Uma primeira análise do Salary Cap dos Broncos

Olá, caro leitor e torcedor do Denver Broncos! A bola oval ainda voa nesta temporada, mas nossa offseason já começou. Muitas especulações sobre quem sai, quem vem e uma pergunta que sempre aparece: temos espaço no Salary Cap para determinada contratação? Neste post, vamos fazer uma análise sobre este assunto e ver como está nossa capacidade para contratar e renovar jogadores.

É bom deixar claro que esta análise envolve alguns cálculos realizados por este que vos escreve, feitos de forma mais simplista, apenas para termos uma noção de quanto espaço no Salary Cap teremos após fazer algumas movimentações básicas na offseason. Na verdade, muitas destas movimentações podem ser feitas de maneiras diferentes, com distintos resultados sobre o Salary Cap. As informações que utilizaremos para os cálculos são fornecidas pelo Over The Cap (OTC) e Spotrac, dois sites norte-americanos especializados no assunto. Ambos atualizam constantemente sua base de dados. Então, se em algum momento você clicar nos links acima e ver uma informação diferente da usada aqui, por favor entenda este aspecto. Além disso, todos os números aqui reportados são em dólares americanos e usaremos as notações M para milhões e k para milhares de dólares. Dito tudo isto, vamos à análise!

Quanto temos de espaço no Salary Cap hoje?

Primeiramente, o espaço no Salary Cap de cada time é definido pelo Salary Cap base da liga (definido anualmente pela NFL), menos os gastos ativos da equipe na temporada e menos o Dead Money (dinheiro garantido em um contrato ainda não descontado do Cap) de contratos encerrados antes do término. Tanto OTC como Spotrac estimam um Cap base de 178 M. Como sobraram cerca de 11,42 M do Cap dos Broncos da temporada de 2017, este valor é acrescido ao Cap base do time, de forma que temos um total de 189,42 M. John Elway e seu Cap guru, Mike Sullivan, administram os contratos dos Broncos de maneira bem controlada, sempre evitando Dead Money excessivo quando há cortes. Exatamente por isso, o Dead Money até agora para 2018 é de apenas 366 k.

Quanto aos gastos ativos, uma observação pertinente. Durante toda offseason vale a regra do Top 51, ou seja, somente os 51 contratos ativos mais caros contam no Cap. Tal regra tem como objetivo dar flexibilidade aos times para contratações. Quando o elenco com 53 jogadores é definido, outros gastos passam a contar no Cap (veremos isto mais adiante). Considerando a regra do Top 51, os valores dos contratos ativos dos Broncos apresentam divergências no OTC e Spotrac. O OTC informa o valor de 158,59 M. Descontando este valor mais o Dead Money do Cap base, teríamos um Cap Space de 29,17 M. Já o Spotrac, informa um valor de 160,77 M, totalizando um Cap Space de 28,65 M. Como você pode ver, até mesmo os especialistas batem cabeça. Então, este que vos escreve vai adotar uma simplificação (favor, não confundir com coxerização): vou assumir um Cap Space de 29 M. Este valor é o que temos agora, considerando os 56 contratos ativos para 2018. Vou contar algo que vai te assustar, caro leitor: dentre estes 56 jogadores está Donald Stephenson! Mas não se assuste, quando o ano da graça de 2018 da NFL de fato começar, o contrato dele será automaticamente anulado. E o melhor, o valor de 1 M será devolvido ao Cap dos Broncos e um contrato de 480 k passará a valer, totalizando 29,52 M. Este, senhoras e senhores, é o nosso valor de partida.

Então temos 29,52 M para contratações?

Não, meu amigo, e por dois motivos básicos. Primeiro, nossos calouros do Draft de 2018 terão contratos que contam no Cap ativo, portanto devemos deixar um espaço para assiná-los. Segundo, porque temos alguns jogadores do nosso elenco de 2017 que são Free Agents (seus contratos ainda não contam no Cap ativo) e que certamente queremos trazê-los de volta. Então, vamos ver quanto de Cap Space teremos após fazer estas movimentações.

Assinando com nossos calouros

Uma coisa muito importante é que as equipes devem ter espaço no Cap para assinar seus calouros. E uma coisa que você deve saber, meu caro leitor, é que draftar no Top 5 é caro! De acordo com OTC e Spotrac, o valor dos contratos ativos dos calouros, se usarmos as 10 escolhas que teremos (ambos consideram uma escolha compensatória de terceira rodada vinda de Russell Okung), será de 11,08 M. Mas como ainda vale a regra do Top 51, somente as escolhas até a quarta rodada entrarão nos 51 contratos mais caros, cada uma devolvendo para o nosso Cap Space um contrato de 480 k que sairá desta faixa. Para facilitar nossa vida, nossos sites de referência criaram uma fórmula para calcular o Cap Hit real dos calouros:

Cap Hit calouros = Cap total – (480 k – nº de picks)

Considerando que usemos as 10 escolhas, o Cap Hit da nossa classe será de 6,28 M. É bom frisar que este valor pode variar muito, pois os contratos dos calouros podem ser estruturados de diferentes maneiras, jogando Cap Hit para anos posteriores. Além disso, caso assinemos com um QB Free Agent veterano (veja a opinião do Fábio aqui), poderíamos fazer um trade down no Draft. Por exemplo, poderíamos trocar com Arizona, caindo para a escolha 15. A economia no Cap Hit nesta situação seria de cerca de 2,5 M. Veja bem, não estou advogando para isso, mas tão somente mostrando que movimentações no dia do Draft impactam significativamente o nosso Cap Space.

Trazendo nossos Free Agents de volta

O Denver Broncos terá Free Agents em três categorias: Unrestricted Free Agents (UFA), Restricted Free Agents (RFA) e Exclusive Rights Free Agents (ERFA). Vamos a eles.

UFA

Nossos UFA nesta temporada serão: Virgil Green, Todd Davis, Donald Stephenson, Jamaal Charles, Jared Crick, Allen Barbre, Cody Latimer, Billy Turner, Brock Osweiler, Corey Nelson e Billy Winn. Os UFA podem negociar livremente seus contratos com qualquer equipe, a menos que os Broncos usem a Franchise Tag em alguém. Isto não ocorrerá. De qualquer forma, dentre estes jogadores, eu acho que apenas Todd Davis merece uma atenção maior, visto que estamos adentrando 2018 somente com Brandon Marshall de ILB do elenco de 53 da temporada passada. Entretanto, como um eventual contrato com ele é livremente negociado, o Cap Hit em 2018 é totalmente desconhecido e especulativo. Então, por enquanto, não vou assinar com nenhum UFA.

RFA

Nossos RFA nesta temporada são: Bennie Fowler, Shaquil Barrett e Matt Paradis. Os RFA podem negociar contratos com outras equipes, mas os Broncos tem a opção de colocar tender neles, adquirindo o direito de igualar a oferta ou ser compensado com uma escolha de Draft caso não queira. Existem três níveis de tender: Primeira rodada, segunda rodada e rodada original. No caso de colocar uma tender de primeira rodada, receberíamos uma escolha de primeira rodada no Draft, oriunda da equipe que assinar com o jogador. Uma de segunda, se a tender for de segunda rodada, e da rodada em que o jogador foi draftado, se a tender for de rodada original. Obviamente, colocar uma tender de primeira rodada significa que o time terá que pagar mais ao jogador e assim por diante.

Na nossa simulação aqui, vou mandar Bennie Fowler para o espaço e colocar tenders de segunda rodada em Shaquil Barrett e Matt Paradis. Fique à vontade para fazer diferente. Desta forma, cada um receberia um contrato de 2,90 M em 2018, com o Cap Hit de igual valor. Então teríamos 5,80 M de contratos ativos, mas isso devolveria dois salários de 555 k mais baixos que sairiam do Top 51 (Os de 480 k já foram devolvidos pelos calouros). Assim, o Cap Hit real dos dois seria de 4,69 M.

ERFA

Os ERFA dos Broncos são: Shelby Harris, Zaire Anderson, Jordan Taylor, Casey Kreiter, Zac Brooks, Elijah Wilkinson, Jerrol Garcia-Williams e Joe Jones. O Denver Broncos tem direitos exclusivos de colocar uma tender nestes jogadores e impedir que eles negociem contrato de qualquer natureza com outras equipes. O valor da tender varia de acordo com o número de temporadas acumuladas completas que eles têm no currículo. A definição de temporada acumulada completa é complicada (o termo em inglês é accrued season), mas basicamente requer que o jogador esteja no elenco de 53 em uma temporada.

Os quatro últimos da nossa lista só tem 1 temporada completa no currículo, portanto teriam um contrato de 555 k cada um. Como isso devolveria outro salário de 555 k pela regra do Top 51, eles não causam impacto no Cap. Harris, Anderson, Taylor e Kreiter (sim, precisamos de um Long Snaper) têm duas temporadas acumuladas e receberiam 630 k cada um. Cada um também devolveria um salário de 555 k de forma que o cap hit total dos três seria de (630 k – 555 k) x 4 =  300 k.

Quanto temos de espaço no Cap pelo Top 51?

Após assinarmos nossos Free Agents e calouros, teríamos de espaço no Cap, pela regra do Top 51:

 29,52 M – 6,28 M (calouros) – 4,69 M (RFA) – 300 k (ERFA) = 18,25 M

E assim chegamos ao nosso número mágico: durante a offseason, teremos 18,25 M em espaço no Cap para assinarmos novas contratações. Note que este número pode variar, dependendo do nosso Draft e de quais Free Agents traremos de volta.

E quando fecharmos o elenco de 53 jogadores?

Nosso leitor mais atento já notou que não podemos torrar todo o Cap do Top 51, pois assim que a temporada regular começasse, dois salários de 555 k passariam a contar no Salary Cap. Quem pensou isso, acertou: 1,11 M a mais pra conta. O que eu preciso contar para você, meu caro leitor, é o seguinte: quando a temporada começar, os salários de Pratice Squad (PS), Injury Reserve + PUP list (vou considerar tudo como IR) e uma reserva da NFLPA (National Football League Players Association) para desenvolvimento de jogadores também contarão no Cap.

O total de salários do PS costuma variar entre 1,5 e 2 M. Vou considerar 1,75 M aqui. O valor da IR depende de quem estará lá. No caso, quando o jogador é colocado na IR (ou PUP list) o valor de seu Cap Hit continua contando no Salary Cap, e o de seu substituto é adicionado também. Quase sempre, é de um jogador de pouca expressão (em geral um contrato de 555 k) ou veterano que joga pelo mínimo (um contrato de cerca de 900 k). Vou colocar aqui o valor de 3 M para o Cap Hit da IR, mas fique à vontade para fazer diferente. A reserva da NFLPA conta mais cerca de 700 k no Salary Cap. Desta forma, contando os gastos extras que incidem quando a temporada regular começar, temos:

18,25 M – 1,11 M (jogadores 52 e 53) – 1,75 M (PS) – 3 M (IR) – 700 k (NFLPA) = 11,69 M

Assim, meu caro leitor, se somos GM super controlados e não queremos fazer nenhum malabarismo com contratos, teríamos 11,69 M livrinhos para assinar novos jogadores. A verdade é que os GM não são tão conservadores assim e, até por isso, contratam pessoas para ajudá-los nos atalhos de cada contrato para ter mais espaço no Cap para assinar jogadores. Entretanto, os números de 18,25 M, do Top 51, e de 11,69 M, em temporada, são boas estimativas para a gente discutir com mais base quais jogadores devemos perseguir nesta offseason.

Se você chegou até aqui, meus agradecimentos por me aturar nestes cálculos. Qualquer dúvida ou reclamação, por favor, use a seção de comentários. Amanhã, veremos como podemos gerar mais espaço no Cap, basicamente cortando ou trocando jogadores. Até mais. Go Broncos!