Lá Vem A Bronca – vs Chiefs

Saudações torcedores e torcedoras do laranja e azul de Denver! Os Broncos levaram um balde de água fria – poderia ser de neve também – após saírem derrotados com o placar de 43 a 16 para o Kansas City Chiefs na semana 7 da temporada de 2020.

No terceiro jogo mais frio da história do time em Denver, o calor causado pela raiva aqueceu a torcida dos Broncos. Primeiro devo começar dizendo que quem ficou chateado simplesmente por termos perdido pelos Chiefs porque acreditava na vitória, é iludido.

Hoje, o Kansas City Chiefs é o melhor time da NFL, é o atual campeão, manteve as peças, manteve o coaching staff intacto, se reforçou e segue como amplo favorito em qualquer jogo em que entrar em campo. É irritante? Sim. Mas, como dizem nossos amigos falantes de inglês, it is what it is.

O mais irritante mesmo foi o modo como perdemos, com a nossa defesa fazendo de tudo em campo enquanto o ataque e o special teams entregaram a paçoca.

A defesa de Denver segurou o ataque dos Chiefs a apenas 286 jardas totais (entre corrida e passe) e não permitiu NENHUMA conversão de terceira ou quarta descida na partida inteira.

Após os drives iniciais, onde o ataque não conseguiu se manter em campo e a defesa parecia não estar no ritmo da partida, permitindo inúmeras quebras de tackles, culminando na abertura de placar dos Chiefs com um TD corrido, a defesa acordou e entregou excelente posição de campo após o fumble forçado por Alexander Johnson e recuperado por Justin Simmons.

O ataque pontuou com um TD corrido de Drew Lock, mas o tom da partida foi dado quando Brandon McManus errou o ponto extra. A partida então desandou quando a defesa entregou a bola pro ataque após forçar um field goal com um sack na terceira descida (hello, Bradley Chubb!) e com o placar de 10 a 6.

Melvin Gordon sofreu o primeiro fumble da noite, mas a defesa forçou o punt. Aí Drew Lock lançou uma pick six. O ataque conseguiu marcar 3 pontos com um field goal na campanha seguinte, mas… Retorno de kickoff para touchdown.

Da campanha seguinte ao fumble de Gordon até o retorno de kickoff, a nossa defesa não entrou em campo. A consequência? A diferença no placar. Entregaram o jogo com o placar em 10 a 6 e, quando voltaram a campo, já estava 24 a 9.

Aí virou show de horrores. Melvin Gordon conseguindo cada vez mais provar que Phillip Lindsay é o running back número 1 do Denver Broncos. Fez o pior pitch que já vi na vida para Drew Lock, lançando a bola de volta por cima da cabeça dele na tentativa (pífia e patética) de executar um flea flicker.

Ainda teve interceptação num passe que ficou um pouco atrás de KJ Hamler, onde a bola bateu em suas mãos e deu a assistência pro Tyrann Mathieu, deixando a bola pendurada. Teve falta pessoal de Shelby Harris dando primeira descida de graça depois de a defesa forçar o 4th down. Muita gente diz: “ah, mas já tava no fim do jogo”. Não é assim que as coisas funcionam.

Como um todo, foi uma atuação totalmente infeliz dos Broncos. Ataque e special teams tiveram um jogo para ser esquecido e a defesa, apesar de alguns vacilos, segue mostrando que é uma das melhores da liga mas que precisa de ajuda.

Lock teve, para mim, o pior jogo da carreira (bem pior que o jogo na neve em Kansas City ano passado) e precisa evoluir para provar que merece manter o cargo de QB1. Ao mesmo tempo, jogadores tem jogos ruins. Portanto, precisa mostrar que é isso que aconteceu em Denver no último domingo: apenas um jogo ruim.

Um exercício de paciência que o torcedor dos Broncos pode fazer é pensar que Drew Lock tem um total de 8 jogos completos na carreira, que está retornando de uma lesão no ombro e que tem mais 10 jogos para se provar.

Os Broncos não precisam e nem vão declarar em qualquer momento dessa temporada que Lock não é o cara, afinal tem o resto de 2020 inteiro pra provar que ele é. Se não evoluir no próximo jogo, ainda assim não faz sentido substituí-lo. Qual o sentido nisso numa temporada em que as chances de playoffs já são pequenas? Vamos ter paciência e acompanhar a evolução do time, permitir erros do resto dos jogadores jovens. Errar é, além do erro em si, uma oportunidade de aprender.