Análise dos setores – Semana 8 – vs Chargers

Saudações, torcedores dos Broncos! Em um verdadeiro teste para cardíacos, os Broncos arrancaram uma virada espetacular contra os Chargers: 31 a 30. Vamos analisar cada um dos setores do time para ver o que deu certo e o que deu errado nesta bela vitória.

Os dados aqui usados foram retirados do site da ESPN norte-americana (link aqui).

Ataque

Visto que 3 dos 4 TDs anotados pelo ataque no jogo de domingo foram marcados no último quarto da partida, dá para notar a montanha russa de emoções que essa unidade nos propiciou. Vou tentar ser o mais racional possível para entendermos o que de bom e de ruim aconteceu.

Os Chargers vieram com uma estratégia muito simples: não deixar os Broncos correrem com a bola e desafiar Drew Lock a vencer pelo ar. Nada muito genial, visto a dificuldade do nosso QB na partida contra os Chiefs (relembre aqui). E a verdade é que esta estratégia funcionou magnificamente por quase toda a partida. Na folha de estatísticas, o que aparece são 16 carregadas para 108 jardas, média de 6,8 jardas por carregada para 1 TD. Mas a verdade é que no primeiro tempo os Broncos correram para apenas 2 jardas! Sim, caro leitor, duas míseras jardas! Com o insucesso do ataque terrestre, Pat Shurmur jogou o peso da partida em cima de Drew Lock, que teve que passar a bola 41 vezes – ou em 72% do snaps ofensivos. Isso representa um desarranjo completo da unidade que não tínhamos visto nesta temporada, já que inúmeras vezes corremos em 45% – ou mais – do tempo com a bola. Desta forma, não é surpresa que os Chargers tenham tido 35:53 minutos de posse contra 24:07 de Denver, o que colocou muita pressão e desgaste sobre a nossa defesa (veja a discussão mais à frente).

Basicamente por isso decorre toda a desgraça do nosso ataque até o terceiro quarto. Sem jogo corrido e constantemente submetido a segundas e terceiras descidas longas, Shurmur tentou esboçar um jogo aéreo com passes mais rápidos e curtos, visando tirar a bola rapidamente das mãos de Lock. Isso nada mais fez do que inflar a porcentagem de passes completos do QB, dado que tivemos inúmeros three and outs e uma baixa conversão de terceiras descidas, 5 de 13 (39% e boa parte só no fim da partida). Pior, quando Lock teve que soltar o braço, vimos novamente mais dos seus problemas de partidas anteriores: foco demasiado na sua primeira leitura, inaptidão em fazer progressões e decisões estapafúrdias, como na INT do vídeo abaixo. Note que, embora Jeudy tenha feito um bom trabalho de double move para bater o CB, o S dos Chargers está na jogada o tempo inteiro lendo os olhos de Lock fixado em Jeudy. Não tinha passe algum ali! Erro básico de leitura! Lock precisa melhorar neste aspecto.

Mas, quando tudo se encaminhava para levarmos um senhor chocolate, com gritos de “fora Elway”, “fora Fangio” e “Lock bust“, eis que Phillip Lindsay traz vida a um time moribundo. Uma bela corrida de 55 jardas para anotar o primeiro TD dos Broncos mudou a partida por completo. A partir dali, Drew Lock despertou seu fator clutch interior e passou a achar seus recebedores livres, conectando várias bombas e sem forçar a bola. Por inúmeras vezes acionou os RBs em flare outs (ou check downs na flat route se preferir), ganhando duas ou três jardas, mas mantendo a posse em segurança e evitando que o relógio corresse rápido demais. A OL também fez um trabalho razoavelmente bom contra uma ótima DL, dando tempo para nosso QB no pocket. Ao final da partida, Lock completou 26 dos 41 passes tentados (63%), para 243 jardas, 1 INT e 3 TDs, sendo o terceiro deles uma maravilha. Fez o scramble ao notar que a jogada deu errado e achou KJ Hamler na endzone (veja abaixo). A montanha russa de Drew Lock foi a montanha russa do ataque dos Broncos no domingo e, ainda que tenha sido uma vitória linda, esperamos por exibições mais consistentes.

Defesa

Sou muito fã do trabalho que Vic Fangio e Ed Donatell fazem com essa defesa, isso não é novidade para quem acompanha esta análise semanal. Contra os Chargers a unidade foi bem, embora não tenha sido uma partida brilhante como nas semanas anteriores.

Os primeiros 5 drives defensivos foram magníficos! Poucas jardas cedidas, pressão em cima de Justin Herbert e uma INT de Justin Simmons para cima do calouro. Teria sido a deixa perfeita para o ataque abrir uma grande vantagem… Só que não. Além de abrir um ridículo 3 a 0, a ineptitude do ataque em permanecer em campo cansou nossa defesa, que jogou 41 snaps só no primeiro tempo (contra apenas 24 do ataque). Isso resultou em um apagão da unidade entre o fim do segundo e começo do terceiro quarto, quando os Chargers anotaram todos seus 3 TDs. Nossa DL parece ter sentido falta de Mike Purcell e cedeu muitas jardas terrestres. Os Chargers tiveram 38 carregadas para 210 jardas, média de 5,5 jardas por corrida. Tendo que lidar tanto com o ataque terrestre, não me admira que Justin Herbert tenha passado para 275 jardas e 3 TDs, inclusive queimando AJ Bouye algumas boas vezes. Foi algo entre 10 a 15 minutos de terror para a nossa defesa.

Mas, como num passe de mágica de novo, parece que o TD de Lindsay trouxe a unidade de volta para o jogo. Kareem Jackson virou uma verdadeira parede intransponível. Bradley Chubb e Malik Reed mandaram calor e sacaram Herbert 2 vezes. A secundária se ajustou e não permitiu mais que os Chargers lançassem passes na endzone. Acho que nada simboliza mais a virada de chave da defesa que a INT monstruosa de Bryce Callahan. Nosso menino de 1,75 m virou um gigante e roubou a bola das mãos do grandalhão de 1,93m Mike Williams. Dêem uma olhada no tweet abaixo. Numa jornada de altos e baixos, a defesa terminou com 2 sacks, 5,5 tackles para perda de jardas, 5 passes defendidos e 4 QB hits. Nada brilhante, mas se esses são números “abaixo” do normal para essa unidade, só ilustra o bom trabalho que vem sendo feito.

“Time de especialistas”

Muito ajuda quem não atrapalha! Será demais pedir que o “ST” só “não apareça”? Tudo bem, não teve nenhum erro gritante, mas por que Tyree Cleveland, faltando menos de 2 minutos e com o time perdendo por uma posse, resolve sair e retornar um kick off para ridículas 18 jardas? Poderíamos crucificar o calouro aqui, mas a verdade é que já vimos outros jogadores cometerem o mesmo erro. Adicione a isto mais um retorno de punt do adversário para 30 jardas e chegamos a uma conclusão inevitável: o culpado é o “STC”, Tom McMahon. É uma unidade mal treinada. Ponto final. Concordo que talvez não seja prudente trocar o comando do “ST” agora, mas realmente espero que uma avaliação rigorosa seja feita ao término da temporada.

Como nem tudo foi ruim, quero destacar Brandon McManus (100% em chutes e PATs) e as belas botinadas de Sam Martin. Nosso P fez um bom jogo, atingindo média de 54,2 jardas por punt, incluindo uma bicuda de 69 jardas! Na verdade, até exagerou na dose em alguns momentos, cedendo touchbacks que poderiam ter sido evitados, mas foi uma ótima partida mesmo assim.

Conclusão

Foi uma vitória linda, com ares de heroísmo e que pode trazer muita confiança para esse jovem time do Denver Broncos! Mas do mesmo jeito que não podemos jogar tudo fora nas derrotas, não podemos achar que agora vai ou que achamos “o cara” na vitória. Sim, estou falando de Drew Lock. Foi de bust a mito em questão de minutos, mas a verdade é que não é um jogo que o define. Domingo mostrou o que tem de bom e de ruim e isso tem que ser encarado como normal neste processo de avaliação do nosso QB, que já pontuamos inúmeras vezes. Gostaria de ver mais consistência não só dele, mas do ataque em geral e da forma como Pat Shurmur formula as estratégias dessa unidade. Ainda parece que nosso OC está na base da tentativa e erro, o que não é nada anormal nesta fase, só que necessitamos de consistência para que nossos jovens jogadores possam mostrar o seu melhor futebol. No “ST”, precisamos rever Tom McMahon ao final da temporada, mas dificilmente irá mudar minha opinião. Quanto a defesa falharam durante o jogo, mas mostraram que são gigantes quando precisamos e a verdade é que amo essa unidade!

Estas foram minhas observações sobre cada um dos setores na bela virada para cima dos Chargers. Deixem as suas nos comentários. Nos vemos em breve. Go Broncos!