Aspectos do jogo II: West Coast Offense

Continuando a série Aspectos do Jogo, é hora de darmos uma olhada no ataque, já que comecei pela defesa no primeiro post. Se você quiser dar uma olhada nos artigos anteriores da série, confira aqui a lista completa de todos os assuntos já abordados.

Resolvi falar sobre West Coast Offense neste artigo porque muita gente ouve falar desse termo, mas não sabe exatamente como funciona esse tipo de ataque, quais são as particularidades dele e etc. Nosso time sempre teve ataques nesse sistema, e ele é muito utilizados por diversos outros ataques na NFL.

Com Tim Tebow jogando em Denver na temporada 2011, tivemos que adaptar um playbook inteiro para conseguir jogar aproveitando suas habilidades. Vencemos muitos jogos e chegamos na pós temporada com o ataque em Spread-Option. Mas com a contratação de Peyton Manning certamente voltaremos às tradições do ataque.

 

West Coast Offense (WCO)

O West Coast Offense, que foi desenvolvido pelo antigo Head Coach do 49ers Bill Walsh na década de 80, é um ataque muito sutil que se utiliza de passes curtos desenhados para controlar a posse de bola.

Nos ataques mais tradicionais, a idéia é correr com a bola para que os safeties e linebackers fiquem mais perto da linha de scrimmage, abrindo espaço para passes mais profundos e verticais. O WCO faz exatamente o contrário disso, pois usa um jogo aéreo de passes rápidos para abrir espaço para seu jogo terrestre.

Esse tipo de ataque emprega uma grande variedade de formações e motions antes do snap desenhados para confundir as defesas. Ele faz uso da capacidade do time em inundar a defesa com mais alvos do que ela possa lidar. O quarterback se move frequentemente, muito mais que num ataque convencional, com jogadas de roll out e bootlegs desenhadas de acordo com as rotas feitas pelos recebedores.

 

Objetivos do West Coast Offense

– Espalhar as defesas tanto horizontalmente quanto verticalmente no campo, forçando linebackers mais lentos a terem que fazer cobetura de passes;

– Manter a posse da bola se utilizando de passes curtos quase como uma extensão do ataque terrestre;

– Criar confusão de leitura na defesa com velocidade, tamanho ou número de recebedores;

– Fazer passes em qualquer down ou distância para eliminar a tendência das defesas de colocar mais gente no box para destruir corridas.

 

Jogadas típicas

A maior parte das rotas num West Coast Offense são de 15 jardas a partir da linha de scrimmage, num dropback de 3 ou de 5 passos do QB para forçar a defesa adversária a ter o foco somente nas rotas intermediárias. Ao contrário do que as pessoas acreditam, algumas jogadas também usam o dropback de 7 passos para rotas shallow crosses, deep ins ou comebacks.

O WCO do Sid Gillman (outro técnico legendário, como o Bill Walsh) usava os mesmos princípios (usar os passes para estabelecer o jogo corrido), mas suas formações ofensivas eram em geral menos complicadas e com mais WRs e motions.  Os alvos programados para recepção eram frequentemente mais profundos que no sistema do Bill Walsh e isso precisava de uma maior confiança em um QB pocket passer para funcionar.

Outro aspecto que faz do West Coast Offense um dos mais difíceis sistemas de se dominar é que ele precisa de uma profunda conexão entre o QB e os WRs, além de uma grande habilidade de comunicação durante as jogadas. Em qualquer rota nesse sistema, o WR tem sempre ao menos 3 opções: um curl, um slant ou um fly, dependendo do que a defesa está mostrando antes do snap.

O QB é responsável por reconhecer isso nas defesas e reagir ao ajuste do WR nessas rotas quando necessário. Isso explica porque às vezes vemos o erro comum em que o QB lança para um lugar em que o WR não está mais presente.

Nosso novo QB Peyton Manning é possivelmente o jogador mais competente para executar esse sistema em toda a história da NFL. Outro grande QB nesse sistema foi o Joe Montana. Aqui vemos um exemplo de jogada no sistema West Coast Offense em que o Joe Montana faz um bootleg para a direita numa jogada desenhada para encontrar seu FB livre de marcação:

 

Habilidades necessárias de cada posição para o West Coast Offense

O QB precisa saber ler as defesas muito bem e ser bom na tomada de decisões. Precisa ser bastante preciso e forte nos passes, além de ter a capacidade de checar múltiplas opções antes de fazer o release rapidamente. Mobilidade seria uma vantagem, mas não é necessária.

Os RBs são geralmente usados como recebedores fora do backfield, então ele precisa ter boas mãos e saber correr rotas precisas. O mesmo vale para os WRs já que o foco são os passes mais curtos com precisão e timing diferenciados. A velocidade final deles não é tão importante quanto a habilidade de receber entre defensores. Se ele souber ganhar jardas após a recepção, pode se tornar um superstar nesse sistema.

TEs tem o papel de recebedores possession e bloqueadores contra blitz, enquanto os jogadores da OL precisam ser ágeis e móveis, com habilidade de se mover para bloquear em jogadas de movimento do QB. Eles não precisam ser extremamente fortes e conseguirem tirar defensores da jogada com consistência, já que o objetivo não é correr com a bola na base da força.

 

Essa é a essência do sistema West Coast Offense e é assim que nosso ataque deve ser a partir de 2012. Se você tiver algo a perguntar ou acrescentar, não deixe de mandar seu comentário logo abaixo! Será que com a volta do sistema WCO e dos uniformes laranja, voltaremos a ganhar o Super Bowl?

GO BRONCOS!

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