Análise dos setores – Semana 15 – vs. Bills

Saudações, torcedores dos Broncos! Fomos humilhados pelo Buffalo Bills em Mile High: 48 a 19. Vamos analisar cada um dos setores do time para saber o que deu errado neste fiasco.

Como sempre, os dados aqui utilizados foram retirados do site da ESPN norte-americana (link aqui).

Ataque

Ao olhar para o ataque nesta partida contra os Bills, muitos veem que foi uma performance abaixo do esperado, principalmente após a bela exibição contra os Panthers. Particularmente, discordo: se considerarmos os 5 pontos deixados para trás por Taylor Russolino, os comandados de Pat Shurmur teriam anotado 24 pontos, que é o que se espera da unidade no momento. Não estamos num nível que podemos sacar múltiplos jogos de 30+ pontos da cartola. Simples assim.

O plano de jogo foi similar ao último, tentando estabelecer inicialmente um jogo de passes curtos para dar ritmo a Lock e deixar o box mais leve para o jogo corrido. Note na figura abaixo, que esta estratégia foi inicialmente bem sucedida. Lock completou muitos passes abaixo de 10 jardas e o jogo terrestre teve algum sucesso. Denver teve 28 carregadas para 140 jardas, média de 5 jardas por carregada e 2 TDs.

Drew Lock Week 15 Pass Chart

Drew Lock foi eficiente em passes curtos, mas o mesmo não pode ser dito nos passes longos. Fonte: Next Gen Stats

A OL fez um bom trabalho no jogo terrestre, abrindo grandes buracos na DL dos Bills para nossos RBs, como é possível ver no vídeo abaixo. Embora somente Melvin Gordon tenha aproveitado isso de forma efetiva, espero sinceramente que Lindsay recupere seu dinamismo o quanto antes.

Entretanto, a segunda parte da estratégia não entrou em prática, que seria conectar passes em profundidade. Note na mesma figura acima que Lock só completou 3 passes para mais de 10 jardas, incluindo a bela conexão para o TD de Noah Fant. Muito pouco. Não a toa nosso QB completou um bom número de passes, 20 de 32 tentados ou 62,5%, mas conseguiu apenas 132 jardas e um TD. Muito difícil cruzar o campo desta maneira.

Fora isso, muitos erros de execução em screen passes, drops, péssima distribuição dos alvos pelo corpo de recebedores, fumble e decisões ruins de Drew Lock. Ainda que tenha melhorado em alguns aspectos, como mobilidade no pocket e reconhecimento da hora de ir para o checkdown, nosso QB continua tomando decisões erradas e travando perigosamente na primeira leitura como no vídeo abaixo.


No final das contas, o ataque produziu 3 TDs, o que foi mais que muitas partidas realizadas anteriormente na temporada. Não é que tenha sido uma partida ruim da unidade, mas não tem como competir desta forma contra um time candidato ao SB.

Defesa

O grande número de lesões da nossa defesa finalmente cobrou seu preço no sábado. Entendo que, independente das circunstâncias, é humilhante uma unidade ceder 534 jardas totais e 5 TD, mas o objetivo é analisar as coisas de uma maneira um pouco mais racional. Então, na análise mais fria que consigo fazer após ver o jogo duas vezes, posso afirmar que com certeza a ausência de CB foi a pedra fundamental do vexame. Mais que plano de jogo, falta de garra ou qualquer outra coisa que vocês possam levantar como causa.
Brian Daboll, o OC dos Bills, foi para a partida com um plano claro e simples: não importa o que os Broncos façam, vamos atacar Will Parks (S jogando de nickel CB) e De’Vante Bausby (CB4) pelo ar, pois não podem com Stefon Diggs e Cole Beasley. E não podem mesmo! Conclusão? Foram tão humilhados pelos WRs dos Bills que chegou a dar pena. Diggs teve 11 recepções para 147 jardas (mais jardas que Drew Lock) e Beasley teve 8 recepções para 112 jardas.
A partir do fiasco de CBs, Fangio tentou fazer ajustes colocando os Ss para dar mais ajuda ao custo de esvaziar nosso box e desproteger o meio do campo. Não adiantou muito, pois os Bills passaram a atacar os CBs em rotas mais curtas ou pelo meio do campo, impedindo a cobertura dos Ss. Estava tão fácil vencer pela via aérea que os Bills não se deram ao trabalho de correr com a bola, nem com o box vazio. Os RBs só tiveram 6 carregadas no primeiro tempo. Mas Josh Allen aproveitou algumas vezes o meio da defesa vazio para conseguir jardas correndo em scrambles e corridas de QB. O TD mostrado no vídeo abaixo mostra isso de forma bem clara. Os Broncos estão em Cover 2 Man, com os CBs em press no slot no topo do vídeo e em off coverage na parte de baixo. Os dois Ss estão bem no fundo, protegendo os CBs em press e o meio do campo está absolutamente sem ninguém. Alexander Johnson vai para o blitz e Josh Allen faz o scramble com muita facilidade. Essa foi a tônica do jogo e desmontou com facilidade qualquer que tenha sido o plano defensivo de Fangio e Donatell. Foi um passeio de Allen, que terminou a partida com 28 passes completos de 40 tentados (70%) para 352 jardas, 2 TDs, 2 TDs corridos e 0 INT.


Note também no vídeo acima que Dre’Mont Jones vai que nem uma vaca louca para cima de Allen, sendo facilmente driblado. Isso ocorreu várias vezes e me deixou furioso, pois parece que a DL não estudou o adversário. Você tem que saber como tacklear um QB móvel justamente para não deixar jogadas em campo.
E não é que Fangio não tenha tentado ajustar, mas não houve solução que funcionasse com Bausby e Parks jogando a pior partida de suas vidas. Se o meio está aberto, ataque o meio. Fangio desce um dos S para fechar o meio do campo? Dois snaps depois Diggs queima Bausby sem proteção em uma rota vertical na lateral. Enfim, um show de horrores sem resposta dos Broncos, seja vinda da sideline ou dos próprios jogadores em campo.
Para captar algo de bom, deixo a jogada do vídeo abaixo para vocês analisarem. Se Bausby foi humilhado por Diggs, o mesmo não pode ser dito de Ojemudia, que marcou bem o WR. Mesmo em marcação mano a mano, que não seria seu forte pelos scouting reports de sua época de College, Ojemudia não deu espaço para Diggs. Espero que não cometa mais a estupidez de dar um soco na cabeça de um cara com capacete, mas a evolução da nossa escolha de terceira rodada em 2020 foi uma grata surpresa nesse maldito ano.

Time de especialistas”

Nada faz mais jus às aspas no nome do “ST” que Taylor Russolino chutando bolas como se fossem traseiros bovinos. Errando seu único FG tentado e 2 de seus 3 PATs, nosso K emergencial ilustra bem a piada que foi a “unidade” no ano. Ilustra também o circo que a NFL fez com as decisões relacionadas à Covid-19 neste ano, pois Brandon McManus DEVERIA ter jogado, não fosse os membros do picadeiro começarem a contar os dias de seu contato de risco um dia após o devido. Em termos de coberturas, não teve nada demais, mas dou meus parabéns ao LS Bobenmeyer por recuperar o fumble que nos rendeu 6 pontos. Também parabenizo Sam Martin pelos ótimos punts na partida: foram 6 no total para 291 jardas (média de 48,5 jardas por punt), sendo o mais longo de 56 jardas e 2 punts dentro da linha de 20 jardas do campo adversário.

Conclusão

Jogar com uma defesa depenada cobrou seu preço. Os Bills foram o primeiro time de calibre SB que enfrentamos sem Callahan e Bouye e o OC adversário explorou isso até a última gota. A cada ajuste tentado uma nova fraqueza era exposta, abrindo inúmeras oportunidades para Josh Allen ter uma partida de MVP. Sem a defesa para manter o time no jogo, nosso ataque simplesmente não teve como vencer uma partida contra um SB contender. A realidade é essa e mostra que ainda temos um longo caminho a percorrer para voltarmos aos playoffs.
Estas foram minhas análises, caros leitores. Deixem suas opiniões na sessão de comentários. Nos vemos em breve. Go Broncos!