Análise dos setores – Pré-temporada vs. Rams

Saudações, torcedores dos Broncos! Vencemos a terceira na pré-temporada: 17-12 contra o Los Angeles Rams. Vamos analisar os setores da equipe para saber o que deu certo e o que deu errado.

Sendo o último jogo da pré-temporada, vou focar mais nas unidades titulares e me apoiar pouco em estatísticas. O objetivo aqui é analisar como o Denver Broncos real deve parecer contra os Giants na semana 1. Os poucos dados que usei foram retirados do site da ESPN americana (link).

Ataque

A pré-temporada com um todo me trouxe surpresas muito grandes em relação ao ataque. Não, não foram os QBs, mas sim o uso de personnel por parte de Pat Shurmur. Diversas vezes nosso OC lançou mão de pacotes com 2 TEs ou com FB, favorecendo nosso jogo corrido e o uso de play action. Isso permaneceu durante toda a partida contra os Rams, inclusive com Brett Rypien em campo. Digo que foi uma surpresa, pois isso vem de um OC que usou pacotes com 3 WRs (11 personnel) em 66% dos snaps ano passado.

Mas claro que usar TEs e FB não é garantia de sucesso e a execução ainda precisa melhorar, especialmente do ataque titular, sobre o qual vou colocar o foco aqui. Tomemos a jogada abaixo como exemplo. É uma primeira descida para 10 jardas e os Broncos estão em 21 personnel, com Andrew Beck como FB. O objetivo é tirar proveito da distância entre o FB e ILB que o marca para conseguir um passe rápido e algo ao redor de 5 ou 6 jardas, de forma a ampliar o leque de jogadas para as próximas descidas. O conceito funciona, mas Beck dropa o passe colocando o ataque em uma segunda descida longa.

O passe não foi perfeito, mas bom o suficiente para Beck fazer a recepção.

Teddy Bridgewater também precisa começar mais ligado na partida, principalmente naquilo que é o forte do seu jogo, o quick passing game. Na jogada abaixo, uma terceira descida curta, os Broncos estão em 11 personnel (3 WRs). Tim Patrick corre um speed out muito bem e se posiciona para ganhar a primeira descida, mas Teddy faz um passe horrível.

Tradução: “Teddy Bridgewater perde Tim Patrick aberto em uma terceira curta.”

As coisas só se acertaram a partir do terceiro drive, que foi maravilhoso. Boas corridas, bom trabalho da OL e bons passes. O mais bonito deles veio na situação mais crítica do drive, quando os Broncos enfrentaram uma terceira descida para 7 jardas. Veja o vídeo abaixo. Os Rams mandam blitz, mas a OL faz um trabalho perfeito, Teddy mantém a postura no pocket e manda uma bola linda para Sutton. Mais algumas jogadas e a campanha terminaria com outra conexão para Sutton anotar o TD.

Tradução: “Broncos enfrentam uma terceira para 7 e os Rams mandam calor (blitz). Note como Teddy mantém a compostura, mantém os olhos no fundo do campo e sua mecânica permanece boa. Bola perfeita.”

Em resumo, o ataque titular correu muito bem com a bola, mas começou um pouco lento no jogo aéreo. Quando acordou, foi bem, mas muitos jogos na temporada regular não permitem entrar dormindo em campo. De mais positivo, destaco a OL que fez um trabalho perfeito por terra e na proteção ao passe. Bolles, Risner, Cushenberry, Glasgow e Massie tem tudo para formar uma das melhores OLs da liga. Muti e Anderson também foram muito bem e garantem uma profundidade legal para a unidade.

Sobre os reservas destaco que Lock realmente melhorou, mas continua inconstante. Alterna passes maravilhosos com erros toscos, ainda decorrentes de uma mecânica não 100% limpa e uma certa lentidão no processamento. De qualquer forma, creio que temos um QB reserva competente e que pode manter o nível do time se precisar entrar em campo. Além de Anderson e Muti, a OL não tem tanta qualidade assim entre os reservas. Meinerz ainda está muito cru. O grupo de WR inicial do 53-roster (veja o fio do MHBr abaixo) é um pouco preocupante, visto que dos 5 somente 4 contribuem de fato para o ataque (Spencer é apenas um retornador). E deles, dois – Sutton e Hamler – tiveram lesões ano passado. Espero movimentações para reforçar esse grupo antes da semana 1.

Defesa

O que dizer de uma unidade que não cedeu um TD sequer nessa pré-temporada? “Ah, Gustavo, mas foi jogando só contra reservas!”. Sim, mas nós jogamos somente um quarto (e mais um tiquinho) com os titulares completos. Enfim, faça-se a ressalva que quiser, a unidade é a força desse time e parece ter um elenco profundo para assim se manter durante toda a temporada.

Olhando para os titulares, a primeira aparição da unidade completa lembrou mais os Bears de 2018 que os Broncos de 2020. Digo isso no sentido de que Fangio usou 4-man rush em quase 100% das chamadas, muito diferente do ano passado com a defesa depenada por lesões. Se isso será a tônica do time com a DL completa ou foi para testar Von Miller só o tempo vai dizer. Mas o fato é que o desempenho foi animador e os Broncos deram pouca chance aos Rams, seja por terra ou por ar. Bryce Perkins foi muito incomodado no pocket e pouco produziu. Os Rams também não conseguiram nada no jogo terrestre, ficando constantemente em terceiras descidas longas. Em alguns desses downs, Fangio e Donatell resolveram mostrar que se é para mandar calor, os Broncos conseguem também.

Veja a jogada abaixo. É uma terceira descida para 7 jardas no último drive jogado pelos titulares. Os Broncos mandam 6 jogadores para blitz e a secundária se ajusta para cortar as linhas de passe, com destaque para Kareem Jackson que rapidamente corta o shallow cross. Sem ter linhas de passe, o QB é sacado por Josey Jewell. Em resumo, essa defesa tem repertório.

Tradução: “Na terceira para 7 Josey Jewell consegue o sack e a defesa dos Broncos sai do campo.”

E para mostrar o quanto o elenco defensivo é profundo usarei estatísticas (finalmente!). Os Rams correram somente para 104 jardas, sendo 50 delas conquistadas pelo QB Bryce Perkins em scrambles. Em outras palavras, os RBs dos Rams não foram a lugar algum na partida. Por ar, LA conseguiu apenas 182 jardas em 42 tentativas de passe (55% deles completos), média de 4,8 jardas por passe. Por mais que Bryce Perkins provavelmente não esteja em nenhum time daqui duas semanas, o fato de que esse domínio continuou durante toda a partida mostra que a defesa será dominante, mesmo com alguns reservas em campo.

Sobre o 53-roster, a única surpresa na minha opinião foi Shamar Stephen ter sido cortado. É possível que tenha sido um movimento para preservar alguns jogadores mais jovens que não passariam pelos waivers e que volte daqui uns dias. Mas claramente foi melhor que Jonathan Harris como NT e dava uma opção interessante para manter o fôlego contra o jogo corrido sem Mike Purcell. Vamos ver as movimentações dos próximos dias.

“Time de especialistas”

Alguém tem dúvidas de que o “ST” vai prejudicar esse time durante a temporada regular? Eu não tenho! Enquanto alguns se preocupam com QB (e de modo justo), me preocupo com os “especialistas”. Sem um QB elite, esse time depende da defesa e de cometer poucos erros, pois custarão caro quando estivermos jogando para valer. E erro é com esse “ST”! Coberturas de kickoff ridículas, coberturas de punt ridículas, timeout queimado por conta de 12 jogadores em campo… A lista vai longe! Dá uma olhada na cara do Fangio pedindo tempo por conta da presepada do “ST”.

Dá para ver que o Fangio não está feliz com esse “time de especialistas”. Fonte: DNVR.

A verdade é que, se esse time quer ter uma chance de ir à pós-temporada, não pode cometer muitos erros. Não há muita margem de manobra para isso. O mantra de Vic Fangio de que não podemos morrer por polegadas (do inglês “death by inches”) nunca foi tão importante e esse “ST” parece querer patrocinar a morte por quilômetros. Tom McMahon está fazendo hora extra em Denver e trazer um jogador para reforçar a unidade – adquirimos o ILB Jonas Griffith por troca com os 49ers – me parece insuficiente para resolver os problemas dessa “unidade” mal treinada e despreparada.


Essas foram minhas análises dos setores na vitória sobre os Rams. Deixem as suas na seção de comentários.

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