Aspectos do jogo XV: FB x TE (singleback)

Seguindo a série Aspectos do Jogo, o post de hoje trata de um assunto bem controverso no futebol americano moderno: a necessidade ou não de um fullback (FB) em um ataque da NFL. É sempre produtivo para o Mile High Brasil trazer estes posts específicos sobre a liga e o esporte. Assim todos podem compreender melhor o jogo que amam e enriquecer a discussão e troca de idéias entre nós mesmos.

Se você quiser dar uma lida nos artigos anteriores da série, confira aqui a lista completa de todos os assuntos já abordados. Muito deles falam do nosso querido Denver Broncos, mas muitos servem para conhecimento em geral de qualquer torcedor de futebol americano.

 

Houve um tempo no futebol americano em que os FBs jogavam em todos os times da NFL e eram considerados como jogadores titulares. Todos os times tinham também formações de singleback, mas era uma minoria dos snaps em que ela era utilizada.

No futebol americano moderno, a tendência que temos observado é a de cada vez menos a presença de fullbacks em campo. O Denver Broncos, tendo um dos melhores quarterbacks passadores da história recebendo os snaps, também faz parte disso. O Peyton Manning é um exímio passador e os nossos alvos favorecem essa tendência; mas você conhece as diferenças entre os 2 sistemas?

 

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O Vonta Leach é possivelmente o melhor FB da NFL neste momento. Free agent, é cogitado como possível reforço do Denver Broncos para a temporada 2013.

FB x singleback

Nas formações de singleback, nós temos sets com 2 TEs, 1 TE e 1 WR, ou ainda 4WR. Existem muitas variações com esses personnels, mas não vamos nos prender a isso.

O importante neste momento é entendermos que a razão que faz com que não haja 1 FB em campo nestes casos não é por mera fidelidade ao singleback ou algo do tipo; mas sim porque um FB não é útil na maioria dessas jogadas.

 

Vantagens de ter um FB em campo

1. Ter um lead blocker nas jogadas de corrida (especialmente entre os tackles);
2. Um corredor adicional no depth chart;
3. Outra opção de corrida na mesma formação para confundir os defensores;
4. Contar com um bom pass blocker dentro do pocket para pegar os blitzers;
5. Variação de chamadas podendo utilizar o FB passes curtos de screen, shovel e etc.

 

Vantagens de uma formação singleback

1. Uma opção a mais de recebedor já alinhado perto da linha de scrimmage;
2. Ter um bloqueador extra na linha ofensiva (um tight end, por exemplo) que serve tanto em jogadas de corrida quanto de passe;
3. Melhorar consideravelmente a proteção contra blitzes pelo edge;
4. Mais ajuda no caso de ter jogadores de OL mais leves no roster.

 

Porque optar pelo singleback

Nenhum time consegue “fazer tudo”, então eles procuram se especializar em certos aspectos do jogo. Devido às restrições financeiras (salary cap) e númericas (elenco de no máximo 53 jogadores), as franquias focam em detalhes de jogo para procurar vitórias. Uma dessas decisões passa por manter um FB no roster ou utilizar o espaço com outro TE.

A tendência atual, agora que a NFL é uma liga de passes, é que o FB não seja mais uma prioridade. Uma das maiores mudanças dos anos 70 para hoje é a retirada do fullback, dando lugar para formações com múltiplos tight ends. Hoje em dia vemos com frequência 3 deles em campo ao mesmo tempo.

Outra novidade que contribui para a escolha de um TE atualmente, é que esses jogadores são muito utilizados também em passes. Antigamente quando havia algum TE em campo, a formação aparentava uma poderosa probabilidade de corrida.

Assim, os TEs provem grande flexibilidade que os FBs não o fazem. Se a defesa apresentar cornerbacks mais leves cobrindo os TEs (formação nickel), o time corre com a bola. Se a defesa trouxer mais LBs para a cobertura, então o ataque vai fazer passes. Tendo um QB capaz de acertar passes precisos na mão desses recebedores fortes, neste caso a escolha fica óbvia para o Denver Broncos nos próximos anos.

 

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Além de ótimo bloqueador, o TE Joel Dreessen é também bastante utilizado em recepções dentro da redzone.

TE recebedor ou TE bloqueador?

Talvez esta seja a decisão mais difícil de um time quando ele resolve abrir mão de um FB legítimo. Qual tipo de de TE é mais importante para o time? No caso do Denver Broncos, temos os 2 perfis e estamos muito bem servidos na posição, apesar da pouca fama dos nossos jogadores.

O Joel Dreessen é um ótimo bloqueador, fazendo dupla com o Virgil Green na função; enquanto o Jacob Tamme e Julius Tomas são do tipo recebedor. O ideal então é que se mesclem os talentos de cada tipo. Mas o que fazer em times quando isso não é possível?

Para os torcedores em geral, o TE favorito para se manter no roster é o recebedor, já que aparece mais. Mas, no fundo, acredito que os TE bloqueadores são muito mais necessários. Com um bom sistema e execução, um cara bloqueador pode ser colocado em situações favoráveis no downfield para receber passes em diversas jogadas.

Porém, se um jogador não é bom bloqueador, não há sistema, esquema e etc que o faça melhorar neste aspecto. É por isso que o mais prudente é investir o dinheiro e lugar em roster num bloqueador e não recebedor, quando um time não puder ter ambos.

 

Pensando nisso tudo, você prefere ter um TE e utilizar mais formações de singleback ou ter um FB legítimo no roster para deixar o ataque terrestre mais poderoso? Concorda com os meus argumentos em escolher um TE bloqueador ao invés de um recebedor? Deixe suas opiniões abaixo para podermos conversar.

Espero ter conseguido escrever tudo do modo mais simples possível, mas se você tiver alguma dúvida, sugestão ou quiser acrescentar algo, fique a vontade. Lembre-se que somos todos aprendizes e a troca de idéias e informações é fundamental para o crescimento de todos nos aspectos do jogo desse esporte que amamos.

GO BRONCOS!

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