolo compressor por terra, destravando o jogo aéreo e facilitando a vida de Teddy Bridgewater.

A defesa parou o jogo terrestre, pressionou o QB e controlou o adversário pelo ar, não dando o menor respiro para os Chargers e capitalizando nos erros do oponente. O “ST” não atrapalhou, isso já é bom demais!

Nesse patamar os Broncos são candidatos a uma vaga nos playoffs. O caminho não é fácil e a competição na divisão e na conferência é acirrada, mas time temos. Resta saber se Denver vai acabar com a montanha russa de desempenho desse ano e manter uma constância no patamar exibido contra os Chargers.


Essas foram as minhas considerações sobre a vitória contra os Chargers. Deixem as suas na seção de comentários.

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