Obrigado, Xerife

Broncrônica: A Hora Chegou – Obrigado, Xerife!

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos. Depois de quatro vitoriosos anos, a hora chegou. A segunda-feira, 07 de março de 2016, ficará marcada na história como o último dia de Peyton Manning como um jogador profissional. O Xerife vai se aposentar.

Fecho os olhos, e consigo ver o dia em que nos conhecemos.
Passamos por tanto e fizemos muito.
E sentia como se fôssemos ficar juntos para sempre.
Você é uma parte da minha vida da qual sempre me lembrarei.

Faz praticamente 4 anos. Era dia 20 de março de 2012. 4 dias antes do seu aniversário de 36 anos. Numa idade na qual muitos já penduraram as chuteiras, você estava começando um novo capítulo na sua carreira, na sua vida.

Antes disso, costumávamos nos perguntar como seria 2012. Depois da temporada mágica de 2011, seria Tim Tebow o quarterback do futuro? Trocaríamos várias escolhas de draft para draftarmos uma nova cara para a franquia? Traríamos algum Free Agent para cuidar das coisas por um tempo?

A terceira opção. O maior Free Agent de todos os tempos escolheu Denver. E como cuidou das coisas por um tempo, não é mesmo?

Tivemos dúvidas, é verdade, como será que um QB velho aguentaria jogar, especialmente depois de 4 cirurgias no pescoço? As dúvidas foram reforçadas por um péssimo jogo contra o Atlanta Falcons, no qual ele lançou 3 interceptações num curto espaço de tempo. E começaram a desaparecer numa virada histórica sobre o San Diego Chargers, depois de estarmos perdendo por 24 a 0.

Nesses quatro anos, passamos pelo Hades e pelos Campos Elísios. Tivemos a maior porcentagem de vitórias da NFL, e uma das maiores derrotas da história do Super Bowl.

Vimos você ter a melhor temporada da história para um QB, e vimos o pior jogo de sua carreira.

Que viagem foi essa.

Peyton Manning, o Xerife, nunca foi, nem de longe, um grande atleta, no sentido específico da palavra. Nunca foi o mais rápido, nunca foi o mais forte. Mais ninguém até hoje voou mais alto.

Ao se aposentar, é o líder das principais estatísticas da NFL, e líder ou segundo na história do Broncos. Tem mais touchdowns, mais jardas, mais vitórias que todos. É o único a ter ido a múltiplos Super Bowls, e a ganhar ao menos um título, com duas franquias diferentes.

Quando seu corpo não mais aguentava, seu cérebro compensou. Mas chegou a hora. Chegou a hora do Xerife largar as armas e parar. Dói, a decisão foi difícil, devo imaginar. É difícil largar mão de algo que se faz em alto nível há 29 anos, desde que começou a seguir os passos do pai. E superá-los.

Manning começa a definição de Man. The Man. O Cara. Sua ética profissional, seu amor pelo esporte, sua dedicação e vontade. A “corrida” de 12 jardas na partida contra o Patriots, final da AFC, define bem isso. Com o pé lesionado, precisávamos daquele first down. E você foi atrás dele. Desta vez, você não deixaria escapar.

Foi o último rodeio do Xerife, e, como John Elway antes dele, o potro (Colt) cresceu e se tornou um verdadeiro Bronco. Indomável. Campeão. Mas chega uma hora em que o campeão deve dar espaço aos mais jovens, já que não tem mais condições de ir para o páreo. Felizmente, seu último páreo, seu último rodeio, terminou com o título.

E antes que apontem que o título foi da defesa, daqui a 50 anos, quando chegarmos ao Super Bowl 100, todos se lembrarão da melhor defesa que o Broncos já teve, mas todos também verão Peyton Manning com o Vince Lombardi na mão. Ele que levou uma defesa toda machucada e desfalcada ao Super Bowl de 2013, foi levado machucado para o Super Bowl 50. E saiu de lá da forma que todos esperávamos.

Obrigado, Xerife. A hora chegou, e foi muito bom enquanto durou.

Começa agora uma nova era para o Broncos e para a NFL.

A hora chegou.
É melhor assim, eu sei disso.
Mas quem poderia adivinhar que você e eu
Algum dia, de alguma forma, teríamos que dizer adeus?

Hoje, de alguma forma, temos que dizer adeus.

#GoBroncos!