Pós-Jogo – Semana 12: vs New Orleans Saints

Saudações nação laranja e azul! Se nós achamos que a pior partida do Denver Broncos na temporada tinha sido contra o Raiders, a torcida claramente não sabia o que estava por vir. Sem todos os QBs, perdemos no Mile High para o New Orleans Saints por 31 a 3, deixando nosso recorde em 4-7. Vamos conversar sobre o jogo?

A sensação é de que já havíamos perdido a partida bem antes de começar. O jogo foi um completo desastre. Ter de adaptar todo um plano de jogo para alguém que não jogava na posição de QB há anos e de um dia para o outro (literalmente) é um trabalho muito complexo. Shurmur fez o que estava ao seu alcance contra uma das melhores defesas da liga, utilizando o jogo corrido e jogadas em formação wildcat, arriscando o mínimo possível passes curtos e longos para os recebedores. Não deu certo. Junte isso a uma defesa que estava trabalhando sozinha, que conseguiu limitar o ataque do Saints em 17 pontos antes do intervalo e que naturalmente cansou ao longo do jogo. A catástrofe era inevitável.

A semana já dava sinais de que seria complicada. No dia 26 de Novembro de 2020, o Broncos comunicou que o QB Jeff Driskel foi colocado na lista do COVID. Claro que já é uma situação bem complicada por si só, mesmo que seja o terceiro QB do time.

No dia seguinte, 27, houve outro comunicado do Broncos, desta vez dizendo que 2 membros do staff e 1 jogador (o WR Diontae Spencer) testaram positivo para o COVID e que o centro de treinamento seria fechado por precaução. E chegamos ao fatídico dia em que se deu o maior problema: em 28 de Novembro o Broncos soltou um terceiro comunicado dizendo que os QBs Drew Lock, Brett Rypien e Blake Bortles tiveram contato direto com alguém infectado pelo vírus, portanto foram mandados para casa e não poderiam jogar contra o Saints.

E é ai que há o plot da história. Elevaram do practice squad o WR Kendall Hilton, que originalmente jogava como QB no High School e em Wake Forest no College, onde fez a transição para slot receiver em seu último ano. A chance de dar errado era enorme, mas era a única opção “plausível” que tínhamos disponível no momento.

O resultado? 1 passe completo de 9 tentados, 13 jardas e 2 interceptações. Rating de 0.0. Hilton tentou, se esforçou e o time deu todo o suporte possível. Afinal, esta situação era um tanto quanto atípica para todos. Não houve jogo aéreo, os WRs terminaram zerados (Hamler terminou a partida com -8 jardas) e, fora os RBs Freeman (8 carregadas para 50 jardas), Gordon (12 carregadas para 31 jardas) e Lindsay (9 carregadas para 20 jardas) e o próprio Hilton (2 carregadas para 7 jardas), o único que teve jardas positivas foi Noah Fant, com 1 recepção para 13 jardas. Isso porque nem vou me alongar sobre o fumble perdido por Lloyd Cushenberry, pois foi um lance extremamente bizarro. Definitivamente um pesadelo para quem assistiu ao jogo ou aos highlights (bom, se é que teve).

A defesa, como disse acima, segurou a partida como pôde. Conseguiram 3 sacks (um de Chubb e dois de DeMarcus Walker), 1 interceptação com Essang Bassey, 6.5 tackles for loss, 4 passes defendidos, 4 QB hits (dois de Walker, um de Chubb e um de Dre’Mont Jones) e 69 tackles no total. Era natural que a defesa fosse se cansar, pois com o ataque nulo o trabalho todo seria colocado nas costas do setor. E uma hora o preço seria cobrado.

Seria chover no molhado falar bem de Brandon McManus – responsável pelos 3 pontos no placar – e Sam Martin. McManus inclusive acertou o chute mais longo da carreira, de 58 jardas. E nenhum erro do “special teams“, o que realmente é um bom ponto positivo (até porque não houve retornos de punt e kickoff).

O Broncos cometeu apenas 2 faltas para perda de 10 jardas, cedeu apenas 1 sack (muito por não termos um QB fixo no pocket), mas os pontos negativos infelizmente foram tantos que se sobrepõem e deixam a sensação de que esta partida não poderia ter sido realizada.

Explico: o ataque de um time é montado em torno de um QB. A partir do momento em que perde este componente, as coisas ficam, de fato, mais complicadas para o reserva. No caso do Broncos, perdemos não só o QB titular, mas o reserva, o reserva do reserva e o QB do PS.

Qual seria a condição que o Broncos teria de jogar uma partida minimamente decente? Colocar o Kendall Hilton em um fogo cruzado deste chega a ser maldade com o WR. Porém houve muito apoio ao jogador, não só dos torcedores e jogadores do Broncos, mas de torcedores e jogadores de Saints, apoio da torcida de outros times, além de comentários de analistas televisivos.

Mas chegamos ao centro da história. A NFL “deixou claro” que os QBs estavam sem máscara e tiveram contato direto através de conversas e refeições. Mas, reports de pessoas que cobrem o dia a dia do Broncos disseram que sim, estavam usando máscaras, estavam fazendo distanciamento social mas se descuidaram em algum momento ao abaixá-las.

Não estou tirando a culpa deles e muito menos passando pano, mas houve situações em que a NFL suspendeu o jogo para outro dia. Foi o caso do Patriots quando Cam Newton testou positivo para o COVID. Por que não adiar o jogo? Ainda não engoli a explicação que deram de que foram “casos específicos” que não prejudicariam o jogo.

De certa forma, fomos punidos com uma derrota, além de possivelmente ter que arcar com multa e perda de escolha no Draft logo mais. Será que o que aconteceu domingo foi justo? Não só para o Broncos, mas sim com o Saints, com os adversários dos Saints na NFC, com as torcidas, os fãs do esporte e com o espetáculo em si? Fica a reflexão.

E vocês, torcedores? O que vocês têm a dizer sobre a partida e toda a situação envolvida? Deixem nos comentários.

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Go Broncos!