Quais são os Tipos de Free Agents?

Olá, amigo leitor e torcedor, este post será o primeiro de dois que abordarão aspectos importantes do período de Free Agency. Este será sobre os diferentes tipos de Free Agents, e como as diferenças entre os tipos são definidos. Vamos lá:

Há basicamente três tipos de Free Agents: Os de direitos exclusivos, restritos e irrestritos, mas antes de falarmos dos três tipos, é importante ter a noção do que define a experiência de um jogador na liga.

Temos duas formas básicas para definir quanto tempo “oficial” o jogador tem de NFL, a Credited Season e a Accrued Season.

A Credited Season (Temporada Creditada) é a forma mais comum de definir a experiência de um jogador. De acordo com a definição, para um jogador receber o crédito de uma temporada, ele deve estar em “Estado ativo de pagamento por três ou mais jogos de temporada regular”. Isso não significa que ele tenha que ser ativado para um jogo, apenas que está no roster de 53 jogadores por três ou mais semanas de temporada regular.

Isso quer dizer que, se o jogador passou a temporada na Lista de Exceção do Comissário (como Adrian Peterson passou ano passado), na lista de Injury Reserve, na lista de PUP (Fisicamente Incapazes de Jogar) ou no Practice Squad por 14 ou mais semanas, ele não tem aquela temporada creditada.

De acordo com o mais recente acordo feito entre a NFLPA e a liga, a quantidade de temporadas creditadas a um jogador determina, entre outras coisas, o salário mínimo do jogador, as compensações de trabalho, os valores que ele recebe na aposentadoria e, inclusive, quanto ele tem direito a benefícios por deficiências neurocognitivas causadas pelo esporte.

Como exemplo, em 2015, um calouro não-draftado terá $435k (k é o símbolo para mil, M é o símbolo para Milhão) como seu salário mínimo. O mínimo de um jogador com 1 ano é $510k. 2 anos, $585k. 3 anos, $660k. De 4 a 6 anos, $745k. De 7 a 9, $870k. 10 anos ou mais, $970k. Esses são os valores mínimos que um jogador pode receber, e são definidos pelo número de temporadas creditadas a cada um. A cada ano, o salário mínimo sobe em $15k.

A Accrued Season (Temporada Acumulada) determina o tipo de Free Agent que o jogador é. Quanto mais rápido ele acumular temporadas desta forma, mais rápido consegue sair do seu contrato de calouro e garantir contratos enormes, que reflitam melhor (ou exagerem) seu valor.

Para ganhar uma Accrued Season, o jogador tem que estar no roster de 53 por seis ou mais jogos de temporada regular. Isso significa que, da mesma forma que nas Credited Seasons, se o jogador estiver em qualquer lugar que não no roster, por mais do 10 semanas, ele não acumula a temporada. Há alguns detalhes extras, mas que não vêm ao caso agora.

Se um jogador se torna Free Agent com duas ou menos Accrued Seasons (como Brandon Marshall este ano), ele é um Free Agent de Direitos Exclusivos (ERFA). Se ele tem três Accrued Seasons (como Tony Carter), ele é um Free Agent Restrito (RFA). Com quatro ou mais (como Rahim Moore), ele é um Free Agent Irrestrito (UFA).

Exclusive Rights Free Agents

Os Free Agents Exclusivos são cada vez mais raros, já que, pelo novo acordo, os contratos de calouros draftados são de quatro anos, com a opção do quinto para os de primeira rodada. Em geral, são jogadores que assinam com um time depois de não serem draftados, ou que passam boa parte dos seus primeiros dois anos de contrato no Practice Squad dos times.

Os ERFA são propriedade de seu time, desde que ele exerça sua opção de mantê-lo. Ele não tem liberdade para negociar outros contratos, e está, essencialmente, preso por mais um ano com seu time, pelo salário mínimo, de acordo com quanto tempo tem de carreira. Por exemplo, Paul Cornick teve ano passado sua primeira temporada acumulada. Isso significa que, para 2015, seu novo contrato lhe dará $ 510 K. Além disso, ano que vem ele continua sendo ERFA, caso o time não lhe dê um novo contrato, mais longo, poderá simplesmente trancá-lo por mais um ano. Já Brandon Marshall, que tem duas temporadas acumuladas, ano que vem se tornará um Free Agent Restrito.

Restricted Free Agents

Os Free Agents Restritos são um pouco menos raros. Em geral, são jogadores nas mesmas situações dos ERFA , ou que passaram um ano no Practice Squad ou IR.

Os RFA têm um pouco mais de liberdade, mas o time ainda exerce algum tipo de controle sobre eles. Um RFA poderá receber ofertas de qualquer outro time, mas seu time atual tem o direito de igualar o que foi oferecido, ou receber uma compensação em troca, dependendo do tipo de tender que receber.

A tender mais alta, em 2015, dá ao jogador um salário de $3.354 M por um ano. Caso um time (Time A) ofereça um contrato ao jogador, o time atual dele (Time B) tem o direito de igualar a proposta. Se optar por não fazê-lo, a escolha de primeira rodada do Time A no draft do ano seguinte vai para o Time B.

A próxima tender é a no valor de $2.356 M em 2015. Ela é igual à primeira, mas, ao invés de uma escolha de primeira rodada como compensação, dá uma de segunda.

O terceiro tipo de tender é no valor de $1.542 M em 2015. Novamente, o time tem o direito de igualar uma proposta, recebendo uma escolha da rodada na qual o jogador foi originalmente draftado.

O último tipo de tender tem o mesmo valor da acima, mas não dá nenhuma compensação ao time atual do jogador. Em geral, é usado em jogadores não-draftados, como é o caso de Tony Carter este ano.

O time geralmente oferece um bônus por assinar, junto com a tender. Em 2015, a data limite para um RFA que recebeu a tender receber uma proposta de outro time é até o dia 24 de abril. Quando há uma proposta, o time original tem cinco dias para decidir se vai igualar ou não a proposta. Caso iguale, o jogador não tem opção, a não ser assinar com seu time. Da mesma forma, passada a data limite, o jogador não pode assinar com nenhum outro time, que não o seu.

Unrestricted Free Agents

Os Free Agents Irrestritos são jogadores com quatro Accrued Seasons ou mais. Praticamente todos os calouros draftados em 2011 (quando o último acordo coletivo foi assinado) entram nessa categoria, assim como entrarão os que foram draftados depois disso, desde que não sejam cortados antes de seus contratos terminarem. Jogadores veteranos em seu segundo ou terceiro contrato também entram aqui.

Esses jogadores são livres para negociarem com qualquer time, incluindo aquele pelo qual jogaram no ano ano anterior, e, geralmente, demandam um valor muito maior do que os outros tipos. Além disso, o time que perde mais UFAs do que contrata numa temporada recebe escolhas compensatórias no draft da temporada seguinte. A rodada das escolhas depende dos valores dos contratos, e a quantidade delas, de uma fórmula mágica guardada a sete chaves pela NFL. Sites de análises, e os próprios times, deduzem quantas escolhas ganharão (Elway disse que espera ter 4 escolhas extras em 2015), mas ninguém tem certeza absoluta de como funciona, exceto a própria NFL.

De forma extraoficial, os UFAs são classificados em 4 categorias (tiers), dependendo de seu desempenho anterior e quanto impacto podem causar no próximo contrato.

Os da Tier 1 são os grandes nomes. Demaryius e Julius Thomas eram, talvez, os melhores Free Agents irrestritos do time. DT foi tagueado (falaremos sobre as tags em outro post), e Julius foi cortejado e recebeu um contrato enorme do Jaguars. Esses jogadores causam otimismo e trazem um sinal de mudança positiva para o time atual, e saudades nos torcedores do time anterior. Geralmente, recebem contratos enormes, bônus grandes e uma boa quantidade de dinheiro garantido. Costumam ser as contratações bombásticas anunciadas logo na abertura do mercado (como Suh), ou são alvo de cabo de guerra entre times diferentes (como Murray e Revis).

Os jogadores da Tier 2 são bons nomes, que são reconhecidos como reforços importantes, mas que podem ser substituídos pelo time anterior. Jogadores como Terrance Knighton, que assinam contratos com valores um pouco menores, geralmente sem tantas garantias, mas que podem causar um bom impacto. Geralmente são assinados na segunda semana de Free Agency, depois que os da Tier 1 estão fora do mercado, como plano B.

Os Free Agents da Tier 3 são aqueles que têm algo a provar. Jogadores veteranos saindo de um ano ruim ou de alguma lesão, ou jovens que tiveram queda de desempenho, mas com bom potencial. Eu diria que é o caso de Jacob Tamme.

Os da Tier 4 são os menos desejados. Geralmente, são contratados pelo valor mínimo, depois do draft, para preencher buracos e disputar vaga no roster. São os chamados de “Camp Fodder”, trazidos para aumentar a competitividade e, quem sabe, nos dar grande desempenho por um valor baixíssimo.

Existe um tipo diferente de UFA, os chamados Street Free Agents. São jogadores que tinham contratos, mas que foram cortados pelos seus times de origem. Esses jogadores podem assinar com qualquer time a qualquer momento da temporada, e não contam para escolhas compensatórias. É o caso de Vance Walker, DE recém-contratado, que foi cortado pelo Chiefs na sexta passada.

Eles nem sempre são jogadores ruins. Às vezes, são cortados para liberar espaço no cap, ou porque seus times acham que eles não valem tanto quanto seu próximo ano. Foi o caso de DeMarcus Ware, ano passado.

Não podemos esquecer, claro, dos Free Agents Não-Draftados. Os UDFA são jogadores que passaram pelo Draft sem serem escolhidos por nenhum time, e que estão livres para assinar com qualquer um. Em geral, são trazidos pra disputar espaço no Training Camp, e podem revelar gemas brutas, como CJ Anderson, Wes Welker e Rod Smith. Para efeitos de contrato, eles contam como Street Free Agents.

Bom, esses são todos os tipos de Free Agents que existem. Espero que isso ajude a todos, especialmente os leitores recém-chegados ao esporte, a entender um pouco melhor como funciona esse período.

No próximo post da série (não necessariamente o próximo post, já que podem sair posts sobre contratações até lá), falarei sobre o Salary Cap e sua relação com salários, bônus e dinheiro efetivo.

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#GoBroncos!