Análise dos setores – Semana 2 – @ Steelers

Saudações torcedores dos Broncos! Perdemos mais uma e acumulamos lesões importantes que vão impactar o time no restante da temporada. Mas o importante agora é analisar ataque, defesa e ST para saber o que deu certo ou errado na partida contra os Steelers.

Os dados aqui utilizados podem ser encontrados no site da ESPN norte-americana (link aqui).

Ataque

Notei o descontentamento de muitas pessoas com Pat Shurmur e o jogo que chamou. Humildemente, discordo disto e acho que nosso OC teve um baita de um jogo, ainda mais considerando que jogou praticamente toda partida com Jeff Driskel no comando do ataque. Shurmur colocou o QB reserva em situações simples e com opções de passe na grande maioria das situações. Inclusive na fatídica quarta descida que encerrou a partida, com Melvin Gordon e Tim Patrick abertos na cara de Driskel (veja no tweet abaixo). Mas QB reserva é assim mesmo e teremos de conviver com isso por mais um tempo.

De qualquer maneira, Driskel teve um desempenho de respeito, completando 18 de 34 passes tentados (53%), para 256 jardas (média de 7,5 jardas por tentativa), 2 TD e 1 INT. A interceptação, inclusive, pode entrar na conta de Courtland Sutton que dropou a bola de forma tosca. Foram 7 recebedores diferentes, sendo 5 passes para mais de 15 jardas e 3 para mais de 20 jardas. Some a isso nossas 104 jardas terrestres em 26 carregadas (média de 4 jardas por tentativa) e vemos que esse ataque consegue mover a bola e conseguir big plays, mesmo com o QB reserva. O desenho da jogada do TD de Noah Fant e a wheel route de Melvin Gordon no segundo TD foram pinturas de se ver, ambas com um toque maravilhoso colocado na bola por Driskel.

Entretanto, três pontos ainda seguram esse ataque. Primeiro é a taxa medíocre de conversão de terceiras descidas: 5 de 15 (33,4%) contra os Steelers; Segundo é a baixa eficiência na redzone, marcando apenas 1 TD em 4 destas situações na partida e é algo que já havia apontado no post da semana passada (link aqui). É um ataque jovem e em início de trabalho, mas é um ponto que eu continuo de olho. E o terceiro ponto é a “linha ofensiva”, que voltarei a nomear sempre entre aspas aqui até que mereça a retirada. A “OL” permitiu hediondos 7 sacks, 13 tackles para perda de jardas e 19 QB hits! Está certo que enfrentamos um front seven de elite e muito agressivo, mas estes números são inaceitáveis. A atuação de nossos OT foi pífia, em especial de Elijah Wilkinson que definitivamente não possui o atleticismo necessário para enfrentar edges elite. Mas o que mais pesou talvez tenham sido as atuações muito ruins de Dalton Risner e Lloyd Cushenberry, que cederam pressão excessiva pelo miolo da linha. Sem ao menos o interior da OL ser confiável como imaginamos, ficou difícil Driskel ter qualquer respiro no jogo.

Em resumo, o que vimos do ataque nas duas partidas do início da temporada mostram muita evolução em relação ao ano passado, mas ainda falta bagagem e polimento aos nossos meninos para essa unidade poder decolar. Ah, e um novo par de OT, por favor!

Defesa

De maneira geral, nossa defesa fez um trabalho bastante bom no jogo de domingo. As coberturas foram muito bem feitas em grande parte do tempo, como pode ser visto na INT de Justin Simmons no tweet abaixo. Big Ben completou 29 de 41 passes (70,7%) para 311 jardas (média de 7,6 jardas por tentativa), 2 TD e 1 INT e, tirando o passe de 84 jardas no TD de Chase Claypool, temos apenas 5,7 jardas por passe tentado, o que é baixo. Da mesma forma, nosso front seven foi forte contra o jogo corrido e, tirando uma corrida de 59 jardas de James Connor, os Steelers correram 21 vezes para pífias 50 jardas (média de 2,4 jardas por carregada). Então notamos que temos uma unidade defensiva sólida e que desta vez conseguiu forçar 2 turnovers, o que também foi chave para nos mantermos vivos até o fim da partida.

Mas o fato é que não dá para descontar todas as big plays do adversário toda vez que analisarmos o setor, principalmente quando elas dão 6 pontos ao adversário. Vic Fangio vem fazendo um bom trabalho e procura passar confiança aos jovens que foram jogados aos leões muito cedo, mas precisa ter a sensibilidade de dosar isso. Michael Ojemudia tem dificuldades em marcar mano a mano e isso é notável e sabido desde o processo do Draft. É preciso fazê-lo dominar melhor essa arte antes de o expor demasiadamente. No entanto, Fangio colocou Ojemudia homem a homem, sem proteção de S, contra um WR mais alto e mais rápido em sua segunda partida na NFL. O resultado, como podem ver no tweet abaixo, foi um TD de 84 jardas. Obvio que se o nosso calouro quer ser alguém na liga têm que enfrentar estas situações, mas nosso HC poderia fazer esse processo de amadurecimento ser mais suave.

Outro problema do setor defensivo é a falta de pressão no backfield adversário. Mesmo sem Von Miller, nosso front seven tem material humano para mais que 1 sack, 5 tackles para perda de jardas e 3 QB hits. Roethlisberger teve bastante tranquilidade no pocket durante boa parte da partida, o que ajudou a conduzir um dink and dunk muito efetivo. Falta mandar um pouco mais de calor pra cima do QB, de modo que a defesa como um todo possa brilhar mais.

Special Teams

Após uma primeira partida primorosa, o ST foi mal na tarde de domingo. Sam Martin meteu o pé algumas vezes no traseiro da vaca e teve uma média de 42,2 jardas por punt, tendo somente 1 de 4 morrido dentro da linha de 20 jardas do adversário. A unidade de punts ainda cedeu um safety ridículo aos Steelers, numa jogada em que não entendi se Martin chamou o snap antes do tempo ou se Bobenmeyer (LS) fez o snap antes da hora. Qualquer que tenha sido a causa, esses 2 pontos foram a diferença entre precisarmos de um FG ao invés de um TD para empatar a partida, portanto o ST teve peso na derrota. Brandon McManus converteu os 2 PAT e 2 de 3 FG, sendo que errou um de 58 jardas e, particularmente, perdôo erros do K em situações de 50 ou mais jardas.

As coberturas de retornos também foram ruins nas duas fases. Em retornos dos Broncos, conseguimos média de 7,5 jardas por punt (até aí, ok) e apenas 18,7 jardas por retorno de kickoff, ou seja, menos que um touchback. Já os Steelers retornaram 12,5 jardas por punt e 29,3 jardas por kickoff. É necessário melhorar as coberturas para dar posições de campo mais vantajosas para ataque e defesa.

Conclusão

O roteiro é o mesmo da primeira partida: há muitos pontos positivos a serem extraídos dessa derrota para os Steelers, mas continuamos pecando muito nos detalhes. Falta polimento nas três fases do jogo para esse Denver Broncos se tornar um time consistente. Na minha visão, o único problema estrutural grave e crônico é a “OL” que continua a permitir que nossos QBs sejam massacrados, mas isto é algo que possivelmente só será curado com um novo par de OT no ano que vem. De resto, há de se ter um pouco de paciência com esse time que tem muito talento, mas é jovem e ainda cru. É muito importante agora que todos torçam muito por uma recuperação rápida de Drew Lock, que ficará de 3 a 5 semanas fora com uma lesão no ombro. Não que seja o salvador da pátria, mas sim a peça que mais deve ser avaliada este ano, independente de resultados, para que possamos traçar um plano futuro certeiro que nos leve de volta aos jogos de janeiro e, quem sabe, no de fevereiro também.

Estas são minhas análises de cada setor. Deixem as suas na seção de comentários. Nos vemos em breve. Go Broncos!