Cortes, trocas e reestruturações: como gerar Cap Space

Olá, caro leitor e torcedor do Denver Broncos! Já vimos a situação do Salary Cap dos Broncos para 2018. Hoje, vamos analisar como gerar Cap Space adicional para contratarmos jogadores neste ano.

Ontem, calculamos quanto de espaço temos no Cap após fazermos algumas movimentações básica na offseason: 18,25 M no Top 51, e cerca de 11,69 M quando a temporada regular começar. Caso John Elway queira fazer contratações na Free Agency e precise gerar mais Cap Space para isso, ele pode fazer três coisas, basicamente: cortar, trocar e reestruturar contratos de jogadores. Vamos analisar quanto seria economizado com cortes e trocas dos jogadores com contratos mais altos no Denver Broncos.

Quanto de economia no Cap um corte ou troca gera?

Ao ser cortado, a economia no Cap gerado pelo jogador corresponde ao Cap Hit dele neste ano menos o Dead Money do contrato. Este Dead Money corresponde ao valor do dinheiro garantido em contrato que ainda não foi contado no Salary Cap. Por exemplo: o jogador Ditão Pé de Mesa tem um Cap Hit de 11 M este ano. Ao assinar seu contrato de 4 anos em 2016, ganhou um bônus de assinatura 16 M. O bônus de assinatura, por regra, é diluído ao longo dos 4 anos do contrato, ou seja conta 4M/ano como Cap Hit. Além disso, seu salário base de 2018 é de 2 M e também está garantido. Os demais itens do contrato para 2018 e o salário de 2019 não é garantido (esta situação é totalmente fictícia, ok?). Desta forma, ao cortarmos Ditão economizaríamos 11M – 8M (o que falta do bônus de assinatura de 2018 e 2019) – 2 M (salário base garantido em 2018) = 1 M. Este 1 M seria adicionado ao Salary Cap da equipe em 2018.

Caso Ditão fosse cortado após 1º de Junho de 2018, o Dead Money relativo ao bônus de assinatura seria diluído igualmente pelos dois últimos anos do contrato. Desta forma, dos 10 M, apenas 6 M seriam contabilizados em 2018 e 5 M seriam adicionados ao Cap deste ano. Entretanto, os 4 M restantes seriam debitados do Cap de 2019. É importante notar que o bônus de assinatura não pode ser diluído por mais de 5 anos, mesmo que Ditão tivesse assinado um contrato de 6 anos. Portanto, se o jogador está no quinto ou último ano de seu contrato, a regra do 1º de Junho não dilui nada. Por fim, durante cada offseason, dois jogadores podem ser cortados antes de 1º de Junho, mas com uma designação que torna a operação igual ao que se fosse realizado após esta data.

Se Ditão for trocado, considerando o mesmo contrato fictício, a equipe que receber Ditão deve arcar com seu salário base de 2018. Mas o bônus de assinatura continua responsabilidade da equipe que o está cedendo na troca. Portanto, mesmo com a troca, o Dead Money total seria de 8 M, correspondente aos dois anos de bônus diluído. A economia de Cap seria de 3 M a serem adicionados no Cap Space de 2018. A regra de 1º de Junho também vale para trocas.

Quanto cada corte/troca nos Broncos economiza?

Agora veremos quanto cada corte ou troca traria a mais de Cap Space para 2018. Vou fazer isso para os principais jogadores do Denver Broncos com contrato ativo em 2018. Note que não estou sugerindo, tampouco defendendo cortes ou trocas. Estou somente indicando o quanto de Cap Space seria gerado em cada caso. Para as trocas, estou considerando que não receberemos jogadores como compensação (só Draft picks). Vou considerar aqui a regra do Top 51, então cada corte devolve um salário de 555 k que é adicionado ao Cap ativo da equipe.

-Aqib Talib: Nosso CB tem um Cap Hit de 12 M este ano e somente 1 M de Dead Money. Economia de Cap = 12 M – 1 M – 555 k = 10, 445 M.  Cortar após 1º Junho ou trocar não altera nada.

Emannuel Sanders: Seu Cap Hit este ano é de 10,937 M e Dead Money é de 5,375 M. Liberaria cerca de 5 M este ano caso cortado ou trocado. Feito após 1º Junho, metade deste Dead Money vai para 2019 e 7,7 M seriam adicionados ao Cap de 2018.

-Manelik Watson: Tem 7,177 M de Cap Hit este ano e 2,667 de Dead Maney. Liberaria quase 4 M para este ano, se cortado/trocado. Pós 1º de Junho, libera quase 5,3 M.

-CJ Anderson: Cap Hit em 2018 de 4,5 M e zero de Dead Money. Corte ou troca libera 3,945 M sem alteração com a regra do pós 1º de Junho.

-Demaryius Thomas: O contrato de DT é cheio de cláusulas pré-definidas de reestruturação que modificam o contrato. Algumas delas já foram acionadas pelos Broncos, mas não temos detalhes. Ele tem um Cap Hit este ano de 12,033 M e um Dead Money de 4,400 M. Corte ou troca economizaria quase 7,1 M. Pós 1º de Junho, quase 9,3 M. De acordo com Ozark_Orange em post do Mile High Report (veja aqui), 1,333 M de bônus de assinatura que foram contados em 2017, mas que não seriam pagos em caso de corte, deveriam também ser acrescidos ao nosso Cap em 2018. Mas isso não é certeza.

Von Miller: vamos supor que John Elway encha a cara com rabo de galo e, antes que o efeito do álcool passe, corte Von. Ele tem um Cap Hit em 2018 de 22,4 M e um Dead Money de 29,2M. Então cortá-lo sai 7,355 M mais caro que mantê-lo. O contrato dele ainda tem muito tempo pela frente e detalhes, mas cortá-lo pós 1º de Junho sai 555 k mais caro. Trocá-lo economiza 11,645 M e trocá-lo após 1º de Junho, 19,445 M.

-Trevor Siemian: Ele tem 718 k de Cap Hit e 13 K de Dead Money. Corte ou troca economiza 155 k, sem mudanças pós 1º de Junho.

-Paxton Lynch: Tem um Cap Hit de 2,584 M este ano e um Dead Money de 4,457 M. Corte custaria 2,428 M a mais no Cap de 2018. Corte pós 1º de Junho custaria 517 k adicionais no Cap deste ano. Uma troca custaria 1,155 M a mais este ano, mas economizaria 756 k caso feita após 1º de Junho.

Para informações sobre outros jogadores, consulte os sites do Over The Cap e Spotrac, sites norte-americanos especializados no assunto e dos quais tirei as informações deste post.

Uma outra solução: reestruturação de contratos

Caso o caro leitor não queira cortar ninguém, é possível liberar Cap Space este ano por meio de reestruturação do contrato de jogadores. Não vou aqui especular uma reestruturação para cada um dos indivíduos acima citados. Mas a reestruturação basicamente pode ser feita de duas maneiras: a primeira é propondo um corte de salário ao seu jogador. Foi o feito com Donald Stephenson em 2017, por exemplo. A segunda maneira, é oferecendo uma extensão de contrato, transformando parte do salário de 2018 em bônus de assinatura. Como já vimos, este bônus dilui-se pelo anos do contrato (até o limite de 5 anos) diminuindo o Cap Hit em 2018. Na verdade empurrando para anos posteriores. Isto foi feito com Darian StewartBrandon Marshall. Jogadores preferem assim, pois, em geral, envolve um aumento no dinheiro garantido.

Vamos imaginar o jogador hipotético Tião Sarrafo. Proporemos uma extensão de contrato para ele. Tião está no seu último ano de contrato e tem um Cap Hit de 12 M, todo ele oriundo do salário base. Nada é garantido, e seu Dead Money é zero. Ao invés de cortar Tião, queremos ele no time e oferecemos uma extensão de 1 ano. Ele receberá um bônus de assinatura de 10 M totalmente garantidos e seu salário base de 2018 será de 4 M, também garantidos. Desta forma, Tião conquistou mais 14 M. Além disso, seu Cap Hit em 2018 será de 4 M + 5 M (metade do bônus de assinatura) = 9 M. Nesta reestruturação, liberamos 3 M de Cap Space em 2018, ao custo de pelo menos mais 5 M em 2019, e ainda teremos Tião na equipe.

Agora que já sabemos a situação do Salary Cap dos Broncos e como cortar, trocar ou reestruturar contratos ativos do time gera Cap Space, podemos bancar o GM e discutir nossas movimentações da offseason com maior embasamento. Caso tenha dúvidas ou reclamações, use a seção de comentários. Até breve. Go Broncos!