Avaliação geral da Offseason

Saudações, torcedores dos Broncos! Na última parte de nossa avaliação da offseason de Denver, vamos dar uma nota geral para tudo que John Elway e companhia fizeram no período.

Para fazer isso, vamos juntar as notas dadas para a Free Agency e para o Draft (nota B para ambos) com a média das notas que serão atribuídas hoje. Três pontos serão avaliados neste post: mudanças na comissão técnica defensiva e ofensiva, além da renovação de contrato de Chris Harris Junior. Vamos lá!

Mudanças na comissão técnica defensiva – Nota: A

A principal mudança em termos de comissão técnica foi no posto de HC. Trocamos um HC de mentalidade defensiva por outro, Vance Joseph por Vic Fangio. Junto, trocamos também o coordenador defensivo, Joe Woods por Ed Donatell. Ao contrário da maioria, eu penso que existiram muitos pontos positivos na era VJ. Muitos jogadores jovem cresceram tecnicamente em termos individuais. Mesmo com um recorde de apenas 6 vitórias em 2018, os Broncos foram um time muito chato de ser batido e poderiam certamente ter conquistado mais vitórias. De um ponto de vista de esquema defensivo, mostramos muita coisa positiva, como apresentar para a liga uma forma de parar Patrick Mahomes. Não acredita? Dá uma olhada nesta matéria do Touchdown Wire sobre o assunto (link), vale muito a pena.

Fonte: denverbroncos.com

Mas o que nos atrapalhou ano passado foram os detalhes. Jogadores desatentos e batendo cabeça em lances de big play adversária, faltas idiotas, decisões absurdamente estapafúrdias de VJ, plano de jogo tosco, gerenciamento de tempo ruim, gerenciamento de jogo ruim… São tantos detalhes que colocados no mesmo pacote viraram… bem, viraram aquilo que todos vimos. As escolhas de Vic Fangio e Ed Donatell atacam exatamente estes problemas. Primeiramente, em termos de esquema defensivo, ambos fizeram um trabalho magnífico em Chicago, talvez o melhor da NFL, e acredito que tenham material humano para fazer melhor aqui. Mas as mentalidades de “build the team from the ground up” (montar o time do chão para cima) e acabar com “death by inches” (morte por polegadas) são os pontos chave aqui. Tomar conta de todos os pequenos detalhes, trabalhar os fundamentos técnicos básicos e fazer com que os jogadores tenham atenção máxima em suas tarefas em campo são elementos que certamente elevarão o patamar da defesa. Se os Broncos foram um time bastante chato de ser batido ano passado, serão mais ainda em 2019. Só por isso, acredito que nosso chão são 8 vitórias neste ano. Baita bola dentro de John Elway.

As questões relacionadas gerenciamento de tempo e jogo podem parecer delicadas ainda, pois Vic Fangio também é HC de primeira viagem. Mas ele me parece ter muito mais bagagem de NFL nas costas do que VJ tinha. Também tem um jeito mais sincero e direto de lidar com os jogadores, o que pode evitar alguns problemas de vestiário que tivemos em 2018. Por tudo isso, acredito que foi uma mudança muito positiva e que merece nota A.

Mudança na comissão técnica ofensiva – Nota: B

Primeiramente, quero deixar claro que demitir Bill Musgrave era a tarefa número 1 desta offseason, visto que ele foi um dos principais responsáveis pelo fiasco do time ano passado. Nosso ataque estava num nível semelhante ao dos times do Campeonato Paulista de Futebol Americano e especialista em three and outs. Precisando descansar sua defesa? Chama o Bill que ele resolve. Vem então uma pessoa com ares de novidade: Rich Scangarello.

Rich Scangarello. Fonte: denverbroncos.com

Como pontos positivos, é um treinador com ideias novas, que teve bom desempenho como treinador de QB, vem de uma linha de conceito de ataque de sucesso na história dos Broncos, na qual nosso QB titular teve sucesso recentemente e é discípulo de Kyle Shanahan, uma das melhores mentes ofensivas da liga. Também me agrada que John Elway não tenha ido atrás de qualquer um que tenha visto o Sean McVay tomar banho no vestiário, visto que este parece ser o ponto mais importante no currículo para muitos GM. Mas para por aí.

Desde 2015, nosso ataque é o ponto fraco da equipe e parece sempre relegado ao segundo plano. Nem Peyton Manning, nem o anel do Super Bowl escondem que o Lombardi veio por conta da defesa. Depois do título, foram seguidas decepções e ataques que desperdiçaram excelentes defesas. Será que a solução é colocar o ataque na mão de um OC de primeira viagem e que jamais sequer chamou uma jogada na NFL? Não sei. Dúvida é certamente a palavra que passa na minha cabeça. Na minha visão, o sucesso de Scangarello no comando do ataque é a diferença entre 8-8 e 10-6, fracasso ou playoffs. Estou muito dividido entre a esperança que o novo traga um ar de modernidade ao ataque dos Broncos e o medo de que a inexperiência total desperdice uma defesa vitoriosa mais uma vez. Talvez a esperança esteja vencendo no momento, por isso a nota B. Mas essa passou bem perto do C.

O caso Chris Harris Jr – Nota: C

Vou ser totalmente sincero aqui: essa nota só não é F porque CHJr vai jogar em Denver este ano. Só! O desfecho poderia ser outro melhor na minha opinião, com uma extensão de contrato por três anos, sendo dois garantidos. Vou tentar fazer uma análise de porquê ambas as partes estão erradas.

Fonte: Mile High Report

Uma coisa que as pessoas precisam entender é que, quando se trata de extensão de contrato, as coisas são diferentes de um novo contrato, pois os valores novos se aplicam aos anos da extensão, mas o valor do ano corrente permanece o mesmo. Tomemos Xavien Howard por exemplo. O CB dos Dolphins assinou uma extensão de cinco anos, que vai de 2020 a 2024. O valor do contrato de 2019 não mudou, de forma que Miami pôde trazer parte dos gastos da extensão para este ano e dar um contrato de 15,05 M ao ano, sem que o Cap Hit jamais atinja 15 M. Uma outra coisa importante na análise: se vocês estão lembrados, na análise do Salary Cap dos Broncos neste ano eu disse que é conveniente o time ter uma folga de cerca de 6,5 M no Top 51 para entrar sem problemas de Salary Cap na temporada. Após elevar o salário de CHJ para 12,05 M, os Broncos estão com menos de 6 M de Cap Space e ainda nem assinaram com Drew Lock e Dalton Risner. Em outras palavras, se foi possível dar apenas um aumento este ano, era possível ter acordado uma extensão de três anos por cerca de 14-15 M ao ano, trazendo parte do impacto financeiro para 2019, de forma que os Cap Hits jamais chegassem a 15 M em uma temporada. Mais ou menos o que foi feito com Xavien Howard. Ponto negativo para os Broncos.

Da parte de Chris Harris Junior, eu também vejo erros que complicaram a negociação. Primeiro, essa história de que na primeira renovação ele deu um mega desconto para os Broncos é balela na minha opinião. Ao assinar em 2014, ele se tornou o segundo slot CB mais bem pago da liga. A posição cresceu em importância de lá pra cá e CHJr se tornou o melhor slot CB da NFL, de modo que ele merece um contrato novo. Mas não dá para exigir ser o CB mais bem pago da liga aos 30 anos, ainda mais sob o argumento de que já deu o desconto que tinha que dar ao time. Ter um contrato novo, com mais anos garantidos e com o maior salário da posição na equipe já seriam mais que justos. Alguém vai pagar mais que 15,05 M ao ano para ele? Vai, pode ter certeza. Vai ser um time brigando por título e que dê um contrato longo e estável ao mesmo tempo? Eu acho que não. Os Rams até têm pago bem a estrelas, mas em contratos de um ano.

No fim das contas, o desfecho da história não foi positivo e contou com erros de ambas as partes. É visível que uma extensão poderia ter sido acordada com um pouco de boa vontade. Estou dando uma nota C somente porque CHJr joga este ano em Denver e porque algo ainda pode ser trabalhado para o ano que vem. Mas como os Broncos perderam a vantagem de trazer parte do impacto financeiro para este ano, eu sinceramente duvido que John Elway fará um acordo.

Nota geral da Offseason: B

A média dos pontos analisados aqui foi B, a média da Free Agency foi B e a do Draft, B também. Logo, penso que nossa Offseason foi digna de B. Gostei muito dos calouros selecionados, da maioria dos jogadores contratados e das mudanças na comissão técnica. De negativo, fica a novela mal resolvida do contrato de CHJr e dúvidas quanto ao que Joe Flacco traz ao time. De qualquer maneira, eu vejo um time significativamente melhor que o do ano passado e com chances, ainda que não muitas, de chegar à pós-temporada.

Muito obrigado a todos por terem acompanhado as avaliações da offseason. Peço a todos que deixem suas opiniões na seção de comentários.

Me despeço agradecendo Pat Bowlen por tudo o que fez pela franquia. Se você torce pelos Broncos, pode ter certeza que parte da culpa é dele. Ele é quem transformou a franquia em uma das mais respeitadas e vencedoras na NFL. Vale a pena dar uma olhada no texto que nossa editora Ana Luiza Figueiredo fez. Nos vemos em breve. Go Broncos!