Análise dos setores – Semana 11 – vs Dolphins

Saudações, torcedores dos Broncos! Voltamos a vencer: 20 a 13 sobre os Dolphins em Mile High! Vamos analisar cada um dos setores da equipe para saber o que deu certo e o que deu errado nesta vitória.

Como de costume, os dados aqui utilizados foram extraídos do site da ESPN norte-americana (link aqui).

Ataque

Após semanas dormindo no primeiro tempo, o ataque finalmente resolveu jogar uma partida completa. Ok, sei que não começou bonito pois dos 6 primeiros passes tentados de Drew Lock completou apenas um e no peito do adversário: novamente uma interceptação boba, a décima primeira no últimos 5 jogos. Até finalizar este post, não consegui um vídeo melhor da jogada, portanto vai este mesmo abaixo. Note que o pocket está relativamente tranquilo e há tempo para nosso QB progredir nas leituras e lançar com a mecânica correta. No caso, nem acho que tenha sido um problema necessariamente de leitura (embora KJ Hamler estivesse mais aberto), pois Patrick estaria livre em alguns milésimos de segundo. Lock deveria ter lançado a bola mais à esquerda do defensor para nosso WR fazer a recepção em movimento e até com a possibilidade de ganhar jardas após a recepção, entretanto fez um lançamento completamente impreciso quase passando de fato para o adversário.

Mas o que parecia ser o prelúdio de uma tarde ruim acabou por aí (ou quase). Após a INT, Shurmur resolveu mudar um pouco a estratégia para ajudar Lock e desamarrar o ataque. Ao invés de constantemente chamar passes longos, nosso OC passou a utilizar mais passes curtos, roll outs e até TE screens com o objetivo de dar leituras mais simples e rápidas pro QB. A conversão de terceira descida do vídeo abaixo é um belo exemplo disso. KJ Hamler finge um slant para dentro do campo, mas finta ninguém menos que Byron Jones e corre uma rota curta pra fora do campo. Lock percebe e faz um belo passe (para a esquerda!). Notem que a jogada se desenvolve tão rápido, que nem mesmo o fato de Demar Dotson ter sido rapidamente batido na jogada atrapalha. A combinação de passes rápidos e um bom trabalho do nosso grupo de recebedores contra uma secundária recheada de estrelas funcionou muito bem e o jogo aéreo foi destravado. Lock terminou a partida completando 18 dos 30 passes tentados (60%) para 270 jardas (média de 9 jardas por tentativa), 0 TD e 1 INT. Nada demais, mas o suficiente para mover as correntes, colocar o time em condições de pontuar ou trocar a posse com posição de campo favorável. Destaque também para a OL que não permitiu nenhum sack e apenas 4 QB hits. De negativo no jogo aéreo destaco a grande dificuldade de Lock completar passes longos outside the numbers – ou próximos à sideline. Nosso QB perdeu diversas oportunidades com matchups favoráveis e precisa melhorar sua precisão neste tipo de arremesso.

O mais importante foi que essa estratégia mais conservadora, como já pontuado por Fabio em nossa live pós-jogo contra os Raiders (veja aqui), esvaziou o box adversário e contribuiu enormemente para um jogo terrestre devastador. Denver correu 33 vezes para 189 jardas (média de 5,7 jardas por carregada) e 2 TDs. Claro que há duas corridas de Drew Lock para 23 jardas inflando estas estatísticas, mas apenas uma delas me pareceu um scramble (e que belo scramble de 14 jardas para a primeira descida), enquanto a outra me pareceu uma read option. Shurmur abusou de pulls para o lado direito da linha ofensiva, colocando Cushenberry, Risner e até mesmo Bolles em movimento para aumentar a superioridade numérica nas corridas. Também usou counters e uma boa dose de inside zones e power runs, ou seja, nosso OC abriu o playbook para mover a bola por terra. De ruim neste quesito, apenas a insistência e ineficiência de corridas pelo meio (me pareceram inside zones) em situações de uma jarda para a primeira descida. Falhamos miseravelmente nestas situações deixando em campo boas chances de pontuar mais. Ah! Claro que não poderia deixar de mencionar o senhor Melvin Gordon soltando a carne a uma jarda da end zone no último drive do jogo. Transformou o que era para matar a partida em 27 a 13 em uma possibilidade de derrota! Já é o terceiro fumble de Gordon no ano, contra nenhum de Lindsay em 3 anos de Broncos. Segura a carne, meu amigo!

Defesa

Já disse e vou repetir: podem pesar os problemas do ataque sobre os quais Fangio também tem sua parcela de culpa como HC, mas o trabalho que faz com Ed Donatell nesta defesa é simplesmente fantástico! É impressionante como conseguiram montar uma DL sólida que pressiona o QB adversário mesmo sem Von Miller e com uma lista de lesões. Domingo abusaram de stunts e blitzes para confundir a OL dos Dolphins e Tua Tagovailoa, transformando em um inferno a vida do calouro. Foram 6 sacks e 8 QB hits, com destaque para Malik Reed (1,5 sack) e DeShawn Willians (2 sacks), que possuem a difícil missão de substituir Miller e Shelby Harris mas tem feito seus papéis com muita competência. Bradley Chubb (1 sack) também fez uma partida monstruosa e pareceu novamente ser o Chubb que todos esperamos.

Por terra, os Dolphins também pouco produziram, terminando a partida com 17 corridas para meras 56 jardas (3,3 jardas por carregada). Aqui destaco os papéis de Alexander Johnson e Josey Jewell, principalmente deste último, que teve partidas ruins contra o jogo corrido nas semanas 9 e 10. Kareem Jackson e Justin Simmons também contribuíram bastante contra o jogo terrestre, em especial parando corridas por fora dos tackles.

E termino a análise da defesa com essa secundária maravilhosa! Já é a segunda semana consecutiva com força máxima e com o ataque do adversário não chegando sequer próximo das 200 jardas aéreas. Fitzpatrick e Tua combinaram para 23 passes completados em 38 tentativas (60,5%) para 167 jardas, 1 TD e 1 INT. E olhem que não deveria haver qualquer TD sequer nestas estatísticas, já que no drive após a INT de Lock, Simmons interceptou Tua, mas as zebras marcaram um holding de Campeonato Paulista (do tipo “relou, pediu, é falta”) para a anular a jogada. Dois lances depois, os Dolphins anotaram o TD. Voltando aos números, notem que a porcentagem de passes completados não é baixa, mas as jardas por tentativa sim. Isso reflete o controle que essa secundária tem sobre a marca de primeira descida, conseguindo evitar big plays e forçar terceiras descidas frequentemente. Os Dolphins até conseguiram um número de conversão razoável de terceiras descidas, 7 de 16, mas jogar constantemente no fio da navalha é muito difícil e só conseguiram anotar 13 pontos. E mesmo quando desafiada a segurar a vitória que poderia escapar por conta de Melvin Gordon, a unidade não desapontou e Justin Simmons (pague o homem!) fecha a partida com uma INT crucial na end zone (confira no vídeo abaixo). Por fim, destaco “negativamente” AJ Bouye. As aspas são porque não está jogando extremamente mal, mas sabe aquele cara que está sempre ali junto do WR, não dá espaço porém sempre permite a recepção? Pois é. Fora que foi muito carinhoso com o WR na recepção para o TD. Entendo a posição de Fangio de querer manter Callahan como outside CB e Essang Bassey no slot (estão se destacando e jogando muito) para preservar Ojemudia que, embora tenha sido uma boa surpresa, foi constantemente queimado por WR experientes. Bouye é mais experiente e consegue segurar a bronca um pouco melhor neste momento conturbado do time, mas a permanência do veterano pro ano que vem vai se tornando questionável, até por liberar grande quantidade de espaço no salary cap se cortado.

“Time de especialistas”

Na nossa análise pré-jogo (link aqui) comentei que tudo o que queria do “ST” era uma partida chata, sem cosplay de Os Trapalhões. Longe de ser uma exibição brilhante, mas ao menos conseguiram terminar uma partida sem fazer cagadas. Diontae Spencer foi seguro nos retornos e pedidos de fair catch, as coberturas foram tranquilas, Sam Martin distribuiu bons punts (média excelente de 52 jardas por punt) e Brandon McManus acertou os dois FG que tentou. Teve uma faltinha num retorno de punt para atrapalhar, mas dada a piada de ter sido um holding de (Alijah) Holder, ou uma segurada do segurador, vou deixar passar. Será que é difícil ser assim todo jogo? Não estamos pedindo nada espetacular, somente que façam o feijão com arroz. Muito ajuda quem não atrapalha, senhor Tom McMahon! Se continuarem assim, posso até voltar a fazer análises mais elaboradas dessa “unidade”, mas posso garantir que as aspas estão muito longe de irem embora.

Conclusão

Com a defesa jogando no nível que está, só de ter um ataque decente que ao menos mova as correntes e um “ST” que não faça cagadas já é o suficiente para fazermos um jogo completo e sermos superiores em todas as fases do jogo. Não, não foi uma partida primorosa do ataque, mas sim um arroz com feijão bem feito, movendo a bola por ar e por terra, ficando com 30:19 minutos de posse e deixando a defesa descansada fazendo seu trabalho. Me lembrou muito o jogo contra os Titans na semana 1, também com os mesmos problemas de não converter as chances na red zone e cometer turnovers, coisas que precisam ser melhor trabalhadas. Também não estou aqui para dizer que Pat Shurmur foi o principal culpado das últimas duas derrotas por não ajudar Lock. Nosso OC tem sua parcela de culpa, mas a verdade é que Lock é quem estava deixando jogadas no campo. Precisou de mais ajuda ainda de Shurmur para parecer algo próximo de um game manager com desempenho aceitável. Ainda não é o que queremos e continuamos aguardando mais consistência em seu jogo.

Estas foram as minhas análises da partida, caros leitores. Deixem suas opiniões na seção de comentários. Nos vemos em breve. Go Broncos!