Conhecendo Albert Okwuegbunam

Saudações torcedores e torcedoras do laranja e azul de Denver! Na quarta rodada do Draft de 2020, os Broncos fizeram a escolha por reunir Drew Lock com um velho amigo: Albert Okwuegbunam, TE de Missouri, com quem Lock jogou por dois anos no college. Vamos conhecer nosso mais novo tight end.

Primeiros anos

A primeira coisa que chama a atenção em nosso TE rookie é o nome. Albert Chukwueneka Okwuegbunam nasceu em Springfield, Illinois e é filho de Albert, um imigrante nigeriano que chegou aos Estados Unidos com 19 anos, de onde vem os sobrenomes incomuns.

O nome do meio, Chukwueneka, significa “Deus fez coisas maravilhosas por nós”, enquanto Okwuegbunam pode ser traduzido como “O mal não pode nos derrotar”.

Muitos o chamam apenas de Albert “O” pela dificuldade de pronunciar o nome e o apelido é “Chuks” (abreviação do segundo nome). Mas vamos tentando aprender a falar o nome aos poucos. A pronúncia correta é O-coo-WAY-boo-nham de acordo com o site dos Broncos. Não é tão difícil quanto parece. Zach Bye, insider dos Broncos, fez um vídeo ensinando como falar o nome do garoto.

Okwuegbunam frequentou a Sacred Heart-Griffin High School, em Springfield, onde jogou como wide receiver. Foi considerado um recruta de 3 estrelas saindo do high school e recebeu ofertas para jogar em diversas universidades como Iowa, Iowa State e Indiana, mas acabou optando por jogar na SEC com os Missouri Tigers. Albert Okwuegbunam é o primeiro jogador de sua escola a ser draftado pela NFL.

Okwuegbunam no College

Em 2016, em sua primeira temporada em Missouri, Albert Okwuegbunam foi redshirt, ficando um ano sem jogar para ganhar massa muscular e fazer a transição para a posição de tight end. Nessa época, Drew Lock era sophomore e teve sua segunda temporada como QB titular dos Tigers.

Ao ver o campo pela primeira vez em 2017, Okwuegbunam chegou fazendo muito barulho na SEC. Teve 29 recepções na temporada para 415 jardas e 11 touchdowns em apenas 9 partidas, estabelecendo uma forte conexão com o QB dos Tigers logo de cara.

A boa impressão sobre Okwuegbunam rendeu premiações na melhor conferência do College Football, ao ser nomeado Second-Team All-SEC e também como Freshman All-SEC. Os 11 touchdowns recebidos em 2017 foram o maior número para o TE no país e também o maior número por qualquer recebedor no primeiro ano de elegibilidade.

Em 2018, foi nomeado ao John Mackey Award, que premia o melhor TE do college football, mas sofreu uma lesão no ombro no jogo contra Florida que reduziu sua temporada, o que atrapalhou suas chances. Mesmo assim, foi a melhor temporada de Albert Okwuegbunam com os Tigers, tendo melhores marcas da carreira com 43 recepções e com 466 jardas e, apesar de não ter batido os 11 touchdowns da temporada anterior, teve respeitáveis 6 TDs em 9 jogos.

Após a temporada de 2018, Drew Lock foi para a NFL e Kelly Bryant, transferido de Clemson, assumiu a titularidade do Mizzou Tigers. Bryant teve apenas 2215 jardas, 15 TDs e 6 INTs.

Desses números, Okwuegbunam foi responsável por 306 jardas e 6 TDs em 26 recepções, jogando apenas nove partidas novamente (por conta de uma lesão) e tendo o maior número de TDs do time no ano.

Mesmo com qualidade abaixo da média na posição de QB em seu último ano no College, os números da carreira são impressionantes. Okwuegbunam teve 23 TDs recebidos em apenas 33 jogos, o que é a segunda melhor marca da universidade (o TE Chase Coffman teve 30, mas jogando em 4 temporadas), além de 98 recepções para 1187 jardas em três temporadas. Teve média de 12,1 jardas por recepção na carreira, recebendo um touchdown a cada 4,2 recepções, a melhor marca da história da universidade. Tem a melhor marca da universidade em jogos com múltiplos TDs (6).

Processo Pré-Draft

Após a temporada de 2018, Albert Okwuegbunam era visto como potencialmente um dos melhores tight ends da classe seguinte, sendo considerado por alguns analistas como potencial first round pick.

O que se espera de um jogador em seu último ano antes de ir para a NFL é que mostre evolução em relação aos anos anteriores. Okwuegbunam deu um passo para trás em relação às temporadas anteriores, o que reduziu seu apelo para a NFL e as lesões que o fizeram perder jogos no College também fizeram seu stock cair e os times não o considerarem nos dois primeiros dias do Draft.

Mas se ajudou em outra instância. No Combine, seu tempo de 40 jardas, corridas em 4,49 segundos, foi o melhor entre os TEs de 2020, o melhor desde 2017 quando Evan Engram teve o tempo de 4,42 segundos e é também o quarto melhor tempo de um TE desde 2003.

Suas medidas no Combine também foram boas: 1,96 metros (6′ 5″), pesando 117 quilos (258 libras), os braços mediram 87 centímetros (34 1/8″) e as mãos 26 centímetros (10 1/4″).

No Guia do On The Clock, Albert Okwuegbunam foi ranqueado como o 75º melhor prospecto da classe e o quarto melhor TE. Nas avaliações em geral, os atributos físicos são o que se destacam tendo peso, altura e atleticismo ideais pra NFL.

No jogo aéreo, seu jogo precisa de muito refino. Terá que trabalhar suas rotas, que são talvez seu pior atributo. Tem boas mãos e poucos drops na carreira, mas apesar de todo o seu físico de destaque, não se dá bem em bolas divididas, aquelas que o Sutton é mestre, já que falta agressividade para atacar a bola nessas situações.

Nos bloqueios Okwuegbunam já mostrou muita evolução ao longo da carreira no College. Tem bom pad level ao bloquear e precisa melhorar o posicionamento de pés, sendo melhor bloqueando para jogo terrestre do que aéreo.

Era visto pelos analistas em geral como um TE número dois ou mesmo um potencial titular, precisando ser desenvolvido. Nos Broncos, terá bastante espaço para crescimento e pouca pressão para desempenhar em alto nível logo de cara, por ter Noah Fant à sua frente.

Okwuegbunam nos Broncos

Antes do Draft do ano passado os Broncos contavam com Jeff Heuerman, Troy Fumagalli, Jake Butt e companhia como esperanças de bom desempenho na posição. Após nenhum desses jogadores se mostrar capaz de suprir a carência na posição que data da saída de Julius Thomas após a temporada de 2014, os Broncos deram uma repaginada total no grupo de TEs nos dois últimos anos.

Seguindo a tendência de dar armas a Drew Lock, John Elway buscou Albert Okwuegbunam na quarta rodada (pick 118) do Draft de 2020. Após draftar dois WRs nas primeiras duas rodadas e um center na terceira, os Broncos deram a Drew Lock seu alvo preferido na universidade.

Com a sua chegada, os Broncos agora tem o TE mais rápido das classes de 2019 e de 2020.

Top Gun (1986)

Fato interessante é que John Elway disse ter ligado para Drew Lock na manhã do terceiro dia do Draft, para perguntar sobre o ex colega de time e pegar o “selo de aprovação” de Lock, que era próximo a Okwuegbunam no College.

Lock falou sobre seu novo/velho colega de time:

Eu acho que entre mim e o Albert, provavelmente começou só com a pessoa que era fora do campo. Eu gosto de me cercar de bons teammates, bons caras fora de campo. Isso é exatamente o que Albert é. Uma vez que desenvolvemos uma amizade fora de campo, eu acho que apenas se moldou dentro de campo. Eu acho que o que faz o Albert tão especial é quão inteligente ele é e como ele encontra lugares no campo. Realmente, ele na red zone, você pode encontrar vários vídeos de nós em Mizzou em rotas corner, jogar a bola alto pra ele e deixar ele ir buscar. Ele é um ser humano massivo. Quando vocês finalmente o verem pessoalmente, vocês perceberão isso. Ele é muito atlético, pode ir lá em cima e pegar a bola e se move muito bem como vimos no Combine.

Como eu disse no tópico acima, Okwuegbunam precisa de tempo investido em seu desenvolvimento e estar em um grupo cheio pode ser positivo nesse aspecto. Após draftar Noah Fant ano passado e de contratar Nick Vannett na free agency desse ano, os Broncos completaram a alteração do grupo de TEs do time com a chegada de Okwuegbunam.

Assim como dissemos sobre Noah Fant ano passado, não podemos esperar muita coisa de um TE rookie, já que é uma das posições mais difíceis de se aprender no jogo. Para efeito de reflexão, um TE tem que aprender o que um WR aprende como recebedor e o que um OL aprende como bloqueador.

Como complicador, Okwuegbunam chega a um grupo lotado, com um jogador de primeira rodada e um veterano recém-chegado à sua frente.
E há também o esquema de Pat Shurmur, que o prejudica por geralmente usar formação 11 (1 RB, 1 TE, 3 WRs) na maior parte do tempo, o que deve limitar seus snaps em campo.

Mas o jogador tem seu valor como bloqueador, apesar de precisar ser polido nesse aspecto, traz do College uma química impressionante com o QB Drew Lock e muita produção dentro de campo. Albert Okwuegbunam é mais uma arma muito interessante em situações de red zone e que dá um depth interessante para a posição.