Peyton Manning e o Denver Broncos

Peyton Manning e o Denver Broncos

Pouco depois que Manning voltou ao time esta temporada, soltamos uma pergunta na fanpage, questionando se Peyton Manning já poderia ser considerado para o Anel da Fama do Denver Broncos, e boa parte das respostas foi a de que ele era uma estrela do Colts “emprestada” para o Denver Broncos. Nosso amigo Pedro Pinto discorda disso, e traz para vocês a opinião dele sobre isso. Confiram:

Você sabe quando aparece um infográfico sobre algum jogador e as estatísticas dele? Sabe do que estou falando não é? Pois bem, você se lembra do gráfico do dia em que Peyton Manning bateu o recorde de Brett Favre para touchdowns passados na carreira? Está com dificuldade? Vou te dar uma ajuda:

Favre, Manning e sua importância para o Denver Broncos

Olhe bem para esta imagem. Percebeu alguma coisa? Isso mesmo, Brett Favre aparece com o uniforme dos Green Bay Packers, time pelo qual jogou a maior parte de sua vida profissional, mas teve passagens rápidas pelos New York Jets e os rivais dos cabeças de queijo, Minnesota Vikings. Porque então, que a imagem de Favre é somente com a camisa dos Packers? A resposta é bem simples. Ele bateu os recordes enquanto jogava em Lambeau. Mas falemos de Peyton Manning. O “Peyton Manning dos Colts”, o responsável pela construção do Lucas Oil Stadium, “A casa que Peyton ergueu”, o maior jogador da história de Indianapolis. Olhe bem para o infográfico mais uma vez. Repare bem no seu uniforme. Não vemos ali o “Peyton dos Colts”, e sim o “Peyton dos Broncos”. Você já deve estar se perguntando onde eu quero chegar com isso. Vamos direto ao ponto.

Ao longo de toda a história da NFL tivemos inúmeros jogadores consagrados que passaram por mais de uma franquia, porém a imensa maioria só é lembrada pelo que fez em um só time. Jerry Rice, Joe Montana, Johnny Unitas, Emmitt Smith, Shannon Sharpe, etc. Todos estes são atletas que jogaram por mais de uma franquia, mas ao citar seus nomes, você automaticamente faz ligação somente a uma para cada atleta: 49ers, 49ers, Colts, Cowboys e Broncos respectivamente. Por que então que Peyton Manning não é igual a eles? Vou dar um exemplo: Kurt Warner, quarterback campeão do Super Bowl pelo St. Louis Rams e vice pelos próprios Rams e – o mais um importante – Arizona Cardinals. Ele pode (e na minha humilde opinião deve) ser eleito para ingressar na Hall of Fame junto à classe de 2016. O ponto que quero reforçar é que ninguém, pelo resto da existência da NFL, poderá esquecer o que Warner fez nos Cardinals. Ele levou a franquia ao seu primeiro Super Bowl e apesar de ter tido boa parte do seu sucesso em St. Louis, passar por cima do que fez em Arizona seria ignorar um dos momentos mais vitoriosos da sua carreira.

Voltemos a Peyton Manning. Detentor de quase todos os recordes possíveis por um Quarterback na temporada regular:

  • Touchdowns passados em uma temporada regular: 55
  • Jardas passadas em uma temporada regular: 5.477
  • Touchdowns passados na carreira em temporada regular: 539
  • Jardas passadas na carreira em temporada regular: 71.940
  • Prêmios MVP de temporada regular: 5
  • Maior número de temporadas com pelo menos 4.000 jardas passadas: 14

Vou parar por aqui, senão começa a ficar repetitivo. Reparou na coincidência entre estes seis recordes? Todos eles foram obtidos ou batidos usando o Orange and Blue. Peyton Manning nunca mais poderá ser citado sem levar em conta o que fez nestes quatro anos gloriosos em Denver. Quatro títulos de divisão, dois títulos da AFC que por consequência nos leva agora ao seu segundo Super Bowl com a camisa branca e azul. Sim, digo branca e azul agora porque Super Bowl com camisa laranja a gente já sabe como termina, e arrisco-me a dizer que este foi o motivo do fracasso no SB XLVIII (risos).

O ponto que quero chegar é que Peyton não “pertence” mais aos Colts, tampouco aos Broncos. Peyton fez o que poucos fizeram na história desta liga. Ele foi e é um mito para dois clubes. Duas franquias que, até a sua chegada, pareciam estar perdidas na NFL, sem rumo. Os Colts o escolheram com o #1 pick de 1998. Os Broncos o acolheram apenas uma temporada após o pior ano da história da equipe com 3-13 (obrigado, Josh McDaniels) e com o próprio Peyton desacreditado, cortado pelos Colts que viam (assim como eu vejo) em Andrew Luck, o próximo “Peyton” da franquia. Devido à lesão no pescoço, caiu no nosso colo um dos maiores jogadores da história da NFL, o que nos rendeu a oportunidade de ver inúmeros recordes quebrados com um cavalo e não uma ferradura no capacete.

Quando ele chegou a Denver diziam que finalmente deixou de ser um potro (colt) para se tornar um cavalo. Por mais que tenha sido apenas uma piada na época, não deixou de estar correto. Era sim apenas um potro e agora, dono de quase todos os recordes possíveis para um quarterback, podemos afirmar que se tornou um cavalo sim. Um bronco que, no dia 7 de fevereiro, terá a oportunidade de bater mais um recorde. Ele pode vencer dois Super Bowls como quarterback titular, um para cada franquia e assim, cavalgar rumo ao por do sol, livre, de cabeça erguida, como todo Bronco lendário a comandar nosso time deveria: campeão do mundo, desbancando os críticos e mostrando que nenhuma habilidade supera o coração.

Muito obrigado Peyton, por tudo que você deu à NFL, aos Colts e especialmente aos nossos Denver Broncos. Como você mesmo disse: “It´s been a pleasure.”