Análise dos setores – semana 10 vs Eagles

Saudações, torcedores e torcedoras dos Broncos! Denver voltou a nos trazer de volta para a realidade com uma derrota tosca: 30 a 13 para o Philadelphia Eagles. Vamos analisar os setores da equipe para saber o que deu certo e o que deu errado.

Os dados aqui utilizados foram retirados do site da ESPN norte-americana (link).

Ataque

Uma semana depois de um jogo fantástico no Texas (relembre aqui), cá estamos novamente de volta a realidade com esse ataque. Uma unidade sem ritmo, sem qualidade de execução e com Mike Shula chamando um jogo para nos deixar com saudades de Pat Shurmur. Coloca a cereja no bolo com a falta de esforço em alguns momentos e temos a receita do fracasso contra os Eagles.

Vamos começar com estatísticas. Foram 38 chamadas de passe (66,7%) contra 18 de corrida (33,3%). Em que pese um time em busca do resultado no último quarto, isso novamente reflete a falta de balanço nas chamadas que nos acompanham nas derrotas.

E fica ainda mais estranho quando vemos o desempenho de nossos RBs. Juntos conquistaram 93 jardas em 17 carregadas, média de 5,5 jardas por carregada, e 1 TD. Com uma linha ofensiva remendada, correr era uma forma de tirar a pressão dos reservas (já ouviram eu falando nisso, né?) e Quinn Meinerz e Cam Fleming estavam bem bloqueando para a corrida.

Mas nosso treinador de QBs, Mike Shula, assim como o OC, a quem substituiu chamando jogadas, discordam de mim. É impressionante como os Broncos hesitam em usar seus RB em algumas partidas, colocando o peso do jogo em um QB mediano.

Para se ter uma noção, tirando o catch and run de 64 jardas de Albert O e as 13 jardas de “hail Mary” de Noah Fant, Teddy Bridgewater completou apenas 4 de 8 passes para 10 jardas. Nosso QB estava mal e mesmo assim Shula só chamou 42,8% de corridas até o fumble que fechou o caixão dos Broncos.

Não é a toa que estivemos em muitas situações de terceira descida. E esse foi o primeiro GRANDE problema dos Broncos contra os Eagles. Convertemos ridícula 1 de 11 terceiras descidas, ou 9,1%. Sim, meu caros, uma! Também convertemos zero de duas quartas descidas com direito a um fumble de Melvin “não passo refrigerante na luva” Gordon e a uma “se livrada de bola” de Teddy B (sim, em quarta descida).

Somem isso ao segundo GRANDE problema da partida e temos a receita para o fracasso: anotamos apenas 1 TD em 5 viagens à redzone. Aliás, Mike Shula acompanha Pat Shurmur há muito tempo o que mostra que o problema dos ataques deles na redzone ao longo dos anos é mais que um problema de chamadas. É um possivelmente um problema de conceito ofensivo. Vamos tentar ilustrar isso com duas jogadas, ambas de uma mesma viagem à redzone.

Na primeira descida, Shula tenta algo diferente. Os Broncos trazem 11-personnel a campo e movimentam Jerry Jeudy em direção à parte de baixo do vídeo logo antes do snap. Com a bola nas mãos, Teddy B faz um bootleg na mesma direção para buscar Jeudy.

Não sei qual a intenção aqui, mas acho que Tim Patrick deveria ter escorado o slot CB para Jeudy ficar no mano a mano com o outside CB. Dá para ver que não deu certo. Além disso, o passe demora demais para sair e Jeudy está muito próximo da lateral quando a bola chega. Passe incompleto. Não sei se essa jogada tinha muitas chances contra marcação em zona.

Tradução: “Queima essa chamada.”

Se inovar com motion deu errado, por que não chamar uma jogada que tem cada vez menos taxa de sucesso na NFL? Sim, estou sendo irônico. Na terceira descida para o gol, Shula chama um fade para Tim Patrick. Deixo aqui, aqui e aqui diferentes reportagens de diferentes anos mostrando o quanto essa jogada se tornou ineficiente na NFL.

Claro que não estou dizendo que é proibido chamar fades, mas num time que costuma pecar muito em execução, chamar uma jogada que é 100% execução não me parece a melhor das ideias numa tentativa derradeira de entrar na endzone. Observe o passe tosco de Teddy B. Já vi o QB do Mooca Destroyers fazendo melhor.

Tradução: “Os Broncos chamam um iso shot com baixa taxa de sucesso. Estou chocado que não funcionou”.

Seja inovando ou sendo conservador, os Broncos não aproveitaram as chances que tiveram contra os Eagles e o ataque falhou miseravelmente na redzone. E aí não tem mágica, sem converter terceiras e quartas descidas e sem meter 6 pontos ao chegar nas últimas 20 jardas do campo não há time que vença na NFL.

Por fim, deixo um vídeo do nosso querido Peyton Manning. Não, não é um de seus maravilhosos passes para TD. Mas sim ele tacleando um sujeito após um fumble perdido. Manning não tomava business decisions em campo, como as que Teddy B (contra os Eagles) e Sutton (contra os Ravens) tomaram ao evitar dar tackle após o time perder a bola.

Tudo bem, é um direito do atleta querer evitar uma lesão, mas eles devem se lembrar que estão na NFL. Que depois não condenemos GMs que resolvam tomar business decisions ao montarem seus times.

Peyton Manning não tomava “business decisions“!

Defesa

Se por um lado fomos mal no ataque, pelo outro também fomos na defesa. Acho que já perceberam o quanto a derrota para os Eagles me deixou azedo pelas piadas toscas. Enfim, os Eagles passaram o trator sobre a defesa de Vic Fangio.

Em princípio, a estratégia utilizada me pareceu a mesma usada contra os Cowboys. Se aproveitar da capacidade dos nossos CBs para jogar em marcação mano a mano, permitindo ser mais agressivos na trincheira com blitz, stunts e contains para pressionar Jalen Hurts e impedir os Eagles de correrem com a bola. As duas partes da estratégia deram errado. Vamos dissecar esses problemas no vídeo abaixo.

É uma terceira para o gol e os Eagles estão em uma formação 3×1, com 3 WRs na parte de baixo do vídeo e um TE na de cima (11-personnel). Os Broncos estão em formação nickel. Fangio manda uma blitz para pressionar o QB e deixa um ILB de spy para evitar que Hurts corra com a bola. Isso basicamente significa que todos os Ss e CBs estão mano a mano. É um cover zero.

Os Eagles contra atacaram isso com passes curtos e crossing routes durante toda a partida e não foi diferente nessa jogada. Note como Devonta Smith faz a rota cruzada e recebe a bola tranquilo na endzone.

O mais engraçado é que o Kyle Fuller, o CB batido na jogada, joga outside leverage, dando o lado de dentro para o WR. Reparem bem na camera mais próxima. Em geral, o CB dá o lado de dentro do campo quando há ajuda de um S ou ILB naquele setor. Mas é um cover zero, meu Deus! Não tem ajuda em lugar nenhum! Já vimos isso acontecendo algumas vezes com essa defesa esse ano.

Tradução: “A NFL vai mandar o FBI na porta do Devonta Smith por essa celebração com culhões”.

Não só contra o passe, mas por terra também não deu certo a estratégia. Veja na jogada abaixo. Fangio manda uma CB blitz com Kyle Fuller atacando o backfield dos Eagles pela lateral. A ideia do nosso HC aqui claramente é evitar que Hurts escape pela lateral em um read option.

Só que os erros de execução são vários e o RB ganha 23 jardas na jogada. Primeiro, Malik Reed (que fez uma péssima partida) falha miseravelmente em fechar sua linha de corrida, sendo jogado para o outro lado da jogada como se fosse um pivete de 50 kg.

Segundo, Kyle Fuller vai com muita sede ao pote e é facilmente cortado da jogada. Por fim, Curtis Robinson (ILB, número 42; péssima partida também) se perde completamente na jogada e hesita em fechar o gap que Reed deixou aberto. Muitos erros e uma big play.

Tradução: “Defesa dos Broncos contra a corrida sendo destroçada. De novo e de novo”.

Esse foi só um exemplo, mas os Eagles correram 40 vezes para 214 jardas, média de 5,4 jardas por carregada. Isso deu controle da partida ao adversário que teve 34:58 minutos de posse na partida. Fangio e Donatell precisam trabalhar melhor essa unidade para dar mais estabilidade a ela. No momento, vivemos uma montanha russa entre unidade de elite e unidade medíocre.

“Time de especialistas”

Eu realmente quero tentar trocar um pouco o disco, pois está repetitivo descer a lenha no “ST” e em Tom McMahon semana após semana. Acontece que nosso STC e seus comandados insistem em cometer erros crassos, invariavelmente prejudicando o time.

A jogada dos “especialistas” da semana é a do vídeo abaixo. Um FG bloqueado! Note como o o jogador dos Eagles passa como se não houvesse uma OL na frente dele para bloquear o chute. Reflete de maneira perfeita como essa “unidade” é mal treinada.

Para não ser injusto, deixo meu elogio a Sam Martin e seus belos punts (média de 53 jardas por punt), além de um bom retorno de punt de 19 jardas de Dionte Spencer. Sem mais.

Conclusão

Sonhar é proibido em Denver e qualquer fio de esperança de playoffs que passe pela cabeça do torcedor é rapidamente apagado, nos trazendo de volta à realidade.

O ataque foi risível em terceiras e quartas descidas e na redzone, mostrando contra os Eagles falhas que vemos há tempos em Mile High. Fangio ainda não conseguiu dar consistência a essa defesa, que é capaz de anular um dos melhores ataques numa semana e ser atropelado por Hurts e cia na semana seguinte. O “ST”… bem, o “ST” é o “ST”.

A derrota foi merecida e indiscutível. Os Eagles foram superiores nas três fases do jogo e perdemos uma ótima oportunidade de ir forte para a bye week. Agora é juntar os cacos e manter o foco, pois a situação está embolada na divisão e na AFC. Parece piada, mas ainda temos chances matemáticas.


Essas foram as minhas considerações sobre a derrota contra os Eagles. Deixem as suas na seção de comentários.

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