Peyton Manning amarela em decisoes 3

Peyton Manning amarela em decisões? Pt 3

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos, estamos aqui hoje para a terceira e última parte da série de posts que analisa o desempenho de Peyton Manning em suas derrotas de playoffs.

Desta vez, vamos falar sobre as que ele perdeu depois de já ter vencido alguma partida, incluindo seus dois Super Bowls. Vamos lá?

Como Manning foi em outras derrotas nos Playoffs?

AFC Championship Game 2003

Indianapolis Colts 14 x 24 New England Patriots

Os playoffs da temporada 2003 marcaram a primeira (e a segunda) vitória de Peyton Manning na pós-temporada. E ela veio com estilo. Contra o Denver Broncos liderado por Jake Plummer, o único TD de Denver na partida veio a 7 minutos do fim, com o jogo já 41 a 3. A partida terminou 41 a 10, com Manning lançando 5 TDs, com quase 85% de passes certos, 377 jardas e um rating perfeito de 158.3. No Divisional Round, a equipe passou pelo Kansas City Chiefs em Kansas, em outro jogo de performance excepcional de Mannning. Ele lançou 3 passes pra TD, acertou mais de 70% dos passes e terminou com um rating de 138.7. Com a vitória, era hora de ir a New England, enfrentar o Patriots e Tom Brady pela primeira vez na pós-temporada.

E não é um jogo do qual Manning gosta de se lembrar.

Logo no começo, o Patriots abriu o placar. Era um dia chuvoso e frio em Foxboro, e, na conversão de quarta descida, um pump fake de Brady tirou a defesa de posição, para um TD muito fácil.

Na tentativa de levar seu time ao empate, Manning lançou na endzone, num passe um pouco alto, mas o TE Marcus Pollard não se virou para procurar a bola, dando uma interceptação fácil para a defesa patriota. E daí, a coisa degringolou.

Depois de dois Field Goals de Adam Vinatieri, num punt a pouco mais de 4 minutos faltando pro intervalo, o snap veio alto demais, o Punter não conseguiu pegar, e, no desespero, chutou a bola para fora por trás do campo, cometendo um safety. No segundo tempo, o Colts voltou mais ligado e conseguiu um Touchdown logo na primeira posse. Mas ficou só nisso. O ataque não conseguiu nada, dois chutes de Vinatieri deixaram o jogo 21 a 7. A dois minutos e meio do fim, Pollard se recupera do lance que gerou a interceptação, e recebeu um TD difícil de Manning.

Com 21 a 14 no placar, Manning precisava de um TD pra levar seu time à prorrogação. Mike Vanderjagt não acertou o onside kick, mas o Patriots só fez o relógio andar 12 segundos.

Com a posse de bola e 2:01 no relógio, Manning lançou quatro passes incompletos seguidos (em dois deles, a defesa patriota estava segurando o alvo, mas a arbitragem ignorou). Depois de recuperar a bola na linha de 20 do Colts, Brady sofreu um fumble, recuperado por Indianapolis, mas foi revertido pela arbitragem. Vinatieri chutou um FG de 34 jardas, e, apesar de ter conseguido chegar novamente ao campo de ataque de NE, não houve mais pontuação do Colts.

Essa foi a segunda pior apresentação de Manning nos playoffs. Ele completou apenas 23 dos 47 passes tentados, para 1 TD e 4 interceptações, prum rating de 35.5. Seus receivers, mais uma vez, não ajudaram, somando 7 drops, 4 deles em terceiras e quartas descidas, que dariam first down.

AFC Divisional Round 2004

Indianapolis Colts 3 x 20 New England Patriots

Ano novo, mesma história. Na partida de Wildcard, novamente Peyton Manning e cia destruíram nosso Denver Broncos, ainda liderado por Plummer. Com 35 pontos no primeiro quarto, e 14 no quarto final, o jogo terminou 49 a 24, e Manning lançou 4 TDs, 1 pick e um rating de 145.7.

Na semana seguinte, novamente uma visita a Foxboro, novamente uma decepção. Novamente um frio congelante e neve, novamente Manning não conseguiu jogar bem. Depois de uma troca de three and outs, na qual Dallas Clark dropou um passe fácil, por causa do frio, o primeiro quarto terminou oxo. Numa campanha que durou 9:07, o Patriots chegou a marcar o TD numa quarta descida, mas um false start do center anulou. O time se limitou a um Field Goal.

No drive seguinte, a linha ofensiva do Colts convidou a defesa patriota a dançar com Manning, forçando um fumble recuperado por Saturday. Na campanha seguinte do Patriots, liderados por uma corrida de 46 jardas, eles chegaram a mais um FG.

Novamente, uma campanha boa do Colts foi anulada por um turnover. Manning acertou um passe para Dominic Rhodes, e a bola foi arrancada da mão dele por Tedy Bruschi.

Aqui você vê o momento exato em que Bruschi já estava com a bola na mão. Ele arrancou à força.

No drive seguinte, uma trick play eu ao Colts a primeira descida, mas voltou por um procedimento ilegal. Na sequência, um passe para Wayne foi quase interceptado, e o Colts teve que se contentar com FG.

Foram os únicos pontos de Indianapolis a noite toda. Dominando o relógio, em duas campanhas que consumiram, juntas, mais de 15 minutos do relógio, o Patriots chegou a dois TDs.

Com o Colts precisando diminuir no placar, Manning acerta Wayne, que ganha jardas… e solta a carne. Confiram comigo no replay:

Ted Bruschi recupera o fumble, e o Patriots consome um pouco mais do relógio. Manning ainda foi interceptado na última posse, mas não adiantaria de nada. O jogo terminou 20 a 3, com Manning acertando 27 de 42 passes, pra 238 jardas, nenhum TD e essa pick do fim, um rating de 69.3.

Super Bowl 2009

Indianapolis Colts 17 x 31 New Orleans Saints

Depois de 3 one and dones, que já foram cobertos nas partes um e dois desta série de posts, e um Super Bowl vencido, o Indianapolis Colts de Manning finalmente chegou à terra prometida novamente. Depois de uma temporada soberba de 14 vitórias, o Colts atropelou o Ravens por 20 a 3 no Divisional Round, e despachou o NY Jets por 30 a 17 na final da AFC.

Chegou o grande jogo. Peyton Manning contra Drew Brees. E o jogo parecia completamente desenhado para Manning ser campeão novamente. O Colts abriu 10 a 0 no primeiro quarto, mas não fez nada no segundo. Dois Field Goals diminuíram a vantagem, e o jogo foi para o intervalo 10 a 6.

Aí veio a genialidade do técnico. Na volta do intervalo, Sean Payton decidiu arriscar, e deu certo. Para começar o segundo tempo, o New Orleans Saints tentou o onside kick, e recuperou.

Encontre a bola:

Esse lance mudou todo o momentum da partida, e o New Orleans Saints marcou 58 jardas em pouco mais de 3 minutos para virar o placar. Peyton Manning, porém, não ficou atrás, e conduziu seu time a uma nova virada, com um TD logo na campanha seguinte.

O jogo finalmente tinha a cara que todos esperavam, e o Saints marchou o campo novamente, para marcar um FG. Na sequência, porém, Manning caiu vítima novamente de seu kicker. Com Vanderjagt já tendo sido chutado do time, Matt Stover era o responsável por novamente colocar o Colts à frente do placar.

A seta branca indica onde a bola já não estava mais na direção do FG, e a vermelha indica onde ela caiu. Era um FG de 51 jardas, mas Stover tinha uma sequência de 16 chutes certos seguidos em playoffs. Foi só o narrador lembrar do fato e, claro, ele errou.

A campanha seguinte foi de TD do Saints, que ampliou a vantagem. Precisando de um TD com conversão para empatar o jogo mais uma vez, o drive seguinte do Colts terminou na famosa interceptação retornada para Touchdown de Tracy Porter, que deu números finais da partida. Peyton terminou a partida com 31 passes certos em 45 tentados, 1 TD, 1 pick, e rating de 88.5. Foram só dois drops, mas o onside kick recuperado (a bola estava na mãos do jogador do Colts) e o FG perdido foram fundamentais para mudar a partida, além, claro, da interceptação que definiu a partida.

Super Bowl 2013

Seattle Seahawks 43 x 8 Denver Broncos

Quando todos achavam que Manning não tinha mais nada a oferecer, ele deu ao mundo a melhor temporada que um ataque já teve. 606 pontos, 55 TDs, recorde de jardas lançadas, 4 jogadores com 10 TDs ou mais na temporada.

Tudo parecia bem encaminhado. Uma vitória por 24 a 17 sobre o San Diego Chargers, que tinha nos vencido umas semanas antes, seguida pela melhor partida de Manning contra o New England Patriots, uma vitória por 26 a 16, na qual ele lançou pra 400 jardas, teve um índice de acerto de quase 75% e um rating de 118.4, o Denver Broncos chegou com moral para enfrentar o Seattle Seahawks.

Era o embate final, da força avassaladora contra a barreira imóvel. O maior ataque da história da liga contra uma das maiores defesas de todos os tempos. Peyton Manning se tornara apenas o segundo QB da liga a levar dois times diferentes para o Super Bowl (Kurt Warner é o outro), e poderia ser o primeiro a vencer com dois times… Mas todo mundo se lembra do que aconteceu.

Essa sequência e sua legenda definem o que foi a partida:

Passou isso pela minha cabeça. Eu tinha certeza de que perderíamos do primeiro snap da partida. E foi o que vimos. Uma avalanche pra cima do Denver Broncos.

Nossa defesa bem que tentou. No primeiro quarto, conseguiu segurar o ataque do Seahawks a apenas dois Field Goals, e a partida próxima, 8 a 0 para eles. Aí, abriram-se os portões para o caos.

Depois da campanha que gerou o safety, o time conseguiu avançar 8 jardas na segunda, e foi pro punt sem nenhum first down. Na campanha seguinte, a situação piorou. Numa terceira para 7, tentando acertar Julius Thomas, Manning foi interceptado. Dessa interceptação, pouco mais de um minuto depois, saiu o primeiro TD da partida.

Na campanha seguinte, o buraco ficou ainda mais embaixo. Depois de conseguirmos bons avanços, e finalmente o ataque engrenar, chegamos ao campo de ataque. Numa terceira para 13 jardas (depois de uma falta de Tripping de Zane Beadles), Manning tentou acertar Knowshon Moreno, e encontrou Malcolm Smith, que levou a bola pra casa.

No kickoff subsequente, o coração de todos nós quase desistiu do jogo ao ver o primeiro bom retorno de Holiday ser declarado como fumble. O replay mostrou que não foi, e ficamos com a posse. Novamente, o time marchou bem o campo, e chegou à linha de 19 do ataque, quando, numa quarta para 2, Demaryius não conseguiu pegar o passe, defendido por Clemons.

Já havíamos estado numa situação semelhante antes. Viramos o primeiro tempo naquele fatídico jogo contra o Chargers perdendo por 24 a 0 um ano antes. O que eram 22 pontos? Era só voltarmos bem pro segundo tempo, segurarmos a primeira campanha do Seattle e tudo ficaria bem.

Aí isso aconteceu:

 

Um chute curto, uma cobertura horrível, de repente, o jogo estava 29 a 0, e aí sabíamos de vez que não teria mais jogo. Seattle marcou mais dois TDs, com nosso TD e conversão de 2 pontos no meio, e CJ Anderson teve o desprazer de receber três snaps seguidos, um passe de 14 jardas, uma corrida de 3 e outra de 6 jardas, pra ver o relógio correr até o fim.

Como vi muita gente nos dois posts anteriores comparando Manning com Brady, gostaria de fazer essa comparação pelo ponto de vista individual, não coletivo.

Em títulos, é óbvio que Brady leva vantagem absurda, assim como em TDs lançados, vitórias e interceptações na pós-temporada. Mas eu li muita gente dizendo que Peyton era amarelão na hora H porque seu Rating diminui muito nos playoffs, em comparação com a temporada regular. Mas na verdade, o rating de praticamente todos os quarterbacks diminui na postseason. Há algumas exceções, como Russell Wilson, Drew Brees, Mark Sanchez, Joe Montana, Eli Manning e Joe Flacco, para citar alguns, mas as comparações foram feitas especificamente entre Tom Brady e Peyton Manning. Não gosto dessas comparações, acho que ambos são excelentes quarterbacks, os melhores de seu tempo, e que vão pro Hall da Fama no primeiro ano de elegibilidade, mas, já que insistiram tanto, vamos lá.

Na temporada regular, Peyton Manning é o terceiro melhor QB em Passer Rating. Com uma média de 97.5, está atrás apenas de Aaron Rodgers (106.0) e Tony Romo (???? – 97.6). Tom Brady aparece na quinta posição, com 95.9 de média. Entre Brady e Manning, Steve Young (96.8)

Já nos playoffs, Peyton Manning é o 14º colocado em Rating nos playoffs, com 88.5. Tom Brady, que é considerado por muitos como muito superior a ele, tem apenas meio ponto de rating médio a mais, aparecendo na 12ª posição.

Quem considera o Passer Rating como medida definitiva para julgar quem é melhor, considera que QBs como Mark Sanchez, Tony Romo e Eli Manning são melhores do que os dois.

Analisando jogos individuais nos playoffs, Peyton Manning e Terry Bradshaw são os únicos QBs na história a terem um jogo com rating perfeito, 158.3. Manning também aparece na 17ª posição, com 145.7. O irônico é que as duas melhores partidas de Manning em playoffs vieram contra o Denver Broncos. Já o melhor jogo de Tom Brady aparece na 29ª posição na lista, com 141.4 contra o Jaguars, nos playoffs da temporada 2007.

Além disso, pela métrica criada em 2006 pela ESPN para definir os quarterbacks, o QBR, entre as 25 melhores postseasons da liga de lá pra cá, Manning aparece com a 11ª (IND-09), 13ª (IND-07), 14ª (DEN-13), 17ª (IND-08) e 22ª (IND-10).

Já Tom Brady aparece apenas uma vez entre as 25 melhores pós-temporadas, 19º lugar na de 2011. A segunda melhor postseason de Brady viria na posição 27, em 2013.

Sei que essa métrica não cobre os três primeiros Super Bowls de NE, porque foi criada depois deles, mas cobre postseasons constantes dos dois QBs, o bastante para essa comparação ser feita.

Não quis aqui recomeçar uma discussão Brady x Manning, apenas demonstrar como, em estatísticas individuais, Manning leva vantagem. Como um time, e, talvez, em desempenho nos momentos definitivos, Brady leva vantagem.

Aqui terminamos nossa série de posts que analisam o desempenho de Peyton Manning nos momentos decisivos. Como ele se portou nas derrotas.

Espero que todos tenham conseguido ter uma visão melhor sobre sua carreira, e sobre como ele, por mais que tenha certa parcela de culpa em todas as derrotas, não pode ser considerado o responsável principal por elas.

E, especialmente, não pode ser considerado amarelão ou pipoqueiro. Manning é um dos maiores de todos os tempos, e temos que agradecer por tê-lo em Denver, e aproveitar seus últimos momentos.

Se ele voltar, vamos saborear cada passe, cada touchdown, cada momento espetacular. Assim como foi com Elway em 98, nunca saberemos quando será o último. E que a última imagem de Manning nos playoffs, e a última imagem dele com a camisa do Denver Broncos seja exatamente a mesma última imagem de John Elway: com o Vince Lombardi na mão.

Obrigado a todos pela companhia nessa jornada, inclusive os torcedores de outros times que passeiam por aqui.

#GoBroncos!