Análise dos setores – Semana 9 – @Falcons

Saudações, torcedores dos Broncos! Para acabar com a empolgação da galera, os Broncos foram até Atlanta e perderam para os Falcons: 34 a 27. Vamos analisar cada um dos setores do time para saber o que deu certo e o que deu errado na partida.

Os dados aqui utilizados foram extraídos do site da ESPN norte-americana (link).

Ataque

Para a surpresa de zero pessoas, novamente o ataque se absteve de jogar os três primeiros quartos da partida. Nos grupos de discussão no Brasil, onde Lock não é muito popular, nosso QB foi apontado como o maior culpado. Acompanhando as discussões nos EUA, onde Lock tem mais prestígio, Pat Shurmur e a OL ganharam a maior parte da culpa. Apontar o dedo para uma pessoa ou setor específico sem analisar o contexto todo é a forma mais fácil de não compreender o que de fato aconteceu. Passada a frustração do jogo, é notável que o fiasco do ataque (mais um) foi resultado de um conjunto de erros de Pat Shurmur, OL e Drew Lock, os quais tentarei destrinchar aqui.

Começando por nosso OC, realmente não entendi o plano de jogo que elaborou. Os Falcons tem uma defesa contra o jogo corrido muito boa, mas talvez a pior secundária da liga, de forma que todos os outros times que os enfrentaram abusaram de passes em primeiras e segundas descidas. Por algum motivo desconhecido, Shurmur chamou corridas nesses downs quase que o primeiro tempo inteiro! Por quê? Os Broncos se colocaram em terceiras longas frequentemente, o que ajuda muito a explicar o fracasso em três quartos. Olhando para os números, você poderia falar que estou errado. Denver teve 22 carregadas para 103 jardas, média de 4,7 jardas por carregada, para um TD. Mas note que Drew Lock correu 7 vezes com a bola para 47 jardas em scrambles que refletem mais jogadas quebradas que QB runs desenhadas. Sem essas corridas, o ataque terrestre produziu apenas 56 jardas em 15 carregadas. Muito pouco! Não entendi por que a estratégia foi estabelecer o jogo corrido na marra e não a partir do passe, como todos os times que bateram os Falcons fizeram.

E aí entram os demais problemas para a soma da bola de neve. Primeiramente, a OL foi muito mal, tão inapta a abrir espaços para Lindsay e Gordon quanto a proteger Drew Lock. Se o lado direito com Schlottman já não era dos melhores, após a contusão de Dotson e a entrada de Jake Rodgers as coisas degringolaram. Cushenberry, Schlottman e Rodgers não se encontraram em quase nenhum momento da partida e permitiram 1 sack e 9 QB hits. A INT sofrida por Lock reflete um pouco o bate cabeça do lado direito da OL. Observe no tweet abaixo que há uma espécie de zone blitz do LB e Cushenberry não faz essa leitura, deslocando-se para a esquerda onde há apenas um DL a ser bloqueado e deixando Rodgers e Schlottman contra 3 rushers.

Por fim, Drew Lock também não fez boa partida. Ainda sobre a INT acima, tomou a decisão de tentar dar “uma chance” para Jerry Jeudy fazer a recepção, mas faz isso lançando a bola de forma completamente displicente, sem nenhuma base de apoio e confiando somente na força do braço. Sem precisão nenhuma simplesmente lançou a bola para o S. Mas tirando esta jogada em específico, seu principal problema domingo foi sair do pocket cedo demais. Que pesem os problemas da OL, Lock poderia ter ficado mais no pocket e lançado a bola com uma postura melhor. Ao invés disso, frequentemente saía cedo demais para o scramble, quebrando a jogada e apostando em improvisos. O resultado disso foi um percentual baixo de passes completos, 25 de 48 passes tentados (52%), 302 jardas e 2 TDs (1 INT) que tiveram mais cheiro de estatísticas de garbage time do que uma reação coordenada propriamente dita. Por fim, embora tenha melhorado nesse aspecto, Lock precisa encontrar recebedores livres ao invés de forçar a bola na primeira leitura. A jogada abaixo ilustra isso, na qual têm 2 recebedores abertos nas crossing routes, mas prefere forçar a bola em Tim Patrick que está bem marcado.

De positivo no ataque, destaco nosso jovem corpo de recebedores que começa a despontar na liga. Destaque para Jerry Jeudy (125 jardas e 1 TD) e KJ Hamler (75 jardas + 15 corridas em um jet sweep) que deram muita dor de cabeça para a secundária adversária. Ver os releases e breaks de Jeudy é divertido demais e SEMPRE consegue separação, como no TD abaixo.

Defesa

Não foi um jogo bom da defesa e os motivos são facilmente compreendidos. Primeiro, uma DL totalmente repaginada, sem Shelby Harris e com reservas dos reservas jogando. Pouca pressão ao QB foi conseguida, resultando em um passeio de Matt Ryan que completou 25 de 35 passes tentados (71,4%) para 271 jardas, 3TDs e 1 INT. A defesa contra o jogo corrido até que foi bem, permitindo apenas 2,9 jardas por carregada, o que colocou os Falcons em segundas descidas longas na maior parte do tempo. Parecia uma boa receita para parar Ryan, mas aí veio o problema número 2.

A secundária estava em frangalhos com AJ Bouye e Bryce Callahan fora por contusão. Michael Ojemudia se tornou CB1, Bassey o nickel e Devontae Harris nosso CB2. Este último não havia jogado um snap defensivo sequer até domingo e ficou claro o porquê. Matt Ryan e os WR dos Falcons abusaram de Harris, que foi mais queimado que carvão de churrasco até ser substituído por Kevin Toliver II (quem?). Me faz pensar se deixar De’Vante Bausby ficar exposto à tungadas ao ir e voltar constantemente para o PS foi a melhor decisão.

Mesmo com todos os problemas, acho que Fangio poderia ter se saído melhor chamando o jogo. Usou muito coberturas soft em uma tentativa de controlar a linha de primeira descida e não permitir big plays. Dá pra ver pelo tweet acima que isso não funcionou. Também poderia ter abusado mais de blitzes para diminuir o tempo de Ryan com a bola na mão. Funcionou quando usou (veja abaixo) e poderia ter sido usado mais vezes.

“Time de especialistas”

Penalidade de formação ilegal em retorno de kickoff anulando bom retorno mais falta de 15 jardas dos Falcons? Sim, Tom McMahon e sua “unidade” tem para você! Mais faltas para colocar o ataque de costas para a endzone? Tem também! Fangio mandou McManus tentar um FG de 59 jardas, mas seu conselheiro McMahon o demoveu da ideia ao custo de um timeout. Sério que você o ouviu, Fangio? Enfim, minha análise do “ST” está extremamente enviesada pela minha raiva com nosso “STC” de modo que vou parar por aqui. De bom, só os belos punts de Sam Martin e as bicudas de McMoney.

Conclusão

Mais uma vez o ataque se absteve de participar de três quartos e, com a defesa toda remendada por conta de lesões, o resultado foi uma derrota para o time que potencialmente foi o nosso adversário mais fraco do ano. Acho inútil apontar o dedo unicamente para uma pessoa ou setor, já que foi uma combinação de fatores que nos levou ao fracasso. Sim, Drew Lock está jogando abaixo do que seria o adequado para o cravarmos como franchise QB e precisa melhorar bastante, mas precisamos olhar todo o contexto do time para entendermos a situação. Não se trata de passar pano para o QB, mas sim evitar uma falsa ideia de que trocar só esta peça resolverá todos os problemas. Fora um melhor desempenho de Lock, é notável que os Broncos ainda precisam de melhores estratégias no ataque, depth em algumas posições e mais sorte com lesões. Também penso que nos precipitamos muito no começo da temporada, achando que a juventude e inexperiência do ataque seriam rapidamente superadas. Chegamos à metade da temporada e só agora esses pontos começam a ser contornados, mas ainda com chão a percorrer.

Estas foram minhas percepções sobre a derrota para os Falcons. Deixem as suas na seção de comentários. Nos vemos em breve. Go Broncos!