Análise dos setores – Semana 17 – vs Raiders

Saudações, torcedores dos Broncos! Encerramos a temporada de maneira melancólica e patética ao perder para o Las Vegas Raiders por 32 a 31. Vamos analisar cada um dos setores da equipe para saber o que deu certo e o que deu errado.

Como de costume, utilizei dados fornecidos pela ESPN norte-americana (link aqui) e pela NFL Next Gen Stats (link aqui). A forma como perdemos foi muito frustrante e causou raiva, mas vamos tentar olhar as coisas de forma mais pragmática antes de descer a corneta.

Ataque

Desde a semana 11 contra os Dolphins, tenho dito que o ataque mudou um pouco o conceito para tentar sair do marasmo, dando ritmo a Drew Lock e aos demais jovens antes de começar a distribuir bombas em profundidade. Deu relativamente certo, pois o QB teve um bom jogo. Completou 25 de 41 passes completados (61%) para 339 jardas, 2 TDs e 0 INT. Note no quadro abaixo que os passes foram relativamente bem distribuídos pelo campo e também pelos jogadores (foram 9 recebedores). Algo que me agradou muito foi a capacidade do time em trabalhar bem as rotas intermediárias, aquelas entre 10 e 20 jardas, sendo muito produtivas na partida de domingo.

Lock distribuiu o jogo relativamente bem e teve bastante sucesso nas rotas intermediárias. Fonte: Next Gen Stats.

Também foi notável a melhora de Lock em relação ao ball placement, dando mais chances dos recebedores conseguirem jardas após a recepção. O passe no vídeo abaixo é um belo exemplo: os Broncos estão em 11 personnel e os Raiders em mano a mano, com um look em cover 2 man, mas que me parece um cover 1 no desenvolvimento da jogada. O slant no lado com o WR isolado é uma ótima escolha nessa situação e Lock coloca a bola numa posição linda para Patrick ganhar 30 jardas.

Também na mesma linha da “nova fase do ataque”, o jogo aéreo abriu alguns espaços para o jogo corrido. Não foi aquela maravilha nem aquela desgraça. Foram 32 carregadas para 132 jardas (média de 3,8 jardas por carregada) para um TD. Cumpriu seu trabalho, embora as corridas pelo miolo da linha continuem mirradas. No geral, podemos dizer que 31 pontos e nenhum turnover é algo bom a ser comemorado neste fim de temporada. Menção honrosa para a OL, que permitiu apenas 2 sacks e 3 QB hits, dando bastante tempo para Lock desenvolver seu jogo.

O primeiro ponto negativo do ataque contra os Raiders veio de Pat Shurmur. Houve um excesso exagerado de conservadorismo ao chamar constantemente corrida-corrida-passe. Os Raiders tradicionalmente tentam parar a corrida, uma vez que possui uma secundária fraquíssima (como já apontado por Thiago Portugal em seu post), então fez zero sentido o grande número de corridas em primeiras e segundas descidas longas. Isso só serviu para colocar Lock em muitas terceiras descidas longas na partida. O segundo ponto negativo foi a baixa capitalização de chances na redzone, apenas 2 TDs em 5 chances. Já disse aqui algumas vezes que este é um problema que acompanha Shurmur desde os tempos de Giants e que não foi sanado ainda. Combinados, estes dois pontos negativos fizeram com que os Broncos não capitalizassem 2 dos 4 turnovers gerados pela defesa. Não foi ruim, mas é preciso aproveitar melhor essas situações, até porque não foram frequentes neste ano.

Por fim, a corneta: Melvin Gordon claramente estava mais afim de completar 1000 jardas na temporada do que vencer o jogo. Este senhor saiu do campo diversas vezes no penúltimo drive, parando o cronômetro quando estávamos na frente. Fica em campo! Gasta o relógio! O RB foi um dos responsáveis pelas trapalhadas que nos custaram a partida.

Defesa

A defesa foi um misto de coisas boas e ruins. Nada surpreendente para uma unidade que jogou sem EDGE1, EDGE2, DL1, DL2, DL4, CB1, CB2 e CB3 (ou CB4, depende de sua visão) e simplesmente não teve material humano para fazer um trabalho melhor. De bom, os turnovers gerados foram uma surpresa muito grata. Foram 4 no total, sendo 2 fumbles recuperados e 2 INTs. Pela primeira vez na temporada vencemos a batalha dos turnovers e a defesa colocou o ataque em condições de pontuar, embora não o tenha feito. Também considero que o pass rush foi um ponto positivo, dado que nosso front conseguiu 3 sacks e 7 QB hits sem Chubb e Miller.

A defesa contra o jogo corrido foi razoável. Os Raiders correram 23 vezes para 106 jardas (média de 4,6 jardas por carregada) e 2 TDs. Não foi lá grandes coisas, mas pelo menos não vimos aquele passeio de Josh Jacobs que aturamos em Novembro.

Novamente, o grande problema da defesa foram os CBs, em especial Parnell Motley que deve ser nossa trigésima quinta opção na posição dentro da temporada. Observe a tabela abaixo, tendo em mente que Motley jogou no lado esquerdo da defesa ou direito do ataque. Por ali Carr conseguiu 148 jardas e 2 TDs! Tudo bem que um dos TDs foi Parks quem cedeu (trigésima terceira opção de CB), mas Motley simplesmente foi abusado e permitiu muitas big plays. Não há muito que o DC possa fazer na situação em que os Broncos estavam.

Carr tostou Parnell Motley pela direita do ataque. Fonte: Next Gen Stats.

Esta questão ficou clara no vídeo abaixo, onde é fácil notar que Motley é batido, perde contato com o WR (no caso, um Zé Pinga) e não tem nem condições de atrapalhar o recebedor. Sem chances nenhuma.

O resultado foi que Carr marchou rapidamente em campo, inclusive no fatídico drive final, quando logo na primeira jogada Motley foi queimado. O QB dos Raiders terminou a partida com 24 passes completos de 38 tentados (63%) para 359 jardas, 2 TDs e 2 INTs. Note que conseguiu uma média de 9,8 jardas por tentativa! É muita coisa! No final das contas, foi uma partida razoável para fraca, condizente com o nível dos jogadores à disposição de Fangio e Donatell. O que foi feio e patético não foi o baixo desempenho da unidade, mas sim a pataquada que Fangio fez no final.

Olha, até entendo o primeiro timeout pedido, pois o TD era quase um caso consumado e não haveria tempo para uma resposta do ataque. Mas na conversão de 2 pontos não dá! Os Raiders estavam completamente perdidos na chamada e no personnel que entraria em campo, de forma que iriam sofrer uma penalidade de cinco jardas por atrasar o jogo. Teriam que escolher entre arriscar a conversão para 7 jardas (improvável) ou chutar o PAT (provável) e ir para a prorrogação. Fangio resolveu o problema deles ao pedir tempo e entregou de bandeja a vitória. Não me incomoda o fato de chamar jogadas e ter menos tempo para controlar relógio, pedidos de tempo e outras coisas do futebol situacional. Me incomoda não delegar a ninguém a função de gerenciar essas coisas, o que se torna capital em momentos assim. Sou a favor da manutenção do HC no cargo, mas o time precisa de alguém nessa função para evitar de deixar em campo duas vitórias, como a derrota de domingo e a da semana 1 contra os Titans.

“Time de especialistas”

Demitam Tom McMahon! Demitam Tom McMahon! Demitam Tom McMahon! Chega! Mais uma partida com coberturas ridículas, faltas cometidas e 2 chutes de FG bloqueados. Estes, inclusive, com dois chutes baixos e toscos de McManus, que ainda errou outro chute (perdoável) de 56 jardas. O único ponto bom do “ST” foi Sam Martin, que chutou 4 punts para 168 jardas, média de 42 por punt. Só! Chega de Tom McMahon em Denver!

Conclusão

Um término melancólico para uma temporada ruim que se vai com um suspiro de alívio. E de forma irônica, como quem zomba da torcida, perdemos o jogo por péssimo gerenciamento de futebol situacional por parte do nosso HC da mesma forma que perdemos o primeiro jogo da temporada. Os erros em campo também são muitos e temos um longo caminho a percorrer na próxima offseason. Mas é importante identificar os pontos positivos para não começar tudo do zero – eles existem, mesmo dentro dessa derrota patética. Com um novo GM todas as possibilidades estão em aberto, inclusive voltar a pensar a longo prazo. Portanto, ter um diagnóstico preciso sobre o elenco é fundamental para dar base às novas decisões.

Estas foram as minhas observações da partida de domingo. Deixem as suas na seção de comentários. Agradeço a todos por acompanharem este post ao longo do ano, mesmo não sendo a temporada que imaginávamos. Seguiremos com conteúdo de offseason para vocês não deixarem de respirar os Broncos ao longo do ano. Nos vemos em breve. Go Broncos!