Eli Manning, sobre Peyton: “Achei que ele não voltaria”

Peyton e Eli Manning estão sempre juntos, até mesmo num vídeo de rap

Peyton e Eli Manning são talvez o duo de irmãos de maior sucesso na história dos esportes. E eles são bem unidos. Desde darem aulas juntos na Manning Passing Academy até fazerem comerciais de rap ridículos (mas muito engraçados e grudentos “It’s football on your phone, aham, aham…”), os irmãos buscam se ajudar, e Eli está fazendo o possível para ajudar Manning na busca pelo seu segundo anel de Super Bowl, e é natural que o assunto das cirurgias pelas quais Peyton passou venha à tona.

Seguindo os passos do pai, que foi um QB profissional por anos, os dois também se tornaram QBs, mas com muito mais sucesso, já que somam 4 participações em Super Bowls (5, contando o jogo de domingo) e 3 anéis (que esperamos que sejam 4 esta semana). Eli venceu seu segundo título na casa de Peyton, em Indianapolis, e Peyton agora tem a chance de “retribuir”, podendo ser campeão na casa de Eli, em New Jersey. Mas será que Eli acreditava que seu irmão pudesse voltar a jogar em alto nível? A resposta é não.

“Claro, eu o vi depois da primeira cirurgia, e tinha certeza de que sua carreira tinha acabado”, Eli disse à imprensa em uma entrevista na quarta-feira (ontem). “Não tinha como ele voltar a jogar em alto nível. Nós estávamos brincando no quintal de casa, como fazíamos desde crianças, lançando a bola um para o outro a 15 jardas de distância, e ele não conseguia lançar um passe em linha reta. Não tinha espiral, não tinha força, não tinha Peyton ali. Ele queria voltar a jogar, e eu achei que isso não aconteceria”.

Felizmente, Eli Manning se enganou. Depois de outras 3 cirurgias, Peyton foi dispensado pelo Indianapolis Colts e acertou com o Denver Broncos. Mas quando ele assinou, ninguém sabia como seria, se ele conseguiria. Tanto é que seu contrato tem uma cláusula que diz que ele precisa fazer exames todos os anos, e se for vetado pelo médico, ele não joga mais, e o time não deve nada para ele.

Eli disse que se preocupou ao ver o irmão jogando ano passado:

“Lembro-me de vê-lo na preseason ano passado, e estava muito preocupado. Eu tava, tipo, ‘Não sei como isso vai dar certo. Se ele precisar fazer um passe preciso, em um momento decisivo, e tiver um defensor vindo pra cima, será que ele vai conseguir?'”

Bem, todos sabemos o que aconteceu. Ele voltou, jogou bem, bateu alguns recordes da franquia e levou o time para os playoffs, até aquela derrota dolorida para o Ravens ano passado, e este ano teve simplesmente a temporada mais fenomenal que um QB já teve, calando a todos os críticos e duvidosos, incluindo seu irmão mais novo, Eli Manning.

“Mas claro, ele conseguiu voltar, e ele teve este ano, ele está mais forte, seu braço está mais forte, e ele está melhor do que sempre foi. Então tem sido uma jornada incrível para ele, com tudo o que ele passou, e eu pude vê-lo passar por tudo isso, com tanta dedicação, isso é inspirador para mim.”

Eles sempre trocam informações sobre rivais em comum, e, apesar de ter sido interceptado 5 vezes contra eles, Eli vai passar o que puder sobre o Seattle (talvez dicas sobre o que não se deve fazer). E mais informações sobre seu estádio. Coisas sobre como o vento bate, como o gramado é, detalhes que apenas um perfeccionista como Manning, que ano passado pediu a John Elway informações sobre como o sol bate quando está se pondo no SAF@MH (nosso estádio), poderia precisar.

“Mas vou fazer tudo isso num lugar onde Russel Wilson não possa ouvir. Claro que eu queria estar lá (jogando o Super Bowl), mas como não posso, torço por ele. Domingo, torço pro Broncos vencer. Fico com um pouco de inveja dele por ter chegado lá, e isso só serve para eu ter mais motivação, voltar melhor e ter um ano melhor”.

E ao ser perguntado sobre o que um segundo anel de Super Bowl faria ao legado de Peyton, em relação a ser ou não o melhor QB de todos os tempos, Eli Manning foi bem claro:

“Ele já criou seu legado. Isso não é algo com o qual ele se preocupa. Ele vem jogando num nível bem alto por um longo período de tempo, superou lesões, e ele obviamente estabeleceu muitos recordes da NFL e esteve em vários times que chegaram aos playoffs. Agora ele está no seu terceiro Super Bowl. E sobre ser o melhor, sempre haverá inúmeras discussões sobre ‘Quem é o maior?’ ou ‘Quem é o melhor?’, mas acho que se seu nome está na discussão, se você é um dos caras com o nome citado, acho que você já criou um legado muito bom. Eu não acho que ele esteja preocupado com isso. Ele é um competidor nato, e ele quer ganhar campeonatos porque esse é seu trabalho como jogador de futebol americano, vencer jogos. Acho que é só nisso que ele pensa.”