Aspectos do jogo VIII: Jogo Corrido

Em mais este post da série Aspectos do Jogo, vamos dar uma boa olhada em tudo o que envolve o jogo corrido de um ataque da NFL. Se você quiser dar uma olhada nos artigos anteriores da série, confira aqui a lista completa de todos os assuntos já abordados.

Neste artigo então iremos conversar melhor sobre as nomenclaturas e os tipos de running back que fazem parte de um roster, além entender o básico de como funciona o Zone Blocking Scheme do Broncos. Outro ponto do texto é saber as diferenças entre o ZBS e o man-blocking scheme (ou gap blocking). Vamos lá.

 

Os tipos de Running Backs

Vamos começar entendendo como os times usam sua profundidade do estábulo de running backs. Cada um dos tipos tem vantagens e desvantagens, e nenhum pode ser considerado “o melhor modelo a seguir”.

É apenas uma questão de aproveitar o que o time tem como armas. O foco será entender as maneiras de se aproveitar cada tipo de RB em respeito à essa profundidade na posição (e não avaliar talento, força ou velocidade dos jogadores).

Os tipos de running backs são: primary, spell, change of pace e rotational. Fica complicada a tradução pela dificuldade de se achar termos correspondentes aos modelos, mas acredito que com a descrição de cada um o entendimento vai ser fácil.

1. Primary: A vangatem de se ter um primary halfback é que o time pode contar com ele na maioria dos downs de uma partida, sabendo que ele vai se sobressair na posição. A inconveniência em ficar dependente deste jogador é que o custo é alto, pois caso ele se machuque, raramente haverá outro jogador bom o suficiente para assumir seu lugar.

Times como o Broncos tem a vantagem de ter um sistema de jogo corrido que não necessita um primary back. Se algum running back precisar sair, outros podem entrar e serem colocados atras do nosso Zone Blocking Scheme com a OL e fazerem um ótimo trabalho. No caso de Denver, um ótimo trabalho significaria uma temporada com mais de 1000 jardas para o jogador.

2. Spell: Um spell back é usado na maioria das vezes combinado com um primary back. Se o primary se cansar, o spell entra para lhe dar tempo de descanso. Frequentemente, o trabalho número 1 do spell é não sofrer turnovers. Um exemplo é o Mike Bell, que assinou como jogador não draftado em 2006 pelo nosso time. Quando chegou para ser um spell back, teve problema com fumbles e só ficou 2 anos com o time por cometer o pecado capital para esse tipo de jogador.

3. Change of Pace: Algumas pessoas olham para essa função como um insulto para um jogador, mas não é. É uma função chave que deve ser exercida por um especialista. Na maioria dos sistemas de ataque, um running back change of pace é basicamente um cara forte que é trazido ao campo em situações de poucas jardas.

Em outros sistemas, especialmente os comprometidos com o jogo corrido, o RB forte é usado para abusar e cansar a defesa. Então, o change of pace é um especialista em velocidade que é trazido a campo para corridas explosivas.

Essas diferenças fazem com que os torcedores achem que as grandes corridas de um RB muito rápido são mais importantes, mas se esquecem de que sem o trabalho do RB muito forte ficaria muito difícil cansar a defesa para então explorá-la com velocidade.

4. Rotational: Um rotational back é aquele que recebe tempo de jogo semelhante ao do titular. Em palavras de um treinador, o segundo jogador no depth chart que recebe mesma quantidade de snaps que o titular é chamado de rotational.

O criticismo no uso rotational backs é que o time provavelmente não tem um running back suficientemente bom para ser um primary back neste modelo. Isso pode ou não ser verdade, tudo depende do sistema. Ter jogadores rotational na posição extendem a vida útil de todos os running backs do time, além de mantê-los sempre descansados.

Isso também torna mais difícil o planejamento da defesa contra o jogo corrido adversário, pela maior quantidade de jogadores para estudar. A grande desvantagem desse tipo de modelo é que os RBs podem não conseguir um bom ritmo de jogo durante as partidas.

 

Zone Blocking Scheme

Em praticamente todas as linhas ofensivas, a idéia de cada jogador é bloquear um defensor. O ZBS é um sistema de bloqueios em jogo corrido para esses jogadores da OL.

Nele, cada offensive lineman fica alinhado ombro a ombro e começa a se mover na direção da jogada em uma corrida (este é um sistema essencialmente desenvolvido para o jogo terrestre).

Eles vão bloquear algum defensor em 1-1 ou 2-1 para garantir que aquela determinada zona esteja livre. Quando acontecer um bloqueio 2-1, um dos OLs vai sair do defensor bloqueado para avançar para o segundo nível, onde um LB é bloqueado.

 

Se essa é a idéia geral do sistema, bloquear zonas e conseguir bloquear LBs no segundo nível, por que o ZBS é tão especial?

Há muitas razões que o tornam especial, eis algumas:

1. Você não precisa de caras grandes e durões oriundos dos times elite do college, encontrados somente nos primeiros rounds dos drafts, para construir um grupo sólido. O que você precisa são caras inteligentes, rápidos e ágeis. Isso torna sua linha mais barata e mais fácil de se conseguir, além de te permitir gastar picks altos em outras posições;

2. Todos os times, inclusive o Broncos, treinam contra sistemas de man-blocking durante toda a temporada. Como a grande minoria dos times da NFL usa o ZBS, pouco tempo de treinamento é feito contra o sistema. Os técnicos de defesa costumam tentar se ajustar a isso a cada partida, mas isso faz com que seus jogadores precisem usar estratégias que não estão habituados. Por exemplo, muitos DTs 1-tech precisam mudar para o gap B, ou precisam conseguir um tackle num espaço muito pequeno. Para entender melhor isso, sugiro a leitura deste post;

3. Os cut blocks, muito utilizados nesse sistema, deixam os defensores mais apreensivos. Primeiro porque machuca receber uma pancada forte na altura coxa, e depois porque eles não estão acostumados a serem levados para o chão desta maneira como acontece no ZBS;

4. Ele torna as corridas mais difíceis de se ler. As corridas entre os tackles deixam de ter uma rota específica para o RB. Ele faz o movimento de “one cut” na melhor oportunidade que conseguir ler e deixa as defesas com mais dificuldade para derrubá-lo;

5. É mais fácil encaixar RBs neste sistema já que você também não precisa de picks altos de draft na posição. Tudo o que você precisa é de um RB com características “one cut” (falaremos disso ainda neste post).

 

Os times usam o ZBS em todas as jogadas de corrida?

Não. Em algumas jogadas de poucas jardas (tanto com o RB quanto com o FB), um time de sistema ZBS pode facilmente utilizar o método de man blocking para confundir os adversários. Esta sempre foi uma arma muito bem explorada pelo nosso time, principalmente na era do Mike Shanahan.

 

Como o ZBS funciona numa jogada de passe?

Quando os métodos do ZBS são empregados durante uma jogada de passe, seu nome é Zone Locking Scheme. Uma combinação entre travar defensores ou zonas é usada nesse caso, numa mistura entre as diferentes posições da OL. Este é um assunto que merece muita informação, mas como este artigo se trata de Jogo Corrido, trarei o ZLS em um post futuro.

 

Zone Blocking Scheme vs Gap Blocking

Gap Blocking é um termo usado raramente, mas é o termo correto para o sistema padrão de bloqueios que vemos frequentemente nas OLs da NFL. Nesse sistema, o corredor pode usar qualquer número de techniques para conseguir jardas. Ele pode ir em downhill, power ahead, one cut, sprint, dive, bounce e um grande número de possibilidades. Os power running são as técnicas mais comuns de corridas e depende do bloqueio de defensores específicos ao invés de zonas.

 

Recapitulando

Para finalizar, vamos dar uma recapitulada numa pequena lista de termos mencionados no artigo que são usados no jogo corrido. Lendo uma rápida definição de cada um, acredito que fique melhor o entendimento de tudo:

Zone Blocking Scheme: No ZBS cada jogador da OL se linha ombro a ombro com seu companheiro e se move na direção da jogada de corrida. O objetivo é bloquear zonas do campo para abrir espaço para o RB e bloquear os LBs no segundo nível;

Gap Blocking: É o sistema padrão de bloqueios da grande maioria dos times da NFL. Cada jogador da OL tem como alvo um dos defensores e seu trabalho é bloqueá-lo para abrir espaço para o RB usar uma rota pré determinada antes da jogada;

Power Running: É quando um RB tem uma rota pré determinada. Ele se compromete a tentar atingir esta rota para assim ganhar o maior número de jardas possível;

Power Blocking: Ao invés de bloquear um defensor para longe da jogada (que acontece quando o OL consegue se colocar entre ele e seu corredor), a técnica aqui é usada simplesmente forçando o defensor para trás. Se tiver sucesso, o defensor estará fora de equilíbrio ou fora da jogada (devido a um pancake por exemplo), e a rota do RB estará aberta conforme combinado;

Downhill Running: Este termo é muito confundido com power running. Enquanto o primeiro é um tipo em geral de approach para a corrida, o downhill running se refere à técnica utilizada pelo corredor (que geralmente é um power running) em que ele mantém suas pernas em movimento mesmo quanto sofre contato ou está sendo tackleado. A NFL nos mostra que um corredor com pernas poderosas (também conhecido como motor) consegue conquistar muitas jardas extras desta maneira. Isto não é algo fácil de treinar, porque precisa de uma inclinação natural do jogador para correr desta maneira;

One Cut: Essa á outra habilidade natural que precisa ser bem treinada (e é por isso que não existem muitos corredores one cutters). A técnica requer paciência e excelente visão de campo. Nela, o RB raramente tem uma rota pré determinada, mas se move em direção ao edge até ver um buraco ser criado pela sua OL. Uma vez que perceba isso, ele se projeta em direção a ele com a maior explosão possível para poder explorar o espaço. Depois de muitos anos treinando com acerto de gaps pré determinados, a maioria dos RBs falha em se adaptar a esse esquema;

Sprint: Esta é uma technique para corridas onde o foco é vencer o defensor em uma área pré determinada no campo. A velocidade é o ponto fundamental e se espera que o RB a use para evitar as tentativas de tackle sendo mais rápido que o defensor;

Dive: É tanto uma jogada quanto uma technique em que o corredor mira uma certa quantidade de jardas, independentemente do down e da distância que precisa para o 1st down. É muito usada para situações de poucas jardas, formações de goal line ou jogadas para se aproximar bastante do 1st down;

Bounce: Essa é uma técnica mais comum reservada aos pequenos pórem encorpados RBs em um espaço apertado. Nela, o RB tem um vislumbre dos tacklers em potêncial e produz grande aceleração para poucas jardas. Não é comum na NFL pela falta de jogadores desse tipo com o nível adequado.

 

Há muitos outros termos, é claro, associados com as técnicas de corrida, tipos de corredores e técnicas de bloqueios da linha ofensiva. Para o nosso propósito deste primeiro post sobre o jogo corrido, acredito ter abordado os principais e essenciais.

Se você tiver alguma dúvida, sugestão ou quiser acrescentar algo, fique a vontade. Lembre-se que somos todos aprendizes e a troca de idéias e informações são fundamentais para o crescimento de todos nos aspectos do esporte que amamos.

GO BRONCOS!

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