Analisando a interceptação do Aqib Talib contra o Colts

No último domingo o Denver Broncos conseguiu uma vitória eletrizante contra o Indianapolis Colts, definida apenas nos minutos finais da partida. A interceptação histórica do Aqib Talib (a 9ª de sua carreira retornada para touchdown) foi crucial na conquista desse objetivo. Vamos analisar como essa jogada aconteceu?

 

Para entendermos como tudo se desenrolou, precisamos antes conhecer os fundamentos dessa poderosa combinação de rotas. Presente no playbook de todos os times da NFL, a Flat/Corner é também conhecida como Flat-7 (ou ainda 7-Stop) e causa muitos problemas às defesas quando é bem executada. Este é o desenho da jogada:

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Em termos gerais, esse conceito de jogada serve para sobrecarregar os safeties em Cover-2, ou então o safety profundo em Cover-1 ou Cover-3. Ou ainda para testar a habilidade do CBs jogando na lateral do campo, onde não tem ajuda quando está em cobertura man-2-man.

No início da jogada, um TE ou slot receiver corre uma rota Flat para prender o CB em Cover-2 ou o LB em Cover-3, impedindo ambos os casos de droparem em cobertura com profundidade suficiente para afetar a rota Corner, executada pelo WR.

Esse é um design muito simples de rotas, embora bastante letal, usado especialmente em situações de 3rd-and-longs. Os Colts utilizaram com sabedoria essa carta na manga contra os Broncos. Aqui temos a imagem pre-snap da chamada, com o Aqib Talib destacado em laranja.

 

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Como já vimos no fundamento da jogada, o WR correu uma rota Corner e parou poucos passos após o corte (por isso o nome 7-Stop). Isso é particularmente muito inteligente contra uma cobertura em Cover-3, que foi precisamente o que o Broncos utilizou na jogada. Isso porque coloca o recebedor num espaço vazio entre o CB (na zona lateral funda) e o S (na zona central funda).

 

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O que deu errado para o Colts foi que a nossa defesa fez a lição de casa e estudou os vídeos do adversário. O Aqib Talib, protagonista dessa jogada, inclusive mencionou na entrevista após o jogo que os estudos da semana mostraram essa forte tendência de Indianapolis em usar a 7-Stop nesse tipo de down e distância.

Ele sabia que essa jogada estava vindo e se alinhou em cobertura off (conheça melhor este termo), esperando pelo passe do Andrew Luck. Repare na imagem acima como ele ainda estava posicionado com vantagem pela lateral, o que demonstrou para o ataque do time deles que seria uma Cover-3 de fato (exatamente o que eles gostariam que fosse).

Essa é uma técnica de marcação que o Talib gosta muito, já que o permite visualizar o desenrolar das rotas na frente dele além de poder ler os olhos do quarterback adversário.

Assim que a jogada começou, o nosso CB iniciou seu backpedal tradicional, bem longe ainda do recebedor, até diagnosticar que se tratava da 7-Stop. Então assim que o Luck plantou os pés para fazer o passe, ele se antecipou e atacou a rota, chegando na bola antes do WR.

 

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O resto da história nós já sabemos como foi. Ele retornou para a endzone e acrescentou mais 6 pontos no placar a nosso favor. Uma coisa interessante a se notar é que a jogada defensiva não era de fato uma Cover-3 tradicional, como fizeram o Colts acreditar.

O TJ Ward é quem tinha a responsabilidade da zona lateral funda, conforme ilustrado abaixo. Este é mais um detalhe que reforça como o nosso querido coordenador defensivo Wade Philips fez muito bem a lição de casa e preparou a nossa secundária com maestria.

 

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Note que Indianapolis precisava alcançar a metade do campo para o first down. A zona do Ward o colocava com profundidade suficiente para defender precisamente este ponto, que era justamente a zona de ataque da 7-Stop. Tudo isso de maneira a ainda observar o TE na rota Flat bem na frente dele.

Isso permitiria a ele avançar e fazer o tackle, se fosse o caso do Andrew Luck perceber a armadilha e adaptar a jogada fazendo o passe no TE. A combinação de tudo isso permitiu ao Talib jogar com essa agressividade, pois sabia que o TJ ajudaria na prevenção do first down caso ele não conseguisse interceptar a bola.

Outro ponto interessante para repararmos é o fato do Derek Wolfe levantar os braços na posição de LDE bem na frente do QB. Isso provavelmente foi o fator crucial que impediu uma visão clara deste lado do campo para o Luck, que resultou num passe que jamais poderia ter sido feito.

 

Analisando jogadas assim é que percebemos a genialidade da nossa defesa, como cada setor se completa e como são todos regidos pelo muito experiente Wade Philips. Eu sou um fã de carteirinha da inteligência de futebol americano dele, e você o que achou da maneira com que ele contra atacou essa poderosa jogada do adversário?

GO BRONCOS!!