Prospectos do Draft – Quarterbacks

Saudações, torcedores e entusiastas do Denver Broncos! Por último, mas não menos importante, chegou o momento de falarmos sobre os prospectos na posição de quarterback do Draft que inicia na próxima quinta-feira, dia 25.

Desde o ano passado, a mídia norte-americana considerava a classe de quarterbacks do Draft 2019 como terrível. Isso vai muito da comparação com o Draft de 2018, que teve 13 QBs selecionados no total, cinco deles na primeira rodada. E mais, quatro destes saíram dentro das 10 picks overall.

Vale a pena mencionar, ainda, que Josh Allen, Josh Rosen, Sam Darnold e Lamar Jackson seriam QBs seniors no college ano passado. No entanto, se declararam elegíveis para o Draft um ano antes.  Dessa forma, para esta temporada, o college em si tem pouca oferta disponível. Inclusive, já se especula que as classes de 2020 e 2021 terão uma safra melhor na posição.

O que não quer dizer, no entanto, que não temos nomes que mereçam atenção. Seguindo o board pessoal do nosso editor Leonardo Marques, vamos ver quem se destaca na posição.

Kyler Murray, Quarterback, Oklahoma, 1,78 m, 93 kg

Fonte: Jasen Vinlove-USA TODAY Sports

Fonte: Jasen Vinlove-USA TODAY Sports

Murray frequentou a Allen High School no Texas e, em 2014, seu último ano, ele conquistou o Gatorade Football Player of the Year. O seu time foi três vezes campeão estadual, além de vencer 43 jogos seguidos – desses ele foi QB starter em 42! Ele saiu do high school direto para Universidade do Texas, com uma bolsa de estudos para jogar football e baseball.

Em seu junior year no college, ele não foi starter de primeira. A vaga titular ficou com Kyle Allen até outubro, quando após duas derrotas seguidas a titularidade voltou à disputa e Murray levou a melhor. Em seu jogo de estreia, Kyler Murray lançou para 223 jardas e correu para 156. Ele ainda teve um passe para TD e marcou outro com as próprias pernas. No final do mesmo ano, ele pediu transferência para a Universidade de Oklahoma e, conforme as regras da NCAA, ele perdeu o ano de 2016, podendo voltar a jogar em 2017. Assim, na temporada de 2017 ele foi backup de Baker Mayfield e 2018 foi seu único ano como titular absoluto.

Seu desempenho no college é incrivelmente parecido com o de Mayfield, além de ter vencido o Heisman Trophy assim como o QB dos Browns.

Fonte: theringer.com

Kyler Murray teve pouco tempo para provar o seu talento, afinal, foi quarterback starter por apenas um ano. Mesmo assim, não decepcionou com os bons números à frente dos Sooners. Ele não participou dos testes físicos do Combine, em uma decisão conjunta com seus coaches, agente e família. No entanto, ao passar pelas medições e exames médicos ele subiu muito nos boards. Isso porque sua altura era desconhecida e no final viram que ele não é tão baixo como muitos pensavam, apesar de ainda ter uma estatura fora dos padrões para a posição.

Após esses exames e entrevistas, ele passou de prospecto do meio para o final do 1º round para sair entre os 10 primeiros. Há ainda quem diga que ele pode ser a 1st pick overall, seguindo mais um passo de Mayfield. Mas as intenções dos Cardinals ainda são uma caixa de surpresas. De qualquer forma, acredita-se que ele seja o primeiro QB draftado.

Além da pouca bagagem, outro ponto contra Murray é a sua altura. No alto dos seus 1,78 m, o QB é o mais baixo em sua posição há algum tempo. Isso faz com que suas habilidades em jogadas undercenter sejam questionadas, bem como sua capacidade de enxergar além da linha ofensiva. Tem dificuldade em fazer progressões de leitura e pode apressar o passe. Pela estatura, projetam sua carreira à de Russell Wilson, apenas dois centímetros mais alto.

Em contrapartida seu atleticismo é  excelente e sua técnica de passe é comparada com a de Patrick Mahomes, visto que assim como o QB dos Chiefs, também jogava baseball. Murray foi draftado pelo Oakland Athletics na 9ª posição geral, e chegou a fechar com o time com um bônus de US$ 5 milhões, dizendo que estava 100% comprometido. Porém, em fevereiro deste ano voltou atrás e disse que seu comprometimento era com a NFL. De qualquer forma, a inclinação para os dois esportes e as mudanças de comprometimento, pode, mesmo que minimamente, colocar uma pulga atrás da orelha dos GMs.

O hype em cima de Kyler Murray é gigante. Se ele for escolhido no dia 25, ele será o primeiro jogador a ser draftado pela MLB e pela NFL em 1º round. No futebol americano, Murray está sendo comparado a grandes nomes: Wilson, Mahomes e Mayfield. Os coaches que o entrevistaram gostaram da sua capacidade de liderança e carisma. Ele vai ter muito o que provar para o time que o escolher.

Dwayne Haskins, Quarterback, Ohio State, 1,90 m, 103 kg

Quarterback Dwayne Haskins

Fonte: Jeff Gross/Getty Images

Dwayne Haskins teve bons números no high school, quando jogou na Bullis School, em Maryland. Ele foi o Gatorade Player of the Year do estado e foi considerado um dos cinco melhores quarterbacks pro-style do país.  Ele passou para 5.308 jardas e lançou 54 touchdowns. A princípio, ele se comprometeu com a Universidade de Maryland, mas mudou para Ohio State.

No seu primeiro ano no college, em 2016, ele não jogou, ficou como redshirt. Em 2017 foi backup de J.T. Barrett, e jogou oito partidas (40 passes completos de 57 tentados, para 565 jardas e 4 TDs). Já em 2018 conseguiu a vaga de quarterback titular e brilhou. Foram 4.831 jardas, 70% de passes completos, 50 touchdowns e apenas 8 interceptações. Já como corredor não é lá grandes coisas: carregou a bola 85 vezes, para 108 jardas. Uma média de 1,3 jarda por corrida.

Ele foi um dos três finalistas do troféu Heisman (que Murray venceu). Foi um dos seis jogadores na história a lançarem 50 TDs em uma temporada. Em janeiro de 2019 se declarou elegível para o Draft deste ano, mesmo podendo esperar até o ano que vem.

A decisão foi estratégica: a classe de 2020 promete ser superior e Haskins tem mais chances de ser melhor draftado este ano do que ano que vem. No entanto, assim como Murray, sua pouca experiência depõe contra ele.

Embora não seja rápido (40 yard dash em 5,04 segundos), tem peso e altura ideais e pode ser eficiente em QB sneaks. Além da velocidade, seu trabalho de pés é criticado. É considerado um bom pocket passer e não se intimida com pancadas. Muito destaque para o seu passe: tem release excelente e põe velocidade na bola, sem deixá-la pendurada. Claro que tem algumas arestas a serem aparadas, mas tem muito talento nos braços. Cotado para sair no primeiro round, dentro das 10 primeiras picks.

Durante o Pro Day, foi notada melhora em seu footwork. Além disso, seu senso de liderança e espírito de trabalho em equipe foi elogiado.

Haskins visitou os Broncos e na entrevista com o Elway foi com a jersey do próprio! Para Von Miller, se Haskins estiver disponível na 10ª pick, o QB seria a sua escolha. Será que podemos esperar outro vídeo de comemoração do nosso número 58?

Drew Lock, Quarterback, Missouri, 1,93 m, 102 kg

Quarterback Drew Lock

Fonte: Zach Bolinger/Icon Sportswire/Getty Images

Drew Lock frequentou a Lee’s Summit High School, no Missouri e em seu senior year foi eleito o jogador do ano pelo Kansas City Star’s All-Metro. Após passar para 2.731 jardas e  28 touchdowns, foi considerado o 6º melhor QB pro-style do país para a classe de 2015. No mesmo ano, se comprometeu com a Universidade do Missouri.

Lock assumiu como quarterback starter do Mizzou nos últimos oito, de 12 jogos em seu freshman year. Desde 1995 que um QB calouro não se tornava QB principal naquela universidade. E assim, diferentemente de Murray e Haskins, Drew Lock tem muita bagagem para ser avaliada. Talvez esse seja o “problema” do jogador.

Fonte: ESPN.com

Até 2017, Lock vinha evoluindo no college, seus números melhoravam a cada ano. Com o desempenho do jogador em 2017, foi criada grande expectativa para sua última temporada na carreira universitária, o que não foi cumprido. Veja, não quero dizer que ele foi mal em 2018, mas não foi tão bem quanto no ano anterior. Em 2017 Lock lançou para 3.964 jardas, 44 TDs e 13 INTs. Seu rating foi de 165,7. Em 2018 foram 3.498 jardas, 28 TDs e 8 interceptações. O rating caiu para 147,7.

Além disso, ele ficou marcado pela sua inconsistência. Os scouts sempre citam a capacidade dele em fazer jogadas incríveis e na sequência lançar a bola no pé do recebedor. Ele é capaz de fazer, com velocidade, qualquer tipo de passe necessário na NFL, mas precisa melhorar a precisão.

Enfim, Lock tem tamanho, peso e potência de braço ideias para um quarterback. Tem velocidade para ganhar jardas correndo em algumas jogadas e agilidade para sair do pocket e escapar da pressão. O que prejudica Lock é mesmo sua inconsistência, causada principalmente por problemas em leitura e footwork. Ele não sofre com pressão, não tem medo de tackle, mas desde que o alvo esteja livre.

Daniel Jones, Quarterback, Duke, 1,95 m, 99 kg

Fonte: Nell Redmond-USA TODAY Sports

Daniel Jones frequentou a Charlotte Latin School, na Carolina do Norte. Durante sua carreira no high school, ele passou para 6.997 jardas e 98 touchdowns. A princípio ele fechou com Princeton, mas mudou de ideia e foi para Duke University, após receber uma oferta para jogar futebol.

Seu primeiro ano, em 2015, Jones foi redshirt. Estreou em 2016, assumindo a titularidade. Sua carreira universitária foi consistente, não espetacular, mas segura. Jones erra muito pouco, na mesma proporção em que se arrisca.  Em 2018 ele lançou para 2.674 jardas, 22 TDs e 9 INTs. O rating foi de 131.7. Nos anos anteriores os números foram parecidos, com pequenas evoluções.

Ele perdeu dois jogos na última temporada devido a uma lesão na clavícula, mas nada que pareça preocupar.

Daniel Jones pode ser considerado um QB seguro, arroz com feijão. Ele faz o básico e faz direito. Corre quando precisa, lança de maneira correta. Não espere dele grandes feitos, aqueles jogos que impressionam. Ele deve sair na primeira rodada, especulado dentro do Top 20, porque a NFL tem muitos GMs que não gostam correr riscos. E ele serve muito bem pra isso. Ele é comparado a Andy Dalton e Kirk Cousins, dois franchise quarterbacks ok. Ok = mediano.

Eu chamo Jones de o prospecto do “mas”. Como todo quarterback universitário, ele precisa melhorar, mas todos os seus pontos fortes tem um contraponto:

  • Se a jogada não der certo, ele tem capacidade para correr e finalizar, mas velocidade não é seu ponto forte. Então, jogadas desenhadas nesse sentido devem ser limitadas.
  • Ele tem força no braço para fazer passes longos, mas a bola não é tão rápida e potente, por isso suas bolas podem ser desviadas e até interceptadas. Nesse ponto, precisa melhorar também o trabalho com os pés, o que pode fazer com que os passes sejam menos flutuantes.
  • Tem boa leitura pré-snap, e se não for enganado pela defesa, é consistente. Mas a leitura pós-snap precisa de atenção.

Se bem trabalhado, Daniel Jones pode até surpreender, porque o que precisa ser melhorado, não é lá um bicho de sete cabeças. De início, deve ser ok.

Principais prospectos para os dias 2 e 3

  • Will Grier, quarterback, West Virginia – 188 cm, 97 kg
  • Brett Rypien, quarterback, Boise State – 188 cm, 94 kg
  • Gardner Minshew, quarterback, Washington State – 185 cm, 101 kg
  • Jordan Taamu, quarterback, Ole Miss – 190 cm, 99 kg
  • Ryan Finley, quarterback, N.C. State – 193 cm, 96 kg
  • Jarrett Stidham, quarterback, Auburn – 188 cm, 98 kg