Tony Romo no Broncos?

Tony Romo no Denver Broncos?

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos. Caso você tenha passado as últimas semanas vivendo numa ilha deserta e falando com uma bola de vôlei murcha, Dak Prescott virou titular absoluto do Dallas Cowboys, o que fez dispararem as suposições de que Tony Romo viria para Denver no ano que vem. Este post visa falar de todo o cenário para que esse futuro possa ou não se realizar.

A situação de Tony Romo em Dallas

Tony Romo não perdeu a titularidade em Dallas por jogar mal. Ele mal teve a oportunidade de jogar. Mais uma lesão nas costas fez com que ele perdesse boa parte da preseason e da temporada regular. Quando ele voltou a ter condições de jogo, Dak Prescott, o calouro sensação da NFL, havia liderado o Dallas Cowboys ao melhor retrospecto da NFL. Como o próprio Romo disse em seu discurso pós-banco, Dak conquistou o direito de ser titular. Romo disse que apoiaria Dak em tudo o que precisasse, mas que ele ainda tem vontade de competir.

Isso significa que ele sairá de Dallas ano que vem. Os caminhos para isso podem ser variados. Ele pode ser trocado para algum time, que assumiria seu pesado contrato, ou pode ser cortado pelo Cowboys. Se isso acontecer, deverá ser depois do dia 1º de junho de 2017, porque assim o time dividiria o dead cap dele pelos dois anos, reduzindo seu valor em 12 M para o ano que vem.

Apesar de ter ganhado fama de ser amarelão na hora H (o mesmo era dito a respeito de Peyton Manning, diga-se de passagem), Romo tem na carreira 5 vezes o prêmio de jogador ofensivo da semana, está no top 10 entre os QBs ativos em passes completos, jardas aéreas, TDs aéreos, jardas por passe completado, drives da vitória, e viradas no quarto período. Além disso, Romo tem na carreira a quarta melhor porcentagem de passes certos de todos os tempos, com 65.3%, empatado com Peyton Manning, além de ser o segundo melhor QB em atividade em porcentagem de passes para TD e o número 1 em jardas líquidas por tentativa de passe. Por fim, ele tem 4 Pro Bowls e foi uma vez segundo time All-Pro.

Com toda certeza, esses números todos não representam a fama de amarelão que ele ganhou, e, se estiver saudável, Tony Romo é um dos melhores QBs da liga.

Por que Tony Romo viria a Denver?

Romo deixou claro que ainda acredita ter lenha pra queimar. Só que ele não iria para um time sem chances de Super Bowl. Não faz sentido para ele gastar os últimos anos da carreira ajudando um time a se reerguer. Da mesma forma que Wes Welker, Aqib Talib, DeMarcus Ware, Emmanuel Sanders e Evan Mathis, entre outros, Denver é um lugar atraente de se vir. A cidade é ótima, a torcida é ótima, a defesa é ótima, e John Elway é ótimo. De acordo com múltiplos relatórios, os times que mais atraem Romo são o Broncos e o Cardinals, ambos os times com situações complexas na posição de QB.

Além disso, com saídas, cortes e reajustes, acredito que nosso time terá cerca de 50 M de cap disponível. Isso dá espaço o bastante para contratar um ou dois jogadores bons/ótimos de OL, além de oferecer um contrato interessante para o QB. E o contrato nem precisa ser um dos tops da liga. Elway sabe como manipular bons contratos, e ele poderia fazer algo barato na frente, mas cheio de incentivos por objetivos alcançados. Se Romo fosse mal ou se machucasse, o time não gastaria muito dinheiro com ele. Se fosse bem, o time pagaria de bom grado pelos serviços prestados, como fez com os 4 milhões extras pagos a Peyton Manning por ter vencido o Super Bowl.

Para melhorar a hipótese, a presença de Romo faria as defesas respeitarem o jogo aéreo. Com isso, abririam-se espaços para o jogo corrido deslanchar o que, por sua vez, diminuiria a pressão em cima do QB. O ataque de Kubiak, quando implementado adequadamente, foca-se no jogo corrido e no ZBS, algo muito similar ao que o Dallas tem (embora, é claro, a OL deles funcione melhor). Por isso, a adaptação de Romo ao playbook do Broncos não seria tão complicada, já que ele está muito mais acostumado ao tipo de chamadas que Kubiak faz do que, por exemplo, Peyton Manning estava.

E enquanto é verdade que há potencial nos nossos jovens QBs, esse potencial ainda é cru. Apesar de estarmos 7-3 na temporada, Siemian e Lynch combinaram para ridículas 6.9 jardas por tentativa e um passer rating de 85.2. No último ano em que Romo esteve saudável a maior parte da temporada, cada tentativa dele gerou 8.5 jardas em média, e ele teve o melhor passer rating da liga, com 113.2. Embora é verdade que Romo dificilmente será exatamente igual ao que foi, isso, com todos os números citados acima, o credencia como um upgrade na posição.

E quanto aos nossos jovens QBs, Siemian e Lynch se beneficiariam da experiência de Romo, que é um ótimo jogador de vestiário. E diferentemente de Osweiler, um contrato de dois a três anos a Romo ainda permitiria ao time ver o que Lynch é capaz de fazer, sem ter que entrar numa disputa de mercado por ele. Já Siemian poderia disputar com Lynch ou ser usado de moeda de troca em negociações, especialmente se o Broncos for aos playoffs de novo.

Por que Tony Romo não viria a Denver?

Para começar, um raio pode não cair três vezes no mesmo lugar. A combinação de uma defesa forte com um ataque focado no jogo corrido levou John Elway e Peyton Manning ao título beirando os 40 anos. Isso não significa que a fórmula vai se repetir, especialmente se CJ Anderson não conseguir se manter saudável. Elway pode decidir que cansou da ideia de ter um QB veterano no elenco e apostar todas as fichas nos jovens, especialmente Paxton Lynch, por quem ele é apaixonado.

Além disso, com os quase 50 M de cap disponível, Elway pode resolver investir pesado em veteranos da OL, já que teremos ao menos um G bom disponível, e ele ainda pode tentar um movimento para trazer Joe Thomas por troca. Enquanto essas duas transações poderiam ser feitas mesmo com Tony Romo de QB (para mim, aliás, elas seriam prioridades com um QB menos móvel), sem um QB caro, haveria ainda mais espaço para negociações.

Para piorar a hipótese, Romo tem sérios problemas de durabilidade. Em dez temporadas como titular, Romo só jogou os 16 jogos em 4 delas, tendo perdido 10 jogos em 2010, 12 em 2015 e os 9 para começar a temporada em 2016. Ele perdeu 36 dos 153 jogos que seu Dallas Cowboys fez nesses 10 anos, ou quase um quarto das partidas. Peyton Manning, quando veio, era considerado um Iron Man. Ele era o tipo de jogador que entrava até na 16ª partida da temporada, sem valer nada, e teve um dos recordes de jogos seguidos como titular na liga. Para piorar, enquanto Manning, até seu penúltimo ano, foi um monstro, nos 4 jogos que Romo fez em 2015, ele teve ridículos 79.4 pontos de rating. E Elway mostrou com Ryan Clady que não gosta muito de arriscar com veteranos injury prones.

Por fim, em 2014, o que foi o último bom ano de Romo, DeMarco Murray foi impulsionado pela melhor OL da liga a 1846 jardas, algo que abre espaços no jogo aéreo, e Romo foi sacado apenas 29 vezes na temporada. Enquanto isso, além de não termos um RB para chamar de nosso durante toda a temporada, nossos QBs já foram sackados 29 vezes em 10 partidas. Por mais convidativa que seja a situação de Denver, se Elway não conseguir provar para Romo que formará um time com condições de protegê-lo e ajudá-lo a ser bem sucedido, o veterano pode decidir levar seu futebol para outras pastagens.

Enfim, essas conjecturas não seriam possíveis se não estivéssemos em semana de folga do time. E é claramente muito cedo para começar a pensar em 2017, mas com certeza, o Front Office já está fazendo isso. Um olho no presente e outro no futuro, é assim a vida de um General Manager da NFL.

Tony Romo é um dos melhores jogadores não-draftados da história, senão o melhor (ao menos na opinião de alguns). Além disso, é um dos melhores QBs em atividade, mesmo tendo essa atividade reduzida nos últimos anos, e pode fazer a função que Mark Sanchez supostamente deveria fazer, servir de guia e pilar para a situação de transição na posição de QB para o futuro com Paxton Lynch, Trevor Siemian ou qualquer outro que aparecer nos próximos anos, ao mesmo tempo em que daria estabilidade na posição e poderia servir como atrativo para Free Agents veteranos, numa escala menor, mas semelhante ao que Peyton Manning fez nos anos em que esteve em Denver.

A ideia do post foi, em vez de dar uma opinião direta sobre o assunto, ilustrar os dois lados possíveis, para que vocês todos pudessem debater o assunto.

E aí? To Romo or not to Romo?

#GoBroncos!