Análise dos setores – Semana 16 – @Chargers

Saudações, torcedores dos Broncos! Perdemos mais uma, desta vez para os Chargers em Los Angeles: 19 a 16. Vamos analisar cada um dos setores para saber o que deu certo e o que deu errado na derrota.

Por algum motivo, desta vez fui direcionado para o site da ESPN do Reino Unido, de onde tirei os dados gerais da partida (link aqui). Também utilizei alguns dados do site NFL Next Gen Stats (link aqui).

Ataque

Pat Shurmur e seus comandados repetiram um problema crônico observado em boa parte da temporada: um primeiro tempo apagado e um segundo tempo bom. Desta vez o segundo tempo foi apenas bom e não espetacular, morrendo na praia a tentativa de virada contra os Chargers.

O plano de jogo não surpreendeu. Foi o mesmo utilizado desde a vitória contra os Dolphins, que consiste em alternar corridas e passes curtos para manter a defesa em cheque, deixar os números no box favoráveis ao jogo corrido e criar oportunidades em bola profunda. A estratégia não foi mal sucedida, ainda que o zero no placar do primeiro tempo diga o contrário. Note na figura abaixo que os passes curtos e intermediários foram bem distribuídos pelo campo, mesmo que Lock tenha tido mais sucesso pelo meio do campo. Essa distribuição também ficou nítida pelos alvos acionados por Lock: 8 recebedores receberam tentativas de passe na partida. O jogo aéreo só não foi de fato bom porque nosso QB não foi competente o bastante em completar esses passes, em especial no primeiro tempo, e terminou a partida com 24 passes completados de 47 tentados (52%) para 263 jardas (5,6 jardas por tentativa), 2 INTs e 0 TD.

Lock distribuiu bem seus passes pelo campo, mas não foi efetivo os completando. Fonte: NFL Next Gen Stats

Mas mesmo sem ser efetivo pelo ar, só o fato de distribuir alguns passes serviu o propósito de ajudar o jogo corrido. Foram 133 jardas em 28 carregadas (boa média de 4,8 jardas por carregada). Interessante notar na figura abaixo que Gordon teve mais sucesso correndo atrás dos OTs, algo comum desde os tempos de Chargers. Phillip Lindsay vinha recebendo as chamadas de corrida pelo miolo da linha ofensiva, o que pode explicar um pouco da queda de produção do RB nativo do Colorado, mostrando um ponto para a OL melhorar para o futuro.

Gordon teve mais tentativas de corridas correndo atrás dos OTs. Fonte: NFL Next Gen Stats.

Mas se o ataque fez pelo menos um arroz com feijão meio sem sal, por que apenas 16 pontos no placar e mais uma derrota com a defesa cedendo abaixo de 20 pontos? O problema central é a execução, tanto individual como coletiva. Shurmur teve algumas chamadas ruins, mas não foi estratégia ou play calling que definiram a partida. Nosso OC, inclusive, trouxe mais artimanhas para o jogo como WR screens, que havíamos comentado na nossa última live pós jogo (link aqui). O time até conseguiu marchar o campo com alguma consistência, mas falhou nos momentos chaves da partida, principalmente no primeiro tempo.

Começando por Lock que teve um primeiro tempo bem fraco. Novamente tentou ser o herói do time e fazer um passe difícil contra o movimento do corpo. O resultado foi uma INT na red zone em uma segunda descida, fazendo o time sair de campo sem pontos após percorrer mais de 60 jardas. Mas a principal falha na partida foi a precisão nos passes, ou ball placement para ser mais exato. Lançou diversas bolas atrás, muito a frente ou no ombro errado do WR, dificultando a recepção e dando chance do CB atacar a bola. A jogada no vídeo abaixo exemplifica isso. A leitura é boa, Hamilton está isolado contra o boundary CB e consegue alguma separação. Lock solta a bola com um bom timing e não dá chance do CB virar para olhar a bola, mas o passe é muito atrás e permite que o adversário se recupere. Esses passes imprecisos podem até ser completados algumas vezes, mas dificulta muito para os WRs conseguirem jardas após a recepção e a primeira descida. A falta de pré-temporada com certeza atrapalhou a construção da química QB-recebedores, mas esperava algo melhor a essa altura do campeonato.

O segundo componente do fiasco veio do corpo de recebedores com um número muito grande de drops. Só de Jerry Jeudy foram 5, incluindo o do vídeo abaixo que foi um belo passe de Lock e deveria ter sido um TD. Houve também muitas falhas de WR e TE nos bloqueios em screen passes, o que custou algumas conversões de terceira descida. Aqui reforço algo que venho destacando nos últimos posts: estamos a mais de um QB de ter um ataque competitivo. Essa unidade ainda não é capaz de executar um ataque nível NFL, seja pela juventude, pela falta de pré-temporada, QB abaixo da média ou qualquer outro fator. É claro que melhorar a posição de QB é o primordial, mas os jovens dessa unidade precisam crescer individualmente e coletivamente, o que ficou claro nos minguados 16 pontos da partida.

Defesa

Jogando ainda mais depenada do que vimos ao longo da temporada, a defesa não foi brilhante, mas foi decente e fez seu trabalho. No final das contas, se uma defesa segura um adversário a menos de 20 pontos na NFL, o ataque tem que vencer a partida. Já sabemos que o final da história não foi esse, mas a defesa teve seus bons momentos.

Em termos de estratégia, Fangio e Donatell não mudaram muito em relação ao desastre contra os Bills. Bausby aparentemente não é capaz de marcar em press, então ficou apenas com a incumbência de proteger as big plays na direita. Saiu no meio da partida por tacklear que nem uma vaca morta e seu substituto, Parnell Motley, foi um pouco mais competente na posição. Pelo outro lado, Ojemudia fez o mesmo, controlando as bolas longas ao custo de ceder espaço em rotas mais curtas e intermediárias. Observe na figura abaixo que a estratégia de impedir big plays funcionou, mas mesmo assim os CBs foram abusados por Herbert e cia. Talvez não tenha sido pior porque os Chargers estavam sem Keenan Allen.

Herbert abusou dos nossos CBs, mas não conseguiu quase nada pelo meio. Fonte: NFL Next Gen Stats.

Então qual foi a grande diferença para o jogo contra os Bills? O meio do campo! Note na mesma figura acima que o meio do campo foi muito bem protegido, especialmente por partidas excelentes de Justin Simmons e Josey Jewell. Nosso ILB foi muito bem na cobertura ao passe, algo que costuma ser seu ponto fraco. Note no vídeo abaixo como se posicionou bem, leu o QB e atacou a bola com perfeição para impedir a conversão de primeira descida. Quem não fez partida boa foi Alexander Johnson. Foi pego fora de posição em 2 das 3 vezes que Herbert completou passes pelo meio, mas não comprometeu tanto.

O pass rush também incomodou bastante Herbert, com pressão pelo meio e pelas pontas, conseguindo 2 sacks, 6 QB hits e 2 passes desviados na linha de scrimmage por Shelby Harris. Chubb fez mais falta mantendo o contain ao QB que no rush propriamente dito. Herbert conseguiu escapar muitas vezes pela lateral do pocket, algo que dificilmente acontece com o titular em campo.

Somando prós e contras, creio que as boas atuações da DL, Jewell e dos Ss se sobrepõem às falhas dos CBs. Herbert teve um jogo modesto com 21 passes completos de 33 tentados (64%) para 253 jardas, 1 TD e 0 INT. Os Chargers também foram tímidos por terra com 89 jardas em 20 carregadas (média de 4,5 jardas por carregada). O trabalho feito com a unidade em 2020 foi muito bom e nem o jogo contra os Bills apaga isso. O fato é que esta defesa deu, mesmo com inúmeros desfalques, todas as chances para o ataque levar os Broncos a um patamar melhor na temporada. Infelizmente não foi esse o desfecho.

“Time de especialistas”

Os Trapalhões comandados por Tom McMahon não poderiam deixar de fazer sua tradicional trapalhada. Começamos a partida de forma patética cedendo um retorno de kickoff de 53 jardas, permitindo aos Chargers começarem seu primeiro drive ofensivo já no campo de ataque. Some muitas faltas e a perda de uma chance de ouro de colocar Herbert de costas para a sua end zone ao não atacar a bola em um belo punt de Sam Martin e tenha mais uma atuação fraca de uma “unidade” fraca o ano todo.

Sam Martin teve um primeiro punt ruim, mas se recuperou nos demais e teve uma média de 41,4 jardas por punt. Brandon McManus teve um erro capital na partida ao errar um FG de 37 jardas. Acertou os outros 3 e todos seus PATs, mas não há como não colocá-lo como um dos responsáveis pela derrota. Tem crédito e espero que volte à forma o mais rápido possível.

Conclusão

A partida contra os Chargers foi um retrato da temporada: a defesa faz um bom trabalho e dá a chance dos Broncos vencerem, mas o ataque e o “ST” deixam a desejar. O ataque vem em uma crescente lenta em termos de conceito, mas ainda está muito aquém de um jogo coletivo polido em sua execução. Isso com um “ST” todo estabanado e mal treinado impediram que nossa temporada fosse melhor e, na verdade, têm nos empurrado cada vez mais rumo ao top 10 do Draft.

Estas foram minhas observações da partida. Deixem as suas na seção de comentários. Nos vemos em breve. Go Broncos!