Carta de Von Miller a Gary Kubiak

Carta de Von Miller a Gary Kubiak

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos. Substituindo o Rapidinhas de hoje, trazemos para você a carta que Von Miller escreveu para o técnico Gary Kubiak, que se aposentou como treinador na última segunda-feira. Vale a pena a leitura.

A coisa mais difícil no futebol americano é perder. Qualquer técnico pode virar para um time depois de uma vitória, contar uma piada e dizer “Até segunda.” Mas é preciso um técnico de verdade com um grande entendimento do que faz um time funcionar para unir as pessoas depois de uma derrota. É o que Gary Kubiak fazia e quem ele era.

O treinador Kubiak se aposentou na segunda depois de 23 temporadas como técnico e nove como jogador da NFL. Ele foi jogador ou treinador em todos os três times do Broncos que venceram o Super Bowl, mais recentemente há um ano, quando ele nos levou à vitória sobre o Panthers no Super Bowl 50.

Ele era um líder em quem acreditávamos, um homem de grande caráter que sempre tinha um plano. Ele costumava me dar o que eu chamava de missões paralelas. Depois de reuniões da equipe, ele me chamava de canto e me dizia o que precisava de mim naquele dia, fosse aumentar o nível de intensidade do treino ou o foco nos detalhes. Era algo que me animava e do qual eu me orgulhava.

Quando Trevor Siemian ganhou a posição de quarterback titular esta temporada, o treinador contou comigo e com os outros veteranos para dar apoio a Trev. Eu disse a DeMarcus Ware que tínhamos que mostrar a todos que era o time do Trev. Garantimos que todos seguissem a liderança e exemplo dele durante os treinos, porque quando você tem um grupo de estrelas dando força a um cara, isso tem um efeito contagioso no vestiário. Acredito que esse esforço funcionou, e acredito que a confiança de Kubiak em nós deu resultado.

Kubiak, um ex-quarterback, conhece quarterbacks. Ele sabia que tinha que pôr Peyton Manning no banco para jogar Brock Osweiler durante a temporada regular ano passado para que Peyton estivesse completamente saudável nos playoffs. E soube quando inserir Peyton no time de novo. Tudo funcionou porque Kubiak sempre tem um plano. Ele não é o tipo de homem que joga algo na parede e espera para ver o resultado. Ele sempre previa seus movimentos e sabia exatamente o que queria que acontecesse.

Sabendo disso, é compreensível que ele abriria mão do jogo assim que sentisse que não conseguiria colocar 100% de esforço na preparação. Para ele, treinar é uma coisa de tudo ou nada, e é melhor abrir mão do que oferecer menos que seu melhor.

Eu não sabia tanto assim dele há dois invernos. Eu só sabia que ele também tinha estudado na Texas A&M. O que eu descobri rapidamente foi que ele ia me dar a liberdade de descobrir que tipo de jogador e pessoa eu poderia me tornar.

Ele me tratou como um membro confiável da equipe, não um bem para ser monitorado e guiado para produzir. Conhecendo muito pouco sobre mim, ele me deu corda o bastante para eu me enforcar, enquanto, ao mesmo tempo, mantinha meus objetivos e aspirações na minha frente. Eu sempre fui o palhaço da turma na escola e nos vestiários, mas a liberdade que Kubiak me ofereceu me fez começar a pensar em legados e discursos do Hall da Fama. Comecei a fazer as pequenas coisas, como ficar em casa e descansar o corpo durante Training Camps. Ele me ajudou a ver a luz.

A nível de time, ele fez o impossível logo de cara, vencendo um Super Bowl em sua primeira temporada de volta a Denver. Ele fez isso navegando a linha tênue entre manter os jogadores descansados e saudáveis para janeiro e ser competitivo nos domingos de outono. Quando Kub chegou aqui, nós tínhamos o time. Ele só queria que fôssemos esse time nos playoffs. Naquele primeiro camp, os veteranos treinavam um dia e tinham o dia seguinte de folga, algo inédito para quase todos nós. Eu estava acostumado a dar tudo de mim todos os dias, forçando, chegando até o limite e tentando superar esse limite. Mas o treinador Kubiak queria deixar esse limite longe, e funcionou.

E quando esta temporada não correu como esperávamos, tendo deixado de ir aos playoffs pela primeira vez na minha carreira, ele fez a coisa difícil que os grandes treinadores fazem. No particular, ele falou diretamente com os jogadores, comunicando claramente suas expectativas e correções. Mas em público, ele assumiu a culpa por tudo, até coisas que não eram culpa dele. Todo time de futebol americano tem suas panelinhas e grupinhos que podem bater de frente quando você atinge obstáculos, mas ele fez um ótimo trabalho mantendo todo mundo junto quando o navio parecia destinado a afundar.

Assim sendo, continuarei fazendo o trabalho dele, cumprindo as missões que ele me deu, e sempre me lembrarei da confiança e respeito que ele demonstrou por mim desde o primeiro dia.

*Esta carta saiu originalmente no MMQB do Sports Illustrated, e pode ser lida, em inglês, neste link.

#GoBroncos!