Lá Vem A Bronca – vs Buccaneers

Saudações torcedores e torcedoras do laranja e azul de Denver! Mais um jogo, mais uma derrota do Denver Broncos. Jogando com Jeff Driskel como titular, os Broncos perderam em frente a 5.700 torcedores no Empower Field at Mile High.

Jeff Driskel não respondeu bem à oportunidade de ser titular por alguns jogos. Após encontrar ritmo contra os Steelers na semana 2 e apresentar um desempenho aceitável, desmoronou completamente enfrentando um adversário que já sabia que seria ele o signal caller.

A receita foi clara e simples: mandar tanta blitz pra cima de Driskel e da nossa linha ofensiva quanto possível. Dos 51 dropbacks de Driskel contra os Bucs, em 30 a defesa enviou 5 ou mais jogadores pra cima do QB, sendo que em nove dessas 30, foram 6 jogadores na blitz.

O processamento mental lento do quarterback, a incapacidade fazer a leitura da defesa, de evoluir nas leituras de campo de forma rápida, de soltar a bola rápido e de jogar a bola fora, levaram a 5 sacks (o sexto foi em Rypien), 1 safety, 10 QB hits e 1 INT (Rypien lançou a outra).

Driskel acabou substituído no final da partida e os Broncos tiveram uma amostra do segundanista Brett Rypien, que foi o suficiente pra que fosse escolhido pra ser o titular na quinta-feira contra os Jets.

Rypien teve um drive apenas, em que soltou a bola rápido, mostrou que consegue identificar blitz e completou todos os seus passes até lançar uma interceptação na endzone forçando um passe em quarta descida.

A linha ofensiva também teve dificuldades de segurar toda essa pressão durante todo o jogo, sofrendo muito com stunts, principalmente na conta do center rookie Lloyd Cushenberry. Pra completar, perdemos Elijah Wilkinson por algumas semanas com uma fratura na perna e o depth de OT está comprometido.

A defesa sofreu principalmente pelo pass rush ainda não ter encaixado na temporada. Temos que ter paciência com Bradley Chubb, pois está voltando à forma depois de sofrer uma grave lesão. Isso, somado à ausência de Von Miller, torna o pass rush ineficiente. Dando tempo demais pra QBs como Tom Brady, não há cobertura que aguente.

A defesa contra o jogo corrido teve uma boa partida, limitando Ronald Jones e Leonard Fournette a 68 jardas no total em 20 tentativas de corrida.

Mas aí perdemos Jurrell Casey pro resto da temporada e o depth da nossa DL, que era uma das forças do time, está totalmente abatido por lesões com Dre’Mont Jones e DeMarcus Walker também indo pro IR. Jogadores como DeShawn Williams e o rookie McTelvin Agim vão ter que dar um passo à frente.

Lesões tem sido o destaque de uma temporada em que esperávamos que o time desse um passo à frente. A lesão de Lock evidenciou uma fraqueza que já destacávamos há tempos: o QB reserva não era bom o bastante pra ganhar jogos se Lock ficasse de fora por algum tempo.

Elas tem feito muita gente duvidar do processo em que os Broncos estão. Duvidar da comissão técnica, duvidar de jogadores jovens, duvidar do futuro que imaginávamos quando esse time foi montado. Falta perspectiva pra muitos torcedores.

Quando você perde o QB titular (Lock), o principal OLB (Von Miller), com o outro OLB retornando de lesão (Chubb), o WR número 1 (Sutton), o CB número 1 (Bouye), o jogador mais explosivo do ataque (Lindsay), o RT que está jogando já era o reserva porque o titular optou por não jogar a temporada (James) e esse reserva também se machuca (Wilkinson)… O que podemos realmente esperar que os técnicos façam?

Contra os Titans e contra os Steelers, a defesa deu uma chance ao time e o ataque chegou perto, em ambas as partidas, de capitalizar uma vitória. Contra os Buccaneers, o ataque dos Broncos sem Drew Lock e Courtland Sutton nem entrou em campo.

Minha maior crítica é ao time de especialistas, que abriu o jogo com um punt bloqueado, que deu campo curto aos Bucs, que capitalizaram com um touchdown. Quando você joga sem o quarterback titular, os erros de todos os outros jogadores e setores devem ser evitados ao máximo se o time quer uma vitória. Esse erro logo no começo do jogo foi um balde de água fria.

Enquanto Lock não voltar, o que pode acontecer na semana 5 ou 6, de acordo com Fangio, os Broncos precisam minimizar erros.

A frustração do torcedor é compreensível. Esperávamos bastante do nosso time e agora estamos 0-3. Mas é preciso ver que a maioria dos jogadores em cima de quem criamos tais expectativas, está agora na sideline sem poder jogar. Chamar o time de mal treinado porque os jogadores que substituem as principais estrelas do time não conseguem jogar no mesmo nível é no mínimo injusto.

Tantas lesões são também uma oportunidade. Pra cada jogador que perde jogos, tem um outro jogador jovem buscando aproveitar a chance de ter mais snaps. Os Broncos podem se aproveitar disso para desenvolvê-los e, quem sabe, encontrar um diamante bruto, como tantas vezes já encontramos antes.

Boa sorte aos calouros que estão recebendo mais oportunidades. Boa sorte para Brett Rypien que fará sua estreia como titular na NFL, para Jerry Jeudy, KJ Hamler, Michael Ojemudia e Lloyd Cushenberry, que são todos titulares como calouros, pra McTelvin Agim, que agora deve ter mais oportunidades de jogar com a defesa. Para Essang Bassey, que como um rookie não-draftado, está vendo mais o campo do que qualquer outro jogador.

Boa sorte pro DeShawn Williams, que achava que iria jogar na CFL esse ano e agora está num roster ativo na NFL (e teve um passe desviado crucial), pro Anthony Chickillo que teve uma boa estreia no time depois de ser pego no practice squad dos Saints. Pro Deyon Sizer, que até semana passada não tinha time, assinou com o practice squad dos Broncos e agora deve ser ativado. Pro Demar Dotson, que vai ter uma oportunidade de provar que ainda tem gasolina no tanque.

A mentalidade de next man up (próximo homem em pé/disponível) nunca foi tão necessária quanto em 2020 pros Broncos.