Elway quarterback do Super Bowl XXXII

A importância do quarterback num título

Olá, amigo leitor e torcedor do Denver Broncos, durante a série de posts (1, 2 e 3) sobre Peyton Manning nos playoffs, perguntaram se podíamos falar sobre quando ele efetivamente ganhou o Super Bowl. Decidi então fazer uma análise da importância do quarterback não só na temporada em que Manning venceu, mas também nas duas em que o Denver Broncos levou o troféu Lombardi. Vamos lá?

John Elway como quarterback em 1997

Na temporada 1996, o Denver Broncos teve uma campanha que parecia destinada ao Super Bowl. Campeão da Divisão, 13 vitórias, bye week assegurada, e o “fraco” Jacksonville Jaguars pela frente. E em casa, perdemos por 30 a 27, apesar de 15 pontos no quarto período.

Na temporada seguinte, com uma vitória a menos, o time foi para a rodada de wildcard, contra o mesmo Jaguars, no mesmo estádio. Mas o resultado foi completamente diferente. Terrell Davis correu para dois TDs, Derek Loville correu para mais dois, até Vaughn Hebron correu para um. Rod Smith recebeu um passe de John Elway, e nosso quarterback terminou a partida com um rating de 110.2. Foi o melhor jogo dele naquela pós-temporada.

No Divisional Round, encaramos nosso rival divisional, Kansas City Chiefs, fora de casa. Terrell Davis abriu o placar no primeiro quarto, KC virou no terceiro quarto com um FG e um TD do quarterback Elvis Grbac para Tony
Gonzalez, e nosso TD virou novamente a partida, dando números finais ao jogo, no quarto período. Na vitória por 14 a 10, John Elway acertou 10 de 19 passes tentados, 170 jardas e nenhum TD, para um rating de 83.2.

Na final da Conferência, fomos a Pittsburgh enfrentar o poderoso Steelers e sua temível defesa. Foi um jogo duro, que ninguém esperava que fôssemos vencer. Mas vencemos. Apesar de não termos marcado nenhum ponto no segundo tempo. Apesar de John Elway ter sido interceptado uma vez. Nossa defesa interceptou Kordell Stewart três vezes, TD correu pra um TD, Elway lançou dois e vencemos por 24 a 21, como nosso quarterback tendo um rating de 86.8.

Chegamos so Super Bowl novamente. Todos esperavam que o Broncos fosse apanhar de novo, como tinha sido em todas as vezes anteriores, ainda mais perante o atual campeão Green Bay Packers, liderado por Brett Favre, 3 vezes MVP. Foi um jogo apertado, no qual em momento algum um time teve mais do que 7 pontos de vantagem. Mas, depois um TD de Terrell Davis a 1:47 do fim, no qual a defesa de GB o deixou marcar, nossa defesa segurou bem a barra no drive seguinte, e conseguimos vencer o título.

TD foi o MVP, depois de 3 TDs, John Elway correu pra mais, e o jogo terminou 31 a 24 para o Denver Broncos. Nesse jogo, Elway lançou pra 123 jardas, 1 interceptação e um rating de 51.9.

John Elway como quarterback em 1998

Na temporada 1998, o Broncos esteve muito perto de conseguir a temporada perfeita. Mas uma derrota para o Chargers tirou a chance, e o time chegou com facilidade aos playoffs, com 14 vitórias na temporada regular, e Terrell Davis levando o MVP da temporada, depois de correr pra mais de 2000 jardas, mesmo descansando 8 quartos inteiros.

Depois de descansar na semana do Wildcard, o time de Denver atropelou o Miami Dolphins por 38 a 3, com 2 TDs de TD, 1 de Derek Loville, um de Elway pra Rod Smith e mais um TD defensivo, num fumble retornado.

No confronto entre Elway e Marino, dois reis na posição de quarterback, nosso #7 levou a melhor, completando mais de 60% dos passes, 1 TD e rating de 100.3.

Na partida seguinte deixou bem claro como um time é mais importante que um quarterback nos playoffs. O New York Jets abriu 10 pontos de vantagem, mas o Broncos, como um time, virou. Apesar de lançar um TD, John Elway teve a segunda pior porcentagem de passes certos na sua carreira dos playoffs, acertou apenas 13 dos 34 passes tentados, mas lançou um TD, junto com outro de Terrell Davis, e com 20 pontos no terceiro quarto, Denver venceu o Jets por 23 a 10, e chegou ao seu segundo Super Bowl seguido. Elway terminou com um rating de 65.0.

No Grande Jogo, o duelo entre dois times que terminaram a temporada regular 14-2, mas o placar nunca foi próximo. Com 17 pontos no primeiro tempo, contra 6 do Atlanta Falcons, o Broncos controlou bem a partida. Quando Atlanta marcou 13 no último período, Denver marcou 17, e o placar terminou 34 a 19.

Sem TD de TD desta vez, Howard Griffith entrou na endzone duas vezes, Elway lançou um TD de 80 jardas para Rod Smith e correu para outro, e terminou a partida como MVP. Nosso quarterback lançou pra mais de 300 jardas, com mais de 62% de passes certos e um rating de 99.2, depois de 1 TD e 1 INT, e se aposentou por cima, com todas as glórias, e seu nome assegurado na história da franquia e da NFL. É, até hoje, o quarterback mais velho a vencer o Super Bowl.

Peyton Manning como quarterback em 2006

As carreiras de Elway e Manning se cruzaram. O último ano do #7 foi o primeiro do #18. E 8 anos depois de se tornar profissional, quando todos falavam de Peyton como um novo Dan Marino, o cara que arrebenta na temporada regular, mas não ganha nada, ele foi lá e levou seu time ao Super Bowl.

Aliás, é até indigno dizer que ele levou o time para lá. Seu time o levou, já que Peyton não foi lá essa Brastemp na pós-temporada, mas tinha um bom time, que lhe deu suporte quando ele falhou.

Depois de terminar a temporada regular com 12 vitórias, o Indianapolis Colts foi para os playoffs, e começou sua jornada recebendo o Kansas City Chiefs em casa. Só Adam Vinatieri marcou pontos no primeiro tempo, já que o primeiro TD só saiu no terceiro quarto. Joseph Addai correu para um TD, Tony Gonzalez (lembra dele?) diminuiu após um TD de Trent Green, e Reggie Wayne, recebendo passe de Peyton Manning deu números finais ao jogo, 23 a 8 para o Colts.

Peyton terminou a partida com quase 79% de passes certos, mas dos 8 errados, 3 foram interceptações. Ele lançou um TD, e terminou com um rating de 71.9.

A partida seguinte lembra muito a de Elway contra o Jets. Manning teve um jogo horrível contra o Baltimore Ravens. Acertou 50% dos seus passes, foi interceptado duas vezes, e teve um rating de 39.6. Mas foi outra demonstração de que um time bem equilibrado compensa um jogo ruim de seu quarterback.

A defesa de Indianapolis conseguiu igualar a de Baltimore nas interceptações, e num jogo que foi uma festa para os kickers, Adam Vinatieri superou Matt Stover, e a partida terminou 15 a 6 para o Colts.

Na final da Conferência americana, um confronto entre os melhores na posição de quarterback desta geração. Em Indianapolis, o Patriots enfrentaria o Indianapolis Colts. Todo mundo esperava que a história dos últimos jogos entre esses times nos playoffs fosse se repetir, ainda mais depois do pífio jogo de Manning contra o Ravens. E depois do primeiro tempo, não restava mais dúvida. 21 a 6 para o New England, seria outra surra.

O segundo tempo começou, e algo tinha que mudar. E mudou. Logo na primeira campanha, o Indianapolis Colts comeu quase 7 minutos do relógio, e Peyton Manning entrou na endzone. A defesa forçou um three and out, e o Colts respondeu com outra campanha para TD+2, desta vez em menos de 3 minutos, empatando a partida. New England respondeu com um TD, mas um novo TD do Colts deu a terceira campanha seguida terminada em Touchdown, desta vez por Jeff Saturday, recuperando um fumble e empatando tudo novamente.

Um punt de cada lado, Gostkowski chutou pra desempatar, Vinatieri empatou de novo, e Gostkowski treplicou. Faltando 3:53 no relógio, o Patriots vencia por 34 a 31, na que talvez seja a mais espetacular final da AFC da história.

A julgar pela história, essa era a hora de Manning pipocar. A hora na qual ele ia cometer um erro, ser interceptado e voltar pra casa. Mas não desta vez. Ajudado por uma falta de Roughing de Passer de Tully Banta-Cain nele, depois de completar um passe de 14 jardas para Reggie Wayne, Manning se viu no Two-Minute Warning, na linha de 11 do campo de ataque.

E deixou o jogo terrestre resolver as coisas. Joseph Addai correu 3 vezes, marcando o TD que deu a superioridade no placar pela primeira vez na partida, faltando 1:02 pro fim. Sem poder contar com o Field Goal, precisando de um TD, era hora da estrela de Tom Brady brilhar.

1st down, passe incompleto, 49 segundos. 2nd down, passe completo, 19 jardas, 31 segundos. 1st down, passe completo, 15 jardas, 24 segundos, timeout.

O Patriots estava na linha de 45 do campo de ataque, com 24 segundos pro fim. Tendo coberto 34 jardas em 20 segundos, parecia inevitável. Parecia. Saindo do timeout, Brady lança a bola… 10 jardas no ar… Ben Watson é o alvo… E Marlin Jackson intercepta! E com 16 segundos no relógio, Manning pega a bola, abraça, ajoelha, e vai para seu primeiro Super Bowl! Ele termina a partida com 27 passes certos de 47, 349 jardas, 1 TD, 1 Int, 1 TD corrido e um rating de 79.1. E era a hora da verdade.

Começa o Super Bowl, o Chicago Bears abre o jogo retornando o kickoff 96 jardas para TD. E na primeira campanha do Colts, Manning foi interceptado.

Tudo parecia péssimo. Pra piorar, quando Manning acerta o TD para Reggie Wayne, Vinatieri erra o Extra Point. Quando a coisa parecia dar certo pro lado do Colts, um fumble no retorno do kickoff, Manning devolve o favor, cometendo fumble logo no snap seguinte, dando a bola para Chicago. Um TD de Rex Grossman, e o jogo ia para o segundo quarto 14 a 6 para o Bears, e tudo parecia dar errado para o Colts.

Aí o Colts marcou um TD com Dominic Rhodes, virou a partida 16 a 14. Desse ponto até o fim, foi um festival de horrores, que terminou com uma interceptação de Grossman retornada para TD no quarto período, que deu números finais à partida, 29 a 17. Foram 3 turnovers do Colts e 5 do Bears, além de um turnover on downs pra cada lado.

Mas como é o placar que importa, o Colts foi campeão de um Super Bowl feio de se ver, e a NFL foi caridosa e deu o MVP a Peyton Manning, que terminou a partida com 25 passes certos de 38 tentados, pra 247 jardas, 1 TD, 1 pick e 81.8 de rating.

Quão importante é o quarterback para o Super Bowl?

John Elway, nas duas campanhas para Super Bowl, somou 6 TDs, 3 Interceptações, uma média de pouco mais de 200 jardas por jogo, e um rating médio de 85.2.

Peyton Manning, quando levantou o troféu, foi ainda pior. Foram 3 TDs, 7 interceptações, 258.5 jardas em média e um rating médio de 68.1.

Leio por aí as pessoas dizendo que o time com Brock Osweiler nunca conseguiria ser campeão do Super Bowl, mas os números dos dois maiores QBs que o Broncos já teve não dão peso a isso.

“Ah, mas na época de Elway, os times não passavam tanto a bola.”

Errado, jovem Padawan. Nos playoffs de 97, os times tiveram uma média de 34.5 passes tentados por jogo, contra 33 passes por jogo nos playoffs de 2014. E se compararmos com alguns dos times recentes campeões do Super Bowl, veremos que não fogem muito à regra.

Russell Wilson, em 2013, lançou para menos de 175 jardas por jogo, com 3 TDs. Em média, dois passes a menos por partida do que Elway em 97. Além disso, Seattle em 2013, Ravens em 2012 e Giants em 2011, todos estavam entre os três melhores times em pontos marcados pela defesa e tentativas de corrida durante os playoffs. O Steelers de 2008 teve uma interceptação de 100 jardas retornada pra TD. O Saints de 2009 teve a de Tracy Porter, e 74 jardas.

Não são defesas que ganham títulos, mas um time bem equilibrado. O time é mais importante que seu quarterback. Quando se corre bem a bola, quando se tem uma defesa agressiva e que marca pontos, as chances de vitória são muito maiores do que quando se confia apenas nos braços de um quarterback. O Patriots mesmo, não teria sido campeão este ano, se o Seattle tivesse confiado em sua principal estrela na hora H.

Gary Kubiak é famoso por construir estrelas no jogo corrido. Wade Phillips é famoso por criar defesas consistentes e agressivas, que pressionam os quarterbacks adversários o tempo todo. Se isso será suficiente, só o tempo vai dizer. Mas John Elway tem noção do que é necessário para ser campeão. E às vezes, é necessário que o quarterback de elite seja apenas um bom game manager em campo. Ele sabe disso, porque ele fez isso por dois anos seguidos. E terminou as duas temporadas com um troféu. Será ele capaz de nos levar ao terceiro?

#GoBroncos!