Quem será o quarterback do Broncos?

John Elway e a questão do Quarterback

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos. O maior questionamento da offseason, que continua na preseason, é referente a quem será o Quarterback do Denver Broncos. Afinal de contas, na era do jogo aéreo, a era dominada pelos Quarterbacks, como pode um time querer ser campeão sem um? Bem, podemos. John Elway, um dos maiores (senão o maior) QBs de todos os tempos, sabe bem disso.

Baseado num texto do Bucky Brooks, ex-jogador e scout da NFL trago um pouco sobre como a situação do nosso quarterback é menos importante do que todos acham. Aliás, acho que a questão remete um pouco ao que escrevi antes no texto que falava do valor de um quarterback para o título.

É engraçado como, numa liga que supostamente depende de como um quarterback joga, um QB de Hall da Fama acredite que o jeito de competir consistentemente para construir um time não é ao redor do seu Quarterback.

É fácil de pensar que a frase soa como uma blasfêmia, baseado em como ouvimos técnicos, scouts, comentaristas e torcedores falando do quanto a liga é “uma liga de quarterbacks”, e como você precisa ter um “Franchise Quarterback” para erguer o Troféu Lombardi. Mas os times que rotineiramente brigam pelo troféu são exatamente isso: times. No esporte mais coletivo de todos, é necessário um elenco bem equilibrado para ganhar um anel, não importa de como os números de fantasy football possam fazer todos pensar que um ataque poderoso é a melhor receita para o sucesso.

Claro que ter alguém como Tom Brady, Big Ben, Aaron Rodgers e Drew Brees (Peyton não entra mais na lista, já que se aposentou T-T) faz diferença. Esses caras são capazes de elevar o jogo de suas equipes, fazendo-as alcançar lugares que ninguém imaginava, e ganhar jogos que pareciam perdidos. Mas mesmo os deuses entre os mortais precisam de um bom elenco de suporte, e todos tiveram defesas entre as melhores da liga em categorias críticas, como turnovers, conversões de terceiras descidas e sacks.

É muito mais importante ter um time que complemente bem seu quarterback, mesmo que ele seja apenas um game manager. Não é uma abordagem que agrada a liga, nem enche estádios, muito menos cria dezenas de highlights jogo após jogo. Muitos dizem que o Broncos foi o campeão mais feio a vencer o Super Bowl. Mas o que importa é isso: foi campeão. O mesmo pode ser dito sobre o Seattle Seahawks e até mesmo o San Francisco 49ers, que chegou a três finais de NFC e a poucas jardas de um troféu Lombardi com Alex Smith e Colin Kapernick funcionando como complementos para um bom time.

Depois de termos tomado uma surra histórica do Seattle Seahawks, aquele SB que ninguém esquece, o nosso 7 a 1, que foram 43 a 8, John Elway decidiu inverter a fórmula, e trocou o ataque mais poderoso da história da NFL por uma defesa lendária.

Na offseason de 2014, pegamos DeMarcus Ware para fazer companhia para Von Miller, e gerar um pass rush de botar medo dos dois lados da linha. No fundo, trouxe mais dois Pro Bowlers, Aqib Talib e TJ Ward, além de pegar Bradley Roby no primeiro round do draft, para complementar a secundária que já contava com Chris Harris Jr, uma estrela em ascensão.

Com o desenvolvimento de Derek Wolfe e Brandon Marshall, além de Shane Ray e Shaquill Barrett, o Broncos tem um cerne novo e com grande potencial para ter uma unidade defensiva de elite por muitos anos.

No ataque, mantivemos CJ Anderson e Ronnie Hillman na última offseason, além de termos escolhido Devontae Booker no draft, que parece ter sido a melhor escolha no curto prazo. Com Emmanuel Sanders, podemos chegar a um bom acordo que pode gerar um corpo de receivers top por muito anos, com DT garantido.

Sem contar que, temporada passada, Elway pediu para o jogador mais famoso do elenco, o quarterback Peyton Manning, para aceitar um corte de salário para poder ter mais dinheiro para gastar no elenco de apoio. E como a temporada terminou? Com o maior anel da história dos Super Bowls.

Tudo isso mostra que Elway jogou todas as suas cartas do jeito certo, e lidou com a situação de quarterback no nosso time da melhor forma possível. Nosso time não só é candidato ao back to back, como tem o potencial de ser uma das potências da liga pelos próximos cinco a seis anos, no mínimo.

Dentro do plano, não faria sentido gastar uma fortuna com um quarterback inexperiente como Brock Osweiler. Osweiler, aliás, que teve um desempenho ridículo no seu primeiro jogo de pré-temporada como QB do Texans. Claro que seria muito mais fácil fazer a transição com um cara que passou quatro anos com o elenco, mas não dava para gastar 18 M por ano com um cara que não é o foco de sucesso do time.

Nós ganhamos o Super Bowl 50 mesmo tendo a segunda pior eficiência aérea na liga, já que nossos dois QBs somaram 74.2 de rating, 13.5 abaixo da média da liga, que foi de 87.8. Pensem nisso por um minuto. O Denver Broncos foi campeão com nossos QBs jogando bem abaixo da média da liga. Por que deveríamos gastar um oitavo do salary cap num jogador que não é o principal contribuinte para o sucesso?

Aliás, é de se pensar se a estratégia dos outros times em pagar fortunas para seus quarterbacks realmente faz sentido. Matt Ryan assinou um contrato de 5 anos, mais de 103 M com 42 M garantidos. Tem 74-52 na temporada regular e 1-4 nos playoffs. Ryan Tannehill assinou um contrato de 77 M por 4 anos, com 45 M garantidos. 29-35, nunca foi aos playoffs. Jay Cutler, 7 anos, 126.7 M, 54 M garantidos. 67-67 na temporada regular, 1-1 nos playoffs. Matthew Stafford, 3 anos, 53 M, 41.5 M garantidos. 42-51, 0-1 na pós-temporada. Para completar, Sam Bradford, 2 anos, 35 M, com 22 M garantidos. 25 vitórias, 37 derrotas, 1 empate. Sem playoffs.

Se um quarterback pode ser julgado pelo quanto ele ajuda seu time a vencer, esses salários são mesmo justificados?

Enquanto isso, o Denver Broncos pagará 4.5 M de cap a Sanchez, 538 k a Siemian e 1.722 M ao Lynch. Nenhum deles pode ser considerado hoje como um “franchise QB”, mas com o elenco de apoio adequado, nenhum deles precisa ser genial para levar o time ao sucesso.

E se levarmos em conta a forma como os três QBs jogaram contra o Bears, qualquer um deles é capaz de ir com o Broncos à terra prometida do Lombardi.

Atenção ao detalhe: “ir com o Broncos”, em vez de “levar o Broncos”. Porque no esporte mais coletivo de todos, o melhor time ganha, não o melhor quarterback. E com 10/13, 99 jardas 1 TD, 1 Pick, ou 7/12, 88 jardas, ou 6/7 74 jardas, qualquer uma dessas estatísticas, se extrapoladas para uma longa temporada de 16 jogos, são suficientes para ajudar o time a chegar onde quer.

Não só em 2016, como nos próximos anos. Enquanto o Broncos for um time, não um quarterback com um time, temos chance.

Elway sabe disso. Confiem nele.

#GoBroncos!