Análise dos setores – Semana 4 – @Jets

Saudações, torcedores dos Broncos! Finalmente vencemos: 37 a 28 contra o New York Jets. Vamos analisar cada um dos setores da equipe para saber o que deu certo e o que deu errado na partida.

Os dados aqui utilizados foram extraídos do site da ESPN norte americana (link aqui).

Ataque

Toda vez que olhamos o placar ao final de uma partida e vemos que a pontuação dos Broncos tem dois dígitos e o primeiro deles é 3 ficamos extremamente surpresos. Sim, caro leitor, marcamos 37 pontos! Ok, sei que foi contra o New York Jets, mas isso reflete a evolução do ataque conforme os jogos acontecem, com exceção do papelão de Jeff Driskel contra os Buccaneers (relembre aqui).

A primeira coisa que me chama a atenção é o balanço entre corridas e passes. Ao contrário do que previa, Pat Shurmur vêm chamando consistentemente mais de 40% de corridas nas partidas. Contra os Jets, foram 27 corridas de um total de 63 snaps, o que nos dá 43% de chamadas de corrida. Note que estou considerando as “5 corridas” de Brett Rypien como scrambles em chamadas de passe. Pelo chão, conquistamos 117 jardas (média de 3,7 por carregada) e 2 TDs. A média de jardas por tentativa é boa, mas olhando além notamos que o jogo corrido não é tão constante assim. Foram muitas as oportunidades em que os Broncos ganharam 2 jardas ou menos, o que se deve principalmente à inaptidão da “OL” em abrir buracos para os RBs, que foram tackleados atrás da linha de scrimmage 7 vezes. De qualquer forma, o equilíbrio entre corridas e passes trouxe dois benefícios aos Broncos. Primeiro, sem poder manter box pesados, os Jets eventualmente cederam big plays por terra, como no TD derradeiro de Melvin Gordon para 43 jardas. Segundo, sem poder manter formações nickel e dime por muito tempo, os Jets também cederam jardas pelo ar.

Brett Rypien passou a bola 31 vezes e completou 19 passes (61%), para 242 jardas (média de 7,8 jardas por tentativas), 2 TDs e 3 INTs. Vamos esquecer as INTs por um minuto, pois já falarei delas. Rypien conseguiu mover a bola pelo ar com bastante competência, conectando com 7 recebedores diferentes e pontuando (TDs) em 2 das 4 oportunidades na red zone. Também teve uma química muito boa com a “OL” em termos de ajuste de proteção. Nesse quesito, nossa “OL” foi bem, permitindo 0 sacks e apenas 5 QB hits. Bolles está calando minha boca e Demar Dotson estabilizou bem o lado direito. Quando reunimos todos os pontos positivos, é fácil entender os 37 pontos contra os Jets: equilíbrio entre corridas e passes, boa proteção da “OL” ao passe, QB que consegue ajustar a linha, ler a defesa e mover a bola. Não tem muito segredo. Quando se está jogando com o QB reserva, esse é o beabá a ser seguido se você quer ter alguma chance de vencer a partida. O jogo de Rypien poderia ter sido impecável, não fossem os erros crassos.

As três INTs foram absurdamente ridículas e até agora estou tentando entender o que Rypien viu nos lances. Na INT em que fez scramble haviam simplesmente dois defensores na frente do recebedor dos Broncos. Nas outras duas, foram leituras horrendas em jogadas iguais, nas quais você recebe instruções básicas de leitura no tutorial do Madden. O que me deixou feliz depois disso tudo foi que, mesmo entregando a paçoca três vezes, Shurmur colocou confiança em Rypien e mandou soltar o braço em duas tentativas seguidas de big play. Numa DeSean Hamilton não conseguiu localizar a bola (mas foi um belo passe) e noutra Rypien conectou um belo passe para Tim Patrick em um momento delicado da partida (veja no tweet abaixo). A montanha-russa de emoções do ataque na partida contra os Jets reflete bem a inconstância dessa jovem unidade, mas é notável que estamos fazendo progresso.

Defesa

Como quero muito elogiar a defesa, vou deixar primeiro a principal e talvez única lambança na partida: o TD inaceitável de Sam Darnold (no tweet abaixo). Durante a partida, discuti com a nossa editora Bruna Gonçalves sobre quem fez mais bobagem na perda do tackle, Alexander Johnson ou Justin Simmons. Mas revendo o lance, estou tentando até agora entender o que se passou na cabeça de Kareem Jackson, que simplesmente assistiu passivamente a jogada. Patético!

Passado a corneta, que jogo da defesa! Não permitiu qualquer outro TD do ataque dos Jets (o outro foi uma pick six), incluindo as 3 viagens do adversário à red zone. Nosso front seven, mesmo baleado, é um dos melhores da NFL. Tirando a corrida de 46 jardas para o TD de Darnold, permitiram 83 jardas em 23 corridas (média de 3,6 jardas por corrida), anotou 8,5 tackles para perda de jardas e mandou muita pressão para cima do QB dos Jets. Ao contrário das partidas anteriores, mandamos “calor” para cima do adversário com 6 sacks e 10 QB hits. Esse foi o maior diferencial da partida, exatamente aquilo que faltou nas partidas anteriores quando os QBs adversários ficaram muito tranquilos no pocket.

Também gostei muito da secundária, que teve coberturas boas e deu tempo para a pressão chegar no QB. Permitiu que apenas 25 dos 44 passes fossem completados (57%) para 246 jardas (média de 9,8 jardas por tentativas), com impressionantes 6 passes defendidos. O número de jardas não é exatamente baixo, mas estão inflados por duas big plays dos Jets e a verdade é que o adversário não foi efetivo pelo ar. Muitas dessas jardas vieram pelo fato de que os Jets tiveram que passar bastante por estarem atrás do placar. Quando pareciam que teriam algum sucesso pelo ar, Fangio logo fez ajustes e trocou Essang Bassey (em noite ruim) por De’Vante Bausby, que fez uma bela partida e acabou com a graça do adversário. Tenho gostado bastante do trabalho feito com nossa defesa até aqui.

Time de especialistas

Ótimo jogo do nosso ST, sem os tradicionais sustos ou trapalhadas. Sam Martin apareceu apenas uma vez na partida com um belo punt de 49 jardas. Diontae Spencer teve um retorno de kick off ruim para apenas 17 jardas, mas teve um retorno magnífico de punt para 41 jardas, que só não levou até a end zone porque Tyrie Cleveland bloqueou o Gasparzinho. Por último, que homem é Brandon McManus! Acertou todos os 3 FGs tentados, incluindo duas patadas para 53 e 54 jardas. Finalizo esta análise deixando uma dessas patadas para o leitor apreciar.

Conclusões

Foi uma partida que reflete muito o que são os Broncos de 2020: muitos pontos positivos intercalados com erros crassos que podem colocar tudo a perder. Nesta quinta, tais erros não foram suficientes para perdermos para os Jets e conquistamos a primeira vitória da temporada. Entretanto, faço aqui o mesmo que nas derrotas e relevo o resultado da partida. Com tantas lesões de titulares (Noah Fant acaba de entrar para a lista) é muito difícil imaginar que os Broncos jogarão a pós-temporada e o que importa é analisar o desempenho do time. É notável o crescimento da equipe em todos os setores, principalmente com jogadores jovens assumindo a responsabilidade na ausência dos veteranos lesionados. O trabalho da comissão técnica (ainda estou de olho em você, Tom McMahon) é muito bom, e destaco aqui Pat Shurmur que aos poucos vai dando fluidez ao ataque. Os erros são normais em uma equipe tão jovem, mas aos poucos parecem estar sendo polidos, o que me traz otimismo olhando para o futuro.

Estas foram as minhas análises de cada um dos setores na vitória sobre os Jets. Deixem suas impressões na seção de comentários. Nos vemos em breve. Go Broncos!