Free Agency 2016 é um filme de terror?

As perdas no free agency nos farão falta?

Primeiramente, gostaria de me apresentar. Meu nome é Deivis Chiodini, sou um Bronco Fan desde 25 de janeiro de 1998, quando vi meu primeiro jogo de Football, o Super Bowl XXXII, vencido por nós, naquela performance épica de Terrell Davis. De lá pra cá, muita água correu, muito lágrimas correram por essa franquia e esse ano fui convidado para escrever para o Mile High Brasil. Aceitei, com muito orgulho e hoje dou início a essa jornada. Mas chega de delongas, vamos ao o que interessa. Na semana retrasada, teve começo o período de free agency. Nela perdemos algumas peças que foram importantes na nossa campanha que culminou na vitória no Super Bowl 50.

Não, não falarei de Peyton Manning. Sabíamos que ele provavelmente se aposentaria. Nem falarei dos cortados ou dos free agents que não foram ainda para outras equipes. Eles podem voltar, inclusive os cortados. E convenhamos, se o jogador foi cortado é por que nosso staff entende que pode suprir essa ausência de forma eficaz e já tem algum plano, concordam? Vamos falar sobre os 3 principais nomes que realmente perdemos para outras equipes nesse período: Malik Jackson, Danny Trevathan e Brock Osweiler. E calma, a franquia não está acabando, isso é normal. Confiemos em John Elway, ele já provou que sabe o que faz. Vamos à análise:

Malik Jackson

Malik comemorando seu TD no Super Bowl

O DT/DE de 26 anos assinou um contrato de 6 anos com os Jaguars, num valor total de 90 milhões de dólares. Malik é um jogador com uma capacidade absurda em colapsar o pocket mesmo jogando no sistema 3-4 (onde os homens de linha defensiva tem geralmente uma habilidade limitada em pass rush) e um dos principais nomes no free agency. Na última temporada, ele conseguiu 45 tackles, 5 sacks, 1 safety e 7 passes defletidos, além de recuperar um fumble para nosso primeiro TD no Super Bowl.

A verdade é uma só: Tivemos que optar entre Derek Wolfe e Malik. E acabamos renovando com Wolfe, não tão bom no pass rush, mas de elite contra o jogo corrido. Com o valor de mercado alto, Malik recebeu um mega contrato dos Jaguars, bem acima do que pagamos a Wolfe (4 anos, 36 milhões). Por esse valor, só tenho uma coisa a dizer: Muito obrigado, Malik. Acho um contrato muito alto para um jogador de linha defensiva, e por mais que Malik seja um ótimo jogador, ele receberá mais que JJ Watt em 2017. Não temos cap para isso, e John Elway não comprometeria o mesmo tanto assim por um jogador de DL.

No free agency, podemos apostar em Nick Fairley, que jogou pelos Rams na última temporada. Fairley é sem dúvida um jogador com talento acima da média, mas tem fama de preguiçoso e indolente. Quem sabe Wade Phillips não possa ser o cara a colocar sua carreira no eixo? Terrance Knighton, que esteve conosco na penúltima temporada também pode aparecer, mas ele não tem tanto poder na pressão ao QB.

No Draft, vejo como boa alternativa no 2° ou 3° round, 2 jogadores de Penn State: Carl Nassib, jogador que costuma pressionar muito o QB e Austin Johnson, que tem um combo mais equilibrado entre parar corridas e pressionar o QB, lembrando muito Derek Wolfe. Dentro do elenco, o desenvolvimento de Kenny Anunike pode ser uma aposta.

Danny Trevathan

Trevathan no Super Bowl

O ILB já tinha dado mostras que testaria o mercado e acabou assinando um contrato de 4 anos para receber 24 milhões de dólares com o Chicago Bears, se tornando o 11° ILB mais bem pago da liga. Trevathan conseguiu na última temporada 131 tackles, duas interceptações  (uma retornada para TD), 1 fumble recuperado e 7 passes desviados. Trevathan foi extremamente consistente na cobertura de passes e confiável no jogo corrido. Ele só não foi um linebacker de 3 downs, por que Brandon Marshall foi “o cara” nessa temporada. Mas Trevathan não ficou muito longe e tenho plena convicção que se não estivéssemos com o cap tão apertado, tentaria uma bela oferta para renovação.

No free agency, não temos muitas boas opções, sendo o veterano Demeco Ryans uma das melhores (porém, mesmo assim, muito arriscada).

No Draft, podemos pensar no bom prospecto de Mississippi State, Beniquez Brown para uma escolha de 2° round. Se formos pensar em picks mais baixas, algo no 4° round, fiquemos de olho em Josh Forrest, agressivo ILB de Kentucky, que pode ser um bom steal. Dentro do próprio roster, Todd Davis teve alguns bons jogos e pode receber suas maiores chances na pré-temporada.

Brock Osweiler

Não veremos mais essa cena em Denver

E aqueles que muitos apostavam que seria nosso franchise QB com a saída de Peyton Manning se foi. Brock Osweiler assinou com o Houston Texans por 4 anos recebendo 72 milhões.  Brock conseguiu 10 TD’s passando, 1 correndo, com 1967 jardas, sendo que completou 61, 8% dos passes. Também teve 6 interceptações e terminou o ano com um rating de 86,4.

Parece que a sombra de Manning pesou e por isso Brock resolveu sair. As comparações com o ídolo seriam inevitáveis e o fato dele comandar um time campeão lhe traria uma pressão extra. Por isso a opção por uma franquia menos vitoriosa, em que o maior QB até hoje foi Matt Schaub.

Falando em termos de campo, Brock foi um QB que mostrou desenvoltura e flashes de potencial em alguns momentos, como no jogo contra os Patriots. Em compensação, ainda não se mostrava totalmente pronto, como nas decisões equivocadas contra San Diego, que o levaram ao banco.

Rei morto, rei posto. Contratamos Mark Sanchez, mas não de desespere. Ele vem com plano B, para caso tudo dê errado. Sanchez é um QB mediano, que pode ser um bom backup, e com um ataque terrestre consistente e defesa forte, pode dar um caldo. Temos também no elenco, Trevor Siemian, segundo anista draftado no final do Draft do ano passado. Ele realmente é uma incógnita para mim, mas pelo pouco que vi, não tem grande futuro na liga.

Não exatamente no free agency, mas sim possivelmente envolvendo uma troca, desponta o nome mais especulado: Colin Kaepernick, QB do San Francisco 49ers. Muito se falou sobre uma trade, mas até o presente momento nada de mais concreto foi firmado. Kaepernick sem dúvida seria um movimento arriscado e mostraria ousadia por parte de John Elway. Após estar tendo uma péssima temporada e acabar sendo colocado no banco de Blaine Gabbert, ele se lesionou e foi parar  na lista dos contundidos. Kaepernick é questionado pelas suas sucessivas leituras ruins, que o tornam presa para sacks, fumbles e interceptações. Porém , vale lembrar que quando o mesmo teve um ataque corrido eficiente, bons recebedores e uma defesa dominante, chegou a um Super Bowl (perdido numa 4° para o gol na linha de 5) e uma final de conferência. É um QB móvel, com braço forte e que tem boas chances de se adequar bem ao sistema de Kubiak.

Outros nomes cogitados são de RG III, que foi dispensado pelo Washington Redskins e Ryan Fitzpatrick, que vem de boa temporada pelos Jets. RG III passou a temporada toda sem sequer vestir o uniforme de jogo e também seria uma aposta arriscada. Além de ter basicamente os mesmos problemas e qualidades de Kaepernick, ele tem um histórico grandioso de lesões graves desde os tempos da universidade e o real estado de seu joelho é uma incógnita.

Já “Fitzmagic” é um QB que já demonstrou ser capaz de conduzir seu time a vitórias. Mesmo sem ser brilhante, ele comete poucos turnovers, conduz bem o time em passes curtos e é corajoso. Novamente com o combo “jogo corrido forte + defesa dominante” pode trazer bons resultados. É um clássico “game management”, algo como Alex Smith em Kansas City.

No Draft, vejo dois nomes despontando: Paxton Lynch de Memphis ou Dak Prescott de Mississippi State. Lynch tem um braço forte e alguma precisão nos passes, mas com certeza precisa ser desenvolvido, principalmente no trabalho under center e na leitura de coberturas mais complexas.

Dak Prescott é um líder nato, tem boa inteligência e saber ler as defesas, além de ser bom com as pernas. Mas precisa desenvolver sua mecânica e sua precisão para jogar na NFL.

E você, concorda com nossa opinião sobre nossas principais perdas? Quais seus palpites para as suprirmos? Deixe seus comentários.