Lá Vem A Bronca – at Jets

Saudações torcedores e torcedoras do laranja e azul de Denver! Os Broncos finalmente saíram do zero e anotaram a primeira vitória na temporada, no Thursday Night Football, enfrentando o New York Jets fora de casa.

Os Broncos venceram os Jets numa partida bem mais agitada do que deveria. Fazendo a estreia como titular na NFL, Brett Rypien teve um primeiro tempo quase impecável (com exceção da interceptação quando tentava jogar a bola fora).

Rápido nós vimos o quão Rypien é melhor do que Jeff Driskel. A verdade é: os Broncos desperdiçaram dinheiro com um veterano com algum upside para ter uma segurança caso Lock se machucasse e acabaram encontrando essa segurança no seu QB de practice squad.

O segundo tempo, e principalmente o quarto período, já não foram tão bons. Rypien pareceu não entender o momento do jogo e o placar que dava duas posses de frente pra Denver, e fez jogadas arriscadas que levaram a 2 interceptações. Poderia ter custado o jogo, mas ele e o resto do time não se deixaram abater e foram pra virada.

Garett Bolles continua a adicionar jogos bons ao seu ano de 2020 e Melvin Gordon marcou o TD para fechar de vez o placar. Demar Dotson teve um desempenho razoável – o que é um baita elogio quando comparado com Elijah Wilkinson.

Jerry Jeudy envergonhou um homem em rede nacional, arrancando a bola de suas mãos e andando de costas pra endzone, com a encaradinha que você odeia quando é o adversário, mas ama vindo do jogador do seu time.

Mesmo com o rookie brilhando, o homem de segurança de Brett Rypien foi Tim Patrick, que teve o melhor jogo da carreira acumulando 6 recepções em 7 targets para 113 jardas e 1 touchdown (num passe perfeito de Rypien).

Rypien teve seus momentos ruins, afinal lançou 3 interceptações, mas também completou 19 passes para 242 jardas e 2 touchdowns. Melvin Gordon correu 23 vezes para 107 jardas e 2 TDs, incluindo o que acabou com o jogo.

Com todos os altos e baixos, interceptações e faltas bobas por intentional grounding, o ataque dos Broncos ainda produziu 37 pontos, sem nenhum turnover forçado pela defesa e Sam Martin foi pro punt apenas uma vez. Esse foi com certeza um jogo estranho.

Na defesa, os Broncos abriram o jogo sendo envergonhados por Sam Darnold que correu 46 jardas, quebrando múltiplos tackles, numa jogada em que deveria ter sido sacado por Alexander Johnson. O nosso LB não perdoou algumas jogadas mais tarde quando teve a oportunidade do sack.

Mesmo com o começo embaraçoso, a defesa se encontrou durante o jogo, não cedendo mais nenhum TD – os Jets anotaram os outros 21 pontos em uma pick six e cinco field goals. O rookie Essang Bassey acabou perdendo a vaga de nickel durante o jogo, após Darnold encontrar nele um ponto fraco na defesa.

DeVante Bausby entrou e não decepcionou. Jogando como cornerback, mostrou a sua fisicalidade e, mesmo não jogando a partida inteira, teve 3 passes desviados e 3 tackles solo, além de ter dropado uma interceptação que fecharia o jogo para Denver.

Mas havia outro jogador destinado a esse papel. Bradley Chubb, que vêm sendo questionado (a meu ver injustamente) por parte da torcida, frequentou tanto o backfield dos Jets que já estava quase pra receber cartão de cliente. Fechou o jogo num sack na quarta descida, que lembrou a sua temporada de calouro.

Com exceção de Bassey até sua substituição (deixo claro que ele é um jogador interessante que precisa de tempo para ser desenvolvido) e da pataquada no TD de Darnold, a secundária teve uma partida excelente.

Michael Ojemudia vêm mostrando que valeu demais o investimento de capital de Draft ao ser escolhido na terceira rodada. Momento reclamação de arbitragem: a interferência de passe que marcaram, numa jogadaça do jovem corner desviando o passe, foi extremamente soft e inexistente.

Josey Jewell teve a sua melhor partida atuando pelos Broncos, acumulando 2 sacks, 8 tackles, 2 tackles for loss e 1 passe desviado. Bryce Callahan também teve um jogo muito bom, principalmente depois da entrada de Bausby, o que permitiu que ele cobrisse o slot, claramente onde o veterano se sente mais confortável. Parecia outra pessoa jogando por ali e, em alguns momentos, lembrou um outro corner que fez carreira em Denver e que saiu do time recentemente.

A linha defensiva foi surpreendentemente bem defendendo contra corrida, mesmo com todos os remendos. Além de Shelby Harris e Mike Purcell, os Broncos estavam limitados na rotação da DL com Jurrell Casey fora da temporada e Dre’Mont Jones e DeMarcus Walker no IR enfrentando lesões.

Quando o assunto foi pressão no quarterback, Vic Fangio mudou bastante a estratégia nesse jogo. É de conhecimento geral que não é um HC que tradicionalmente manda blitz, mas neste jogo abusou das chamadas em Sam Darnold, enviando pressão extra em 40% das oportunidades. Os Broncos conseguiram 6 sacks e 14 pressões no QB (de acordo com o Next Gen Stats). O que falta pra essa defesa são os turnovers.

No special teams, tivemos um jogo quase limpo, com exceção de uma falta de Joe Jones que deu um first down de graça pros Jets. Martin teve apenas um punt de 49 jardas, Diontae Spencer quase conseguiu seu primeiro TD como retornador dos Broncos (se o rookie Tyrie Cleveland tivesse bloqueado o punter, Spencer estaria correndo até agora) e Brandon McManus foi tão bem que foi escolhido Jogador de Special Teams da Semana da AFC.

Ele foi perfeito na partida, acertando os 4 extra points que tentou e os 3 field goals, sendo dois para mais de 50 jardas no quarto período. McMoney valendo cada centavo do novo contrato.

No final do jogo, Vic Fangio mandou todo mundo rapidamente pro vestiário e não apertou a mão de Adam Gase. Muita gente não entendeu o que aconteceu ali no final do jogo, então vou tentar explicar como entendi.

Em primeiro lugar, Gregg Williams (coordenador defensivo dos Jets) é conhecido por muitos como o coach mais sujo da liga. Já foi suspenso por tempo indeterminado (a punição durou um ano) por estabelecer um sistema de recompensas financeiras pra jogadores que dessem hits ilegais em adversários e os machucassem, num sistema que teria durado três anos (2009 a 2011). O escândalo ficou conhecido como Bountygate.

Os Jets ajudaram bastante os Broncos na partida, contribuindo com mais de 100 jardas em faltas, 7 first downs de graça e 6 faltas pessoais. Mas preciso reclamar do final de jogo.

Primeiro: Denver recebeu a bola após o turnover on downs dos Jets com 1:03 no relógio, estando 2 posses à frente no placar. Na melhor das hipóteses, usando todos os timeouts, os Jets receberiam a bola com menos de 10 segundos no relógio. Nessa situação, os técnicos não usam os timeouts e permitem que o adversário ajoelhe e encerre o jogo. Adam Gase usou todos os seus timeouts, deixando claramente toda a sideline de Denver irritada. O próprio Rypien mostrou bastante irritação em campo por isso.

Então, após os timeouts dos Jets acabarem, com 13 segundos no relógio, Denver fez uma estratégia comum: o QB faz o dropback e lança a bola fora, para tirar mais alguns segundos extras do relógio na quarta descida e entregar a bola pro adversário com menos tempo no relógio.

Muitos questionaram o motivo de não ir para um punt nesse caso. É tudo uma questão de quantas oportunidades você vai ceder pro seu adversário. Um punt é uma oportunidade: pode ser bloqueado, pode ser retornado para TD. Ou seja, é uma oportunidade extra.

Mas Rypien fez o dropback, jogou a bola fora e foi atingido por um jogador adversário, que queimou a largada. Com a falta por offside, Denver ganha mais uma oportunidade de queimar mais uns segundos extras no relógio com mais um dropback e uma bola jogada fora. Novamente, Rypien é acertado pelo adversário. E dessa vez com um hit sujo, que nos lembra bem quem é o coordenador defensivo adversário. A falta pessoal foi marcada e Rypien ajoelhou uma última vez para sua primeira vitória.

Fangio disse que saiu de campo antes do final do jogo sem apertar as mãos de Gase para evitar confusão, porque a sideline dos Broncos estava extremamente irritada com os Jets acertando Rypien totalmente sem necessidade. Não me surpreenderia se parte disso também tenha sido a própria irritação de Fangio com os acontecimentos do final do jogo.