Conhecendo AJ Bouye

Saudações torcedores e torcedoras do laranja e azul de Denver! Os Broncos se moveram antes de todo mundo nessa offseason e adicionaram o cornerback AJ Bouye vindo do Jacksonville Jaguars em troca de uma escolha de quarta rodada. Bouye chega no time considerado como um encaixe perfeito no esquema de Vic Fangio, melhorando uma secundária que está para perder Chris Harris Jr. Vamos conhecer nosso novo corner?

Início de carreira

AJ Bouye nasceu em Tucker, Georgia, no dia 16 de agosto de 1991 (terá 29 anos quando a temporada 2020 começar). Frequentou a Tucker High School e foi para a University of Central Florida (UCF Knights) onde jogou futebol americano de 2009 a 2012.

Após uma temporada de freshman onde jogou apenas 6 jogos, viu seu papel expandir como sophomore (segundanista). Desviou oito passes, teve 26 tackles e uma pick six em 10 jogos pelos Knights. Como junior teve 21 tackles, duas interceptações e cinco passes defendidos. Mas foi como senior que teve seu melhor desempenho: em 14 jogos, foram 53 tackles, sendo 42 solo, três interceptações incluindo uma pick six e um fumble retornado para touchdown de 79 jardas.

Bouye na NFL

Apesar do bom desempenho em sua última temporada no college, AJ Bouye não ouviu seu nome ser chamado no Draft. Fechou com o Houston Texans como um jogador não-draftado, recebendo apenas 5 mil dólares de signing bonus. Aqui temos as primeiras conexões com os Broncos: o head coach dos Texans em 2013 era ninguém menos que Gary Kubiak, o coordenador defensivo era Wade Phillips e Bouye tinha a sua frente no depth chart o hoje safety dos Broncos Kareem Jackson.

Ao final dos training camps, Bouye garantiu um espaço no roster, sendo o quinto corner no depth chart da equipe. Como rookie, Bouye jogou em apenas 6 partidas, pois foi colocado na lista de machucados após uma lesão na posterior da coxa acabar com sua temporada.

Em 2014, em seu segundo ano na liga, Bouye venceu a competição instalada pelo novo head coach da equipe, Bill O’Brien, e se tornou o terceiro corner dos Texans, atrás dos titulares Jonathan Joseph e Kareem Jackson. Na semana 9 teve a melhor performance da carreira até então, combinando para sete tackles, um passe desviado e sua primeira interceptação na carreira, que retornou para um touchdown de 51 jardas. Terminou a temporada de 2014 com 59 tackles combinados, sendo 52 solo, 10 passes desviados, três interceptações, um touchdown, um tackle para perda de jardas, um fumble forçado e um fumble recuperado em 14 jogos, sendo seis como titular.

Em 2015, apesar da temporada anterior de Bouye ter sido de destaque, os Texans draftaram o cornerback Kevin Johnson na primeira rodada do Draft. Assim, Bouye perdeu a vaga de terceiro corner da equipe e teve menos tempo de jogo como consequência. Terminou a temporada regular com 16 tackles, sendo 15 solo, seis passes desviados e duas interceptações em 15 jogos, sendo dois como titular. Bouye jogou em um jogo de playoffs pela primeira vez na carreira, mas os Texans foram derrotados na rodada de Wild Card.

Em sua quarta temporada na liga, Bouye permaneceu com os Texans após receber uma tender por ser agente livre restrito. Trocou de número, da 34 para a 21, seu número no college (é o número que devemos esperar que utilize em Denver, já que está disponível com a saída de Theo Riddick).

Em ano de contrato, Bouye teve de longe sua melhor performance da carreira. Em 15 jogos, sendo 11 como titular, ele teve 63 tackles combinados (48 solo), 16 passes defendidos, uma interceptação, dois tackles para perda de jardas e um sack, além de ser o terceiro corner mais bem ranqueado pelas notas do Pro Football Focus. Os Texans foram para os playoffs e teve dois tackles, quatro passes desviados e uma interceptação na vitória sobre o Oakland Raiders e cinco tackles solo, dois passes defendidos e uma interceptação na derrota para o New England Patriots.

Na free agency, AJ Bouye foi bastante disputado, mas acabou fechando um contrato de cinco anos, valendo 67,5 milhões, sendo 26 milhões garantidos, com o rival de divisão Jacksonville Jaguars. De acordo com o jogador os Bears, onde Vic Fangio era coordenador defensivo na época, ofereceram mais dinheiro, mas os times da Flórida têm vantagem devido a questão de impostos.

Em Jacksonville, Bouye foi nomeado o cornerback titular da equipe formando dupla com Jalen Ramsey. Terminou sua primeira temporada com os Jaguars, onde foi titular os 16 jogos da temporada, com 56 tackles combinados (53 solo), impressionantes 18 passes desviados e seis interceptações, sendo nomeado para o Pro Bowl. Bouye jogou 100% dos snaps nos playoffs, onde os Jaguars venceram dois jogos e foram derrotados pelo New England Patriots no AFC Championship Game pelo placar de 24 a 20.

Após quase chegar ao Super Bowl em 2017, os Jaguars caíram de produção em 2018, terminando com um recorde de 5-11, marcando a última temporada de Blake Bortles como QB da equipe. Bouye jogou em 13 partidas, totalizando 54 tackles, uma interceptação e oito passes desviados.

Ano passado, os Jaguars contrataram o quarterback Nick Foles e draftaram Gardner Minshew, que acabou sendo o ponto forte da temporada, após Foles se machucar na semana 1 e ter um péssimo desempenho ao retornar no trecho final da temporada. Com grandes nomes na defesa e após pagar um contrato alto para Nick Foles, os Jaguars se complicaram no quesito cap space.

Jalen Ramsey, dupla de AJ Bouye, acabou trocado no meio da temporada para os Rams em troca de duas escolhas de primeira rodada e uma de quarta rodada, fazendo de Bouye o cornerback número 1 da equipe. Jogou em 14 partidas, capitalizando 65 tackles, sendo 50 solo, um tackle para perda de jardas e uma interceptação. Os Jaguars terminaram com recorde de 6-10, na última posição na AFC South.

Com os problemas de cap space, os Jaguars entraram em uma longa negociação com o Denver Broncos, resultando na troca do jogador em retorno de uma pick de quarta rodada, que os Broncos adquiriram dos 49ers no pacote que enviou Emmanuel Sanders para San Francisco (pick 127).

Bouye nos Broncos

AJ Bouye chega num momento em que Chris Harris Jr vai atingir a free agency e os Broncos perdem a referência do veterano na secundária. A troca é vista de forma muito positiva, pois se trata de um cornerback inquestionavelmente titular adquirido em troca de uma escolha de final de quarta rodada, pois pertencia originalmente aos 49ers que foram ao Super Bowl (ocupando a posição 31 em todas as rodadas do Draft).

Relembrando a troca com os 49ers, Emmanuel Sanders começava a causar problemas no vestiário e chegou a pedir para ser trocado. Os Broncos, então, enviaram Emmanuel Sanders e a pick original de quinta rodada (pick 157) em retorno das picks de terceira e quarta rodada de San Francisco (picks 95 e 137). Então, essencialmente, os Broncos trocaram Emmanuel Sanders e a pick número 157 em retorno da pick 95 (3rd round) e AJ Bouye. Nada mau, John Elway!

Para completar, AJ Bouye tem dois anos restantes em seu contrato. Como os Jaguars ficaram com todo o dead cap do contrato, os Broncos o recebem com média salarial anual de 13,5 milhões, valor aceitável para um corner titular na NFL e que provavelmente vai parecer barato depois da free agency desse ano. Fora isso, o contrato não tem nem um centavo de garantia, então caso não dê certo em 2020, os Broncos podem se desfazer dele na próxima offseason sem prejuízo ao cap.

Houve boatos de que os Jaguars iriam cortar AJ Bouye para liberar cap space, mas reports de Jacksonville negam que seria o caso e AJ Bouye teve interesse de outros times além dos Broncos. Com a troca, os Broncos praticamente se retiram do mercado pelos top cornerbacks no mercado como Byron Jones, James Bradbury e o próprio Chris Harris Jr, apesar de reports terem saído na mídia de Denver de que os Broncos não fecharam as portas para um possível retorno de Chris Harris.

Mas isso agora parece bastante improvável, com a quantia em dinheiro investida na secundária já sendo bem alta e com Chris Harris acumulando um mercado interessante na free agency, que deve pagar mais do que os Broncos estariam dispostos. Entre salários altos pagos a Kareem Jackson, Justin Simmons (que deve receber a franchise tag) e agora AJ Bouye, não me parece provável que os Broncos estejam dispostos a investir mais dinheiro no setor, principalmente com Derek Wolfe e Shelby Harris atingindo o mercado, o que parece mais provável a cada dia e deixando dois buracos na linha defensiva.

Mais do que tudo, a troca por AJ Bouye simboliza uma mudança nos rumos do Denver Broncos. Lembro de ler alguns textos na última temporada discutindo o lado positivo de terem tantos free agents na defesa em 2020: dessa forma, Vic Fangio pode determinar quem se encaixa em seu esquema e montar a defesa do jeito que quer. Como sabemos, as defesas de Fangio costumam melhorar com o tempo e em 2020 poderá mudar ainda mais.

Chris Harris Jr é um corner excelente e estará para sempre na história do Denver Broncos. Merece retornar em alguns anos para ter seu nome incluído no Ring of Fame da equipe e ser pra sempre lembrado como o excelente jogador que foi, dando tudo de si por nove anos em Denver. Mas uma coisa que foi destacada desde a chegada de Fangio é como o seu sistema não depende de cornerbacks elite. Assim, apesar de ser bom ter um, não é inteligente do ponto de vista de alocação de recursos.

Fora isso, AJ Bouye é considerado como um ótimo fit para o sistema de Vic Fangio. Excelente em cobertura por zona, tem faro pela bola e bons ball skills, resultando em muitos passes desviados e interceptações na carreira, além de um de seus melhores atributos ser a habilidade de tacklear, o que é inegociável para um defensor de Vic Fangio.

Só que os Broncos não podem parar por aqui. Apesar de eu, particularmente, achar que AJ Bouye será o principal corner da equipe em 2020, com Bryce Callahan sendo o segundo titular, depois disso é tudo bem nebuloso e os Broncos precisam adicionar mais um nome, seja via free agency ou via Draft. Não um dos grandes nomes, mas algum corner competente que tenha condições de jogar no sistema de Fangio, como é o caso de Prince Amukamara, que jogou para Vic Fangio em Chicago e foi cortado recentemente pelos Bears para liberar cap space. Ele ou algum outro corner que venha na chamada segunda onda da free agency (após a primeira onda, onde os melhores jogadores no mercado costumam sair).

Com o potencial corte de Joe Flacco, mesmo após a chegada de AJ Bouye, os Broncos ainda teriam em torno de 60 milhões de cap space para trabalhar. Muitas questões podem mudar no Denver Broncos em 2020, mas a chegada de AJ Bouye alivia o que seria a maior need do time em 2020, antes mesmo do mercado se abrir.

AJ Bouye já chegou agradando a torcida, com reports de que os Jaguars permitiram que escolhesse para onde iria, como uma cortesia ao jogador assim como os Broncos fizeram quando trocaram Aqib Talib para os Rams. E escolheu Denver e o fit com o esquema de Fangio. A defesa deve ser bem diferente em 2020 e isso não necessariamente é algo ruim.