Deixa o homem trabalhar!

A primeira dúvida que todos tiveram quando Peyton Manning veio a Mile High era como seria o trabalho do ataque com ele em campo. Lembrando que ano passado nosso time correu, correu, correu, correu e correu com a bola, sobre o comando de Tim Tebow, o RB que aprendeu mais ou menos a lançar a bola, o que fez com que nosso playbook ofensivo fosse grandemente baseado em corridas, e formou-se uma filosofia de estabelecer o jogo corrido logo no início do jogo. Até aí, tudo bem, não fosse o sério problema de estarmos tendo começos de jogos bem mais lentos do que os fins, o que significa que algo que fazemos no segundo tempo tem dado mais certo do que o que fazemos no primeiro.


Vamos aos fatos:

Em todos, TODOS os jogos, nosso time começou MUITO lentamente. Tentando o já citado “estabelecimento do jogo corrido”, o time não progride. Simplesmente porque isso é o que todo mundo tá esperando. Em todos esses jogos, até o segundo quarto praticamente, a coisa foi assim “huddle longo, bola pro McGahee correr”. TODOS. E isso se reflete em nossos pontos, especialmente no primeiro período: ZERO contra Steelers, Falcons, Patriots e Chargers, 5 contra os Texans e 10 contra os Raiders. Tirando o jogo contra os Raiders, que foi um passeio, perdemos o primeiro tempo em TODOS os jogos. Apenas no segundo tempo que a coisa começa a melhorar. E por que começa? Porque Fox e McCoy decidem usar sua melhor arma, o silêncio. Deixam Manning ir pro no-huddle e comandar o ataque. E, com isso, o time melhora, tendo conseguido sair de buracos profundos para quase virar contra Falcons, Texans e Patriots, e tendo conseguido a virada mais espetacular que eu já vi contra os Chargers.

Entendo a cabeça dos técnicos, de não quererem que Denver se torne Indianápolis, mas o que eles precisam entender é que quando se contrata o maior cérebro da história da NFL (na minha opinião), você não pode simplesmente deixar de usar as principais armas que ele tem. Reservamos 96 milhões de dólares, 18 deles neste primeiro ano, do nosso salary cap pra tê-lo chamando as jogadas, então deixem que ele chame as jogadas, pô.

Isso não é mesclar o playbook dos Colts ao nosso, isso é usar o que nosso QB tem de melhor. Até porque, ELE era o playbook dos Colts. É só ver o resultado da saída dele, quando o time de Indianápolis foi o campeão do Luck Bowl. Sem ele, os Colts tiveram que mudar todo o estilo de jogo, a começar pela defesa, que teve que se tornar mais conservadora, uma vez que não há tanta certeza de pontuação do outro lado.

Peyton Manning é um maestro. E seu no-huddle toca simplesmente as melhores músicas de todas. Há uma diferença enorme entre o no-huddle padrão (geralmente usado quando um time tá perdendo por muito, ou nos últimos dois minutos de cada tempo) e aquele orquestrado pelo nosso QB. Ele não é na correria, simplesmente por ser. Pelo contrário: em diversos momentos, vemos o time todo alinhado na linha de Scrimmage com 35 segundos ainda no relógio, e ele espera 30 segundos antes de dar call no snap. O que ele é faz é manter o nível de tensão na defesa adversária.

Algum de vocês já ficou na posição de 3 pontos, com os joelhos dobrados e com uma mão no chão? Desconfortável, não? Agora imagina ficar assim por 30 segundos. Várias vezes. Tendo 130 quilos. E não podendo ser substituído. Isso cansa, tira a concentração, faz com que, com o passar do tempo, buracos se abram nas defesas. Além do mais, com o grande tempo de espera, ele tem mais tempo de analisar a defesa adversária e deduzir qual jogada será feita, para fazer os ajustes necessários. Por outro lado, se a defesa decidir arriscar e trocar jogadores, ele simplesmente chama o snap e ganha cinco jardas pra nosso ataque.

Querido Fox, Peyton Manning fez com que JIM CALDWELL (aquele mesmo que levou o time à vitória no Luck-Bowl, tendo o pior resultado em 20 anos – 2-14)chegasse a um Super Bowl! Você quer ver um Vince Lombardi de perto? Então deixe que Peyton Manning seja Peyton Manning por 60 minutos, não apenas 30. Relaxe, puxe uma cadeira, beba uma água de coco, coma Skittles, faça o que quiser, mas deixa o homem trabalhar, ele já provou que sabe o que faz.