Análise de Contrato – Russell Wilson, Parte 2

Saudações, torcedores dos Broncos! Russell Wilson assinou uma extensão de contrato e agora deve ficar em Denver até 2028. A assinatura marca definitivamente o começo de uma nova era, em que o time se compromete a construir uma equipe competitiva ao redor de seu Franchise Quarterback. Vamos analisar os detalhes do contrato!

Os detalhes aqui mostrados foram extraídos do artigo de Nick Korte no site Thin Air (link).

O Contrato

Russell Wilson assinou uma extensão de contrato de 5 anos, adicionados aos 2 restantes do contrato anterior herdado do Seattle Seahawks. Portanto, o acordo é válido até 2028. Os valores da negociação são os seguintes:

  • Valor total de 245M (milhões de dólares);
  • Média anual de 49M;
  • Bônus de assinatura de 50M;
  • Dois bônus de opção de 20M (2023) e 22M (2024);
  • Total garantido de 161M.

Com 49M anuais, Wilson é agora o segundo QB mais bem pago da liga, atrás somente de Aaron Rodgers (50,3M). O valor garantido representa 65,7% do valor total do contrato, o que está na média do que Paton normalmente oferece aos seus atletas mais bem pagos.

Somados aos 51M que os Broncos deviam a Wilson do contrato antigo em 2022 e 2023, temos um total de 296M em 7 anos. Isso nos dá 42,3M por ano entre 2022 e 2028, que é o valor que muitos usam para argumentar que o contrato é amigável para os Broncos. Isso até faz sentido no sentido de dinheiro que o time pagará ao QB, mas não na distribuição de cap hits. Essa é minha visão e explicarei mais a frente.

A extensão de contrato de Russell Wilson é mais um marco da nova era dos Broncos. Foto de Gabriel Christus retirada do site oficial do Denver Broncos.

A Estrutura

Os sete anos de contrato de Wilson estão estruturados da seguinte maneira:

  • 2022: 2M de salário base + 10M de bônus de assinatura + 5M de bônus de elenco = 17M de cap hit; dead cap de 124M.
  • 2023: 8M de salário base + 10M de bônus de assinatura + 4M de bônus de opção = 22M de cap hit; 107M de dead cap.
  • 2024: 17M de salário base + 10M de bônus de assinatura + 8,4M de bônus de opção = 35,4M de cap hit; 85M de dead cap.
  • 2025: 37M de salário base + 10M de bônus de assinatura + 8,4M de bônus de opção = 55,4M de cap hit; 49,6M de dead cap.
  • 2026: 40M de salário base + 10M de bônus de assinatura + 8,4M de bônus de opção = 58,4M de cap hit; 31,2M de dead cap.
  • 2027: 44M de salário base + 1M de bônus de elenco + 8,4M de bônus de opção = 53,4M de cap hit; 12,8M de dead cap.
  • 2028: 50M de salário base + 4,4M de bônus de opção = 54,4M de cap hit; 4M de dead cap.

Vamos esclarecer algumas coisas porque a estrutura não é simples e Paton utilizou artimanhas para manipular o salary cap. Quem acompanha nossas análises de contrato sabe que o bônus de assinatura dilui igualmente pelos anos do contrato até um máximo de 5 anos. A novidade é que os bônus de opção funcionam da mesma forma.

Assim, os 50M de bônus de assinatura pesam 10M/ano de 2022 a 2026 contra o salary cap, os 20M do bônus de opção de 2023 pesam 4M/ano de 2023 a 2027 e os 22M de bônus de opção de 2024 pesam 4,4M/ano de 2024 a 2028.

Em situações normais, o bônus de opção funciona como um bônus que os GMs ativam no meio do contrato, após avaliar se vale a pena seguir com o atleta ou não. Mas, no caso Russell Wilson tais bônus já são garantidos em contrato e ativados logo nos três primeiros anos. Há dois motivos para isso:

  • Colocar dinheiro no bolso do atleta rapidamente visto que, apesar de diluir para efeitos de salary cap, todos os bônus são pagos à vista para o atleta (eis a vantagem de ter um dono rico!);
  • Fazer isso sem pesar no salary cap quando forem ativados, permitindo aliviar a situação nos primeiros anos de contrato.

Logo, classifico esses bônus como um artifício (válido e legal, óbvio) que Paton usou para manipular o cap a seu favor.

Conclusão

A primeira conclusão que faço é que, em termos de salary cap, a visão de 42,3M/ano não se sustenta. Se você se recordar da análise do contrato anterior (link), notará que houve uma queda nos cap hits de 2022 e 2023. Isso significa na prática que, ao invés de usar 2022 e 2023 para distribuir melhor o impacto do dinheiro novo do contrato, Paton tirou impacto desses dois anos e jogou para o tempo do novo contrato (2024-2028). Por isso os cap hits novos só são inferiores à média do contrato novo (49M ao ano) em 2024, atingindo sonoros 58,6M em 2026.

Não sou muito fã deste tipo de jogada, mas a ideia de George Paton é muito clara e válida. Ele libera espaço em 2022 e 2023 por serem anos em que não tem escolhas de Draft de primeira e segunda rodadas. Isso dá espaço para contratar e renovar com jogadores além de manter a base da equipe forte. O contrato passa a pesar mais quando tiver novamente essas escolhas para conseguir talento a preços controlados.

Tenho três pontos importantes a se destacar.

  • O contrato não estabelece um novo patamar no mercado, já que está abaixo do de Aaron Rodgers. Mais uma bela tacada de George Paton;
  • Com os novos contratos de televisão, o teto salarial das equipes deve crescer bastante nos próximos anos, ajudando a acomodar o peso financeiro de Wilson;
  • O contrato é escapável a partir de 2026. Na verdade, a partir de 2025, mas a economia seria baixa (5,8M) perto de um dead cap de 49,6M. Portanto, no ano de maior peso do contrato (2026), os Broncos podem cortar Russell ou reestruturar seu contrato, trazendo os cap hits a um patamar mais baixo.

Fiz um vídeo detalhando o contrato de Russell Wilson que você pode conferir abaixo:


E aí, torcedores? Gostaram do contrato assinado por Russell Wilson? Deixem suas opiniões na seção de comentários.

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