Peyton Manning amarela em decisões

Peyton Manning amarela em decisões?

Peyton Manning jogou mais em jogos de Playoffs que praticamente todo mundo. Mas também não há ninguém na história da liga que saiu de campo mais vezes derrotado na hora do vamos ver. E 9 das suas 13 derrotas vieram no primeiro jogo do time na pós-temporada, e isso levou a uma ideia geral de que ele amarela na hora H. E com o quarto Lombardi vencido por Tom Brady e o Patriots ontem, as comparações acabam sendo inevitáveis. Mas será que é justo botar só na conta de Manning esse histórico perdedor?

Esta é a parte um da análise de seus “one and dones“.

O futebol americano é o esporte mais coletivo que existe. Não importa o quanto um jogador seja bom, ele nunca ganhará nada sem um elenco ao seu redor. JJ Watt, Larry Fitzgerald e Dan Marino são exemplos disso. John Elway nunca tinha vencido nada até seus últimos dois anos, tendo perdido múltiplos Super Bowls por diferenças enormes no placar. No jogo de ontem mesmo, Brady teve uma performance muito boa, e não teria adiantado de nada se os técnicos do Seahawks tivessem alimentado Beast Mode pra vencer o jogo. Erraram na chamada, Russell errou muito na jogada, e o Patriots levou. Parabéns pelo grande jogo.

Diferentemente de Brady, porém, Manning nunca teve muita ajuda de seus companheiros. E não falo aqui de comparar os elencos, e sim da execução, que é mais importante do que a qualidade. Claro que ele tem sua parcela de culpa, mas colocar nele a marca de “amarelão” é errado, e vou mostrar o porquê. Pra começar, Manning entrou na liga em 98, e, logo no ano seguinte, levou o Colts aos playoffs. Entre as temporadas 99 e 2014, seu time só não foi para os playoffs uma vez, em 2001, primeiro ano do novo treinador (2011 não conta, ele não estava no time). E em grande parte dessas temporadas, seu time teve uma semana de bye, indo jogar direto na segunda semana da pós-temporada. Fale-me de consistência. Em seu ano fora, o Colts deixou de ser um eterno playoff contender para pegar a primeira pick no draft. Com Peyton, o Broncos foi de .500 a Super Bowl em dois anos, com três temporadas com mais de 10 vitórias. Mas falemos de playoffs, certo?

Analisando os One and Done de Peyton Manning

AFC Divisional Round 1999

Indianapolis Colts 16 x 19 Tennessee Titans

Esse foi o primeiro jogo de Manning nos playoffs. Ambos os times vinham de históricos 13-3, e o Colts era favorito para ganhar por 5.5 pontos. Entretanto, o Titans vinha do famoso Music City Miracle, e tinha o melhor histórico na história para um time de Wildcard.

No intervalo da partida, o Colts vencia por 6-3, mas tinha perdido o WR titular EG Green por lesão. O líder em jardas corridas naquela temporada Edgerrin James tinha conseguido apenas 56 em 20 carregadas, e dropou vários passes.

Na metade do terceiro quarto, o Colts vencia por 9-6 quando a defesa cedeu um TD corrido de 68 jardas. Ainda no terceiro quarto, James não conseguiu converter uma 3ª para 1, e o time ia para a conversão, quando Adam Meadows foi penalizado por false start, tendo que ir pro punt.

No quarto período, com o jogo 16-9 para o Titans, um false start e um holding anularam passes completos seguidos de Manning numa 3ª para 1. Então, com uma terceira para 22 jardas, Manning sob pressão lançou um ótimo passe de mais de 30 jardas para Marvin Harrison. Que fez isso:

Drop horrível de Harrison num passe perfeito de Peyton Manning

O Titans aumentou a vantagem para 19 a 9, e Manning correu para um TD de 15 jardas, dando números finais ao placar.

Ele terminou o jogo com 19 passes completos de 42 tentados, 227 jardas, e um rating de 62.3. Foram 7 passes dropados pelos receivers no jogo, sendo três no quarto período em terceiras ou quartas descidas que dariam first down.

AFC Wild Card 2000

Indianapolis Colts 17 x 23 Miami Dolphins (OT)

O Colts viajou a Miami com um pequeno favoritismo, e terminou o primeiro tempo vencendo por 14-0. A vantagem seria ainda maior se não fosse um Fake Field Goal que perdeu 6 jardas e um passe dropado por Jerome Pathon sozinho na endzone (era tão fácil que um dos narradores do jogo gritou TD). Era para o Colts ter chegado ao intervalo com 21 no placar.

No terceiro e quarto quartos, o Dolphins marcou dez pontos, e Harrison dropou um passe que levaria o time pro campo de ataque, e anulou outro ótimo passe com uma PI.

Faltando 4:55 pra acabar o jogo, o kicker Mike Vanderjagt (guardem bem esse nome, ele aparecerá várias vezes) acertou um FG de 50 jardas pra aumentar a vantagem para 17 a 10. A defesa do Colts precisava parar o ataque, mas não conseguiu. Jay Fiedler levou seu time por todas as 80 jardas do campo e marcou o TD com 34 segundos no relógio. Manning entregou a bola para seu RB, e o jogo foi para a prorrogação.

Miami teve a primeira posse e não conseguiu nada. Peyton levou seu time até a linha de 42 jardas do campo de ataque, e acertou um passe de 11 jardas para Harrison numa 3ª para 12. As zebras marcaram offside da defesa mas, ao invés de tentar a terceira para sete ou mesmo a quarta para uma jarda, Vanderjagt convenceu o técnico de que ele conseguia acertar o chute de 49 jardas. Ele errou por mais ou menos cinco metros, e Peyton nunca mais tocou na bola. Uma corrida de 17 jardas de Lamar Smith encerrou o drive de 61 jardas para o TD e a vitória dos Dolphins. Veja abaixo a distância exata da bola (ponto pintado de branco) pro goal post.

Nesse jogo, Manning terminou com 17 passes certos de 32, 194 jardas e 1 TD, com rating de 82.0

AFC Wild Card 2002

Indianapolis Colts 0 x 41 New York Jets

O Jets era favorito por 6 pontos, e o time, agora treinado por Tony Dungy, foi completamente mal preparado pra partida. NY vinha de 8-3 nos últimos 11 jogos, e liderava a liga em diferencial de pontos nesse período, com +110.

Uma sequência de eventos resume bem a partida. No primeiro quarto, com 7-0 para o Jets no placar, Peyton converteu 3 third downs e deu ao kicker Vanderjagt a oportunidade de chutar um FG de 41 jardas. Ele errou, o Dolphins acertou seu FG de 41 no drive seguinte. No kickoff, Troy Walters cometeu fumble e o Jets marcou um TD. Manning estava 4/9 pra 42 jardas e três passes dropados pelos receivers naquele momento. Quando ele recebeu a bola de volta, estava 17-0 no placar, e faltavam 9:36 pro intervalo da partida. Depois de ineficiência do jogo terrestre do Colts, o Jets marcou mais um TD, e no intervalo o placar marcava 24-0. Logo no retorno do kickoff do segundo tempo colocou o Jets em posição de marcar, e estava 27-0 antes que Peyton pudesse tocar na bola.

Aí sabemos como as coisas são. Com o time precisando de pontos, vai pro jogo aéreo, tem que forçar jogadas, a defesa se prepara mais, e interceptações acontecem.

Com sete drops totais dos receivers, o jogo foi muito semelhante ao nosso Super Bowl do ano passado, e o técnico assumiu toda a culpa pela falta de preparação da equipe. Foi o pior jogo de Manning nos playoffs (sim, pior até mesmo que o SB contra Seattle), com 14 passes certos de 31 tentados, 137 jardas e 2 interceptações.

AFC Divisional Round de 2005

Pittsburgh Steelers 21 x 18 Indianapolis Colts

Depois de começar a temporada com 13 vitórias seguidas, o Colts perdeu para o Chargers na semana 15, e descansou Peyton e a maior parte dos seus jogadores importantes nas duas últimas semanas. Tendo vencido 14 jogos, era favorito por 8.5 pontos contra o Steelers, que vencera 11.

Esse foi o jogo no qual o debate sobre o quanto o descanso realmente faz bem começou pra valer. O Steelers era sexta seed da AFC, e chegou até lá vencendo cinco jogos seguidos. Já o Colts estava havia mais de um mês sem jogar. E o momentum do Steelers ficou claro logo de cara. O time abriu 14 a 0 no primeiro quarto, com uma performance de gala de Big Ben, que lançou pra 147 jardas e dois TDs. No segundo quarto, Peyton levou o time até a linha de 1 jarda adversária, mas Tarik Glenn cometeu False Start, e o RB James correu apenas 4 das 6 jardas que precisava pra marcar o TD. Depois, Peyton quase sofreu um safety, e o punt subsequente foi ruim, dando um campo curto ao Steelers, que deixou o jogo 21-3, faltando 1:26 pro fim do terceiro quarto.

Dallas Clark diminuiu com um TD de 50 jardas, e o Steelers não conseguiu marcar, mas comeu mais de oito minutos do relógio no drive seguinte. Com 5:33 faltando, Peyton foi interceptado por Polamalu, mas as zebras reverteram a chamada. No fim desse drive, um TD e uma conversão de dois pontos deixaram o jogo 21-18. Manning recebeu a bola mais uma vez, mas foi sacado duas vezes no drive (cinco no jogo), e aparentemente, acabara tudo ali. Entretanto, um fumble de Jerome Bettis recuperado por Nick Harper deu a Manning a bola mais uma vez. Peyton ganhou 30 jardas em dois passes e quase marcou um TD para Wayne.

Aí veio Vanderjagt de novo. Precisando acertar um FG de 46 jardas para levar o jogo para o Overtime… Aconteceu isso:

Vanderchoke

Peyton terminou a partida com 22 passes completos em 38 tentados, 290 jardas e 1 TD, com rating de 90.9.

Bom, galera, essa foi a parte 1 desse post. Na quarta-feira, sai a parte dois. Serão três sobre o histórico de Peyton Manning nos playoffs. Partes 1 e 2 serão sobre seus one and done, e a terceira será sobre as outras derrotas (as que vieram depois de uma vitória ou mais). Vocês preferem posts mais longos e detalhados ou mais curtos?

A offseason será recheada de novidades, e vocês podem nos ajudar a fazer o blog melhor, dando opiniões sobre o que querem ler no nosso grupo.

#GoBroncos